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Estudos: investimentos do PAC em energia podem ser insuficientes


Da Agência Brasil

17/04/2007 | 09:17


Se o consumo de energia seguir a evolução observada nas duas últimas décadas, o governo precisará garantir muito mais que os 12.386 megawatts previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para sustentar o crescimento de 5% ao ano no PIB (Produto Interno Bruto) até 2010.

De acordo com o estudo 'Objetivos de Desenvolvimento do Milênio', apresentado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2005, o consumo de energia cresceu cerca de 30% a mais que a economia, entre 1980 e 2003. Enquanto o PIB aumentou, em média, 1,9% ao ano nesse período, a demanda energética cresceu 2,5% ao ano.

Segundo a Annel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a capacidade de geração do Brasil é atualmente de 98.141 mil megawatts. A média anual dos investimentos do PAC prevê acréscimo de 3.096 megawatts anuais, o que equivale a 3,1% da geração atual.

No entanto, se a economia seguir o comportamento apresentado no estudo do Ipea, esse aumento é insuficiente para sustentar o crescimento anual de 5% na economia. Nesse cenário, o consumo teria de aumentar 6,5% ao ano, o que equivale a 6.353 megawatts adicionais.

Se forem levados em conta os projetos não incluídos no PAC, a potência elétrica média dos investimentos em energia sobe, mas não o suficiente para superar o crescimento do consumo, caso se mantenha o padrão histórico. O Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que lista os projetos na área energética até 2015, prevê aumento médio de 4.659 megawatts por ano em todo o país.

O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, descarta qualquer risco de desabastecimento. Ele diz que a produção e o consumo nem sempre precisam crescer na mesma proporção. "Como há uma sobreoferta de energia, os investimentos não precisam corresponder ao aumento na demanda", explica.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, esse excedente está em torno de 28 mil megawatts. Esse resultado leva em conta o consumo recorde de 62.975 megawatts registrado em 15 de março comparado com a atual capacidade de geração informada pela Aneel.

Tolmasquim ressalta ainda que o remanejamento de energia também deve ser levado em conta. "A construção de linhas de transmissão também pode suprir o aumento da demanda à medida que a gente leva energia de uma área em que está chovendo muito, por exemplo, para uma região em estiagem e com dificuldades de geração hidrelétrica", destaca.

O presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, acredita que a diferença entre o aumento da demanda por energia e a expansão do PIB não esteja mais nos níveis constatados pelo Ipea. "Nossos estudos constataram que quando a economia cresce mais, essa diferença diminui", destaca o dirigente da entidade, vinculada à Câmara Brasileira dos Investidores em Energia Elétrica. "Levando-se em conta que os anos 80 foram um período de estagnação, esse percentual de 30% é compreensível, mas isso não se aplica à realidade de hoje."

Pelas projeções do Instituto Acende Brasil, caso o PIB cresça a uma média de 4% ao ano até 2010, o consumo de energia aumentará 4,8% – diferença de 20%. Se a economia se expandir 5% ao ano, a