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Polícia descarta tese de sabotagem comercial em caso de furto de fios

Investigação considerou hipótese por envolver funcionários terceirizados da TIM em crime praticado contra a empresa Vivo, em Santo André

Por Thainá Lana
04/10/2023 | 07:00
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Reprodução


A Polícia Civil de Santo André descarta a possibilidade de sabotagem industrial em caso de furto de fiação subterrânea de cobre envolvendo a empresa de telefonia Vivo. A investigação conduzida pelo 5º DP (Distrito Policial) do município considerava a tese pelo crime ter sido praticado por funcionários terceirizados da empresa TIM.

O caso aconteceu no dia 26 de julho, na Rua das Conchas, na Vila Lucinda. Imagens de câmeras de segurança da rua flagraram três homens uniformizados com camisas azuis da empresa TIM furtando 200 metros de fiação de cobre, que pertencia à companhia de telecomunicações Vivo. Além dos uniformes, os suspeitos utilizaram um carro oficial da companhia.

Os funcionários eram da empresa FFA Infraestrutura e Serviços LTDA, que presta serviços para a TIM. A Vivo só ficou sabendo do ocorrido após receber diversas reclamações de usuários sobre o interrompimento do serviço nas áreas de cobertura no bairro. Um representante da Vivo registrou BO (Boletim de Ocorrência) sobre o furto da fiação. 

Uma das linhas da investigação da polícia era a possibilidade de sabotagem comercial, por envolver duas empresas concorrentes. Segundo explica o delegado titular do 5º DP, Matheus Rezende Dias, de março a setembro deste ano, a Vivo teria registrado pelo menos 15 ocorrências de furto de cabos de cobre em Santo André.

Por conta do alto volume de casos envolvendo a empresa, a tese inicial da polícia era que os funcionários da FFA Infraestrutura e Serviços LTDA estariam furtando os cabos da Vivo para prejudicar o serviço oferecido pela empresa de telefonia, e assim oferecer as atividades da concorrente. 

Porém, a possibilidade foi descartada após a polícia interrogar um dos envolvidos no crime ocorrido em julho, conforme explica o delegado Matheus Rezende. Na segunda-feira (2), a polícia realizou um mandado de busca e apreensão na casa de Wesley Gomes dos Santos, na zona leste da Capital, identificado como o motorista do grupo. 

“Inicialmente trabalhamos com essa hipótese por conta dos indivíduos estarem utilizando uniformes e veículos oficiais da empresa terceirizada que presta serviços para TIM. Contudo, durante o depoimento do investigado Wesley, verificamos que a Vivo é a única empresa de telecomunicações que utiliza cobre na fiação subterrânea”, informou Rezende, que complementou. 

“Então, não havia a intenção de derrubar o sinal especificamente da Vivo, no sentido de lesar os usuários, que ficariam insatisfeitos e procurariam a concorrência. Na verdade, eles tinham a Vivo como alvo porque a empresa utiliza um cobre de alto valor agregado na sua fiação. As conclusões, ainda não definitivas, apontam no sentido contrário, que não há sabotagem comercial, e sim desvio de maus funcionários”, alega o delegado responsável pelo caso.

Durante o depoimento, Wesley confessou a participação neste caso e em mais ocorrência envolvendo furto de fiação. O interrogado afirmou que os cabos subtraídos foram vendidos por R$ 14 mil, e apontou ainda o nome de mais três pessoas que estariam envolvidas nos crimes, que serão investigadas. Após prestar depoimento, ele foi indiciado por furto qualificado e associação criminosa, e foi liberado em seguida. 

Além do interrogatório, o telefone de Wesley foi apreendido, e a polícia encontrou grupos de WhatsApp relacionados à prática deste tipo de crime. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), as investigações sobre o caso prosseguem para esclarecer os fatos e prender os possíveis envolvidos.

POSICIONAMENTOS

Procurada, a FFA Infraestrutura e Serviços LTDA informou que não está ciente do caso envolvendo seus funcionários, e que ainda não foi notificada pela polícia sobre o ocorrido, mas que está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos. 

“Em se confirmando o fato, a investigação, e a participação de funcionários seus, a FFA tomará as medidas jurídico-trabalhistas cabíveis, atendendo às regras de compliance utilizadas na relação com seus 1500 funcionários”, esclareceu em nota. 

A TIM não quis se pronunciar sobre o caso. Ambas as empresas serão oficiadas pela polícia sobre o ocorrido envolvendo seus funcionários.




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