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Polícia descobre fábrica clandestina de armas em SP


Do Diário do Grande ABC

22/10/1999 | 20:32


Um morador da zona leste de Sao Paulo, ameaçado em plena luz do dia por um homem armado, escapou de um tiro e, sem querer, ajudou a Polícia Civil a desmantelar uma fábrica clandestina de armas e muniçao em Sao Paulo. Foram apreendidos quatro tornos - máquinas usadas para a feitura de peças -, compressor, furadeiras, moldes para fundiçao, tambores, canos para revólveres e espingardas, máquina para montar cartuchos, tambores, silenciadores, além de seis revólveres calibre 32 e 38 e duas espingardas calibre 28. Havia também pólvora, cápsulas e projéteis. Um homem foi preso.

Apesar de a fábrica - localizada na Rua Masato Sakai, no Jardim Camargo Velho, Itaim Paulista, divisa com o município de Ferraz de Vasconcelos - ser artesanal e de pequeno porte, a descoberta preocupou a polícia. Até nesta sexta-feira, nao havia sido registrada ocorrência semelhante na cidade, segundo informaçoes do 50.º Distrito, onde o caso foi registrado. O assunto também reacendeu a discussao sobre o projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados sobre a proibiçao das vendas de armas no país, em lojas autorizadas.

"O projeto está demorando demais para ser aprovado; isso pode estar causando problemas, como o de Sao Paulo", afirmou nesta sexta-feira o deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), autor de um substitutivo ao projeto de lei que permite a venda, com restriçoes.

Por acaso - A descoberta da fábrica ocorreu quinta-feira (21), por volta das 17 horas, por policiais militares. Eles foram chamados para atender a uma ocorrência de tentativa de assassinato contra Júlio César da Silva, conhecido como Pescoço. Silva estava andando na Rua da Uniao, onde reside, esquina com a Rua Francisco de Soutomaior, quando viu um homem em uma moto. O homem desceu do veículo e ordenou a Silva que parasse, sem motivo. Caso contrário, atiraria. Como Silva nao obedeceu às ordens, o homem disparou. Logo em seguida, aproximou-se do atirador o homem reconhecido posteriormente como César Sales, que mais tarde viria a ser preso pela polícia em flagrante, na fábrica de armas. Silva procurou a Polícia Militar e levou os soldados até o local do disparo. A PM encontrou Sales na Rua Masato Sakai, a cerca de três quadras do local do tiro. Ele foi imediatamente reconhecido pela vítima.

Fuga - A polícia vistoriou a casa onde ele disse trabalhar e encontrou a oficina de armas. Sales informou que nada sabia sobre as armas e disse que a fábrica seria de Edson, seu cunhado. Edson, cujo sobrenome ainda é desconhecido, foi o autor dos disparos. O homem identificado como Edson fugiu, mas César Sales, de 24 anos, acabou sendo preso por porte ilegal de armas.

Em seu depoimento à polícia, afirmou que estava confeccionando uma torneira, e nao um cano de revólver, no momento do flagrante. Disse "saber por cima" do que se tratava a fábrica e negou ter envolvimento com a venda de muniçao e armamento. Estava trabalhando na fábrica havia 40 dias. O delegado-assistente do 50.º Distrito, Hélio Moreira, informou que foi aberto inquérito para investigar o caso. A polícia quer saber para quem as armas eram vendidas e quem realmente as produzia.

Segundo vizinhos, a vítima, Júlio César Silva, fugiu durante a madrugada para a Bahia. Ele teria sido jurado de morte. Levou com ele sua mulher e os dois filhos e abandonou a residência com móveis e pertences. Moradores da regiao evitaram fazer qualquer comentários sobre a oficina. Alguns afirmaram saber da existência da fábrica. "Sei onde é, mas nao falo; é gente perigosa", disse um morador.

Transformaçao - O delegado Moreira explicou que, além da fabricaçao de algumas armas, a fábrica deveria servir principalmente para a transformaçao de revólveres comuns em armas mais potentes. "É comum desmontarem armas para, com os novos adereços, intensificar a potência".



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Polícia descobre fábrica clandestina de armas em SP

Do Diário do Grande ABC

22/10/1999 | 20:32


Um morador da zona leste de Sao Paulo, ameaçado em plena luz do dia por um homem armado, escapou de um tiro e, sem querer, ajudou a Polícia Civil a desmantelar uma fábrica clandestina de armas e muniçao em Sao Paulo. Foram apreendidos quatro tornos - máquinas usadas para a feitura de peças -, compressor, furadeiras, moldes para fundiçao, tambores, canos para revólveres e espingardas, máquina para montar cartuchos, tambores, silenciadores, além de seis revólveres calibre 32 e 38 e duas espingardas calibre 28. Havia também pólvora, cápsulas e projéteis. Um homem foi preso.

Apesar de a fábrica - localizada na Rua Masato Sakai, no Jardim Camargo Velho, Itaim Paulista, divisa com o município de Ferraz de Vasconcelos - ser artesanal e de pequeno porte, a descoberta preocupou a polícia. Até nesta sexta-feira, nao havia sido registrada ocorrência semelhante na cidade, segundo informaçoes do 50.º Distrito, onde o caso foi registrado. O assunto também reacendeu a discussao sobre o projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados sobre a proibiçao das vendas de armas no país, em lojas autorizadas.

"O projeto está demorando demais para ser aprovado; isso pode estar causando problemas, como o de Sao Paulo", afirmou nesta sexta-feira o deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), autor de um substitutivo ao projeto de lei que permite a venda, com restriçoes.

Por acaso - A descoberta da fábrica ocorreu quinta-feira (21), por volta das 17 horas, por policiais militares. Eles foram chamados para atender a uma ocorrência de tentativa de assassinato contra Júlio César da Silva, conhecido como Pescoço. Silva estava andando na Rua da Uniao, onde reside, esquina com a Rua Francisco de Soutomaior, quando viu um homem em uma moto. O homem desceu do veículo e ordenou a Silva que parasse, sem motivo. Caso contrário, atiraria. Como Silva nao obedeceu às ordens, o homem disparou. Logo em seguida, aproximou-se do atirador o homem reconhecido posteriormente como César Sales, que mais tarde viria a ser preso pela polícia em flagrante, na fábrica de armas. Silva procurou a Polícia Militar e levou os soldados até o local do disparo. A PM encontrou Sales na Rua Masato Sakai, a cerca de três quadras do local do tiro. Ele foi imediatamente reconhecido pela vítima.

Fuga - A polícia vistoriou a casa onde ele disse trabalhar e encontrou a oficina de armas. Sales informou que nada sabia sobre as armas e disse que a fábrica seria de Edson, seu cunhado. Edson, cujo sobrenome ainda é desconhecido, foi o autor dos disparos. O homem identificado como Edson fugiu, mas César Sales, de 24 anos, acabou sendo preso por porte ilegal de armas.

Em seu depoimento à polícia, afirmou que estava confeccionando uma torneira, e nao um cano de revólver, no momento do flagrante. Disse "saber por cima" do que se tratava a fábrica e negou ter envolvimento com a venda de muniçao e armamento. Estava trabalhando na fábrica havia 40 dias. O delegado-assistente do 50.º Distrito, Hélio Moreira, informou que foi aberto inquérito para investigar o caso. A polícia quer saber para quem as armas eram vendidas e quem realmente as produzia.

Segundo vizinhos, a vítima, Júlio César Silva, fugiu durante a madrugada para a Bahia. Ele teria sido jurado de morte. Levou com ele sua mulher e os dois filhos e abandonou a residência com móveis e pertences. Moradores da regiao evitaram fazer qualquer comentários sobre a oficina. Alguns afirmaram saber da existência da fábrica. "Sei onde é, mas nao falo; é gente perigosa", disse um morador.

Transformaçao - O delegado Moreira explicou que, além da fabricaçao de algumas armas, a fábrica deveria servir principalmente para a transformaçao de revólveres comuns em armas mais potentes. "É comum desmontarem armas para, com os novos adereços, intensificar a potência".

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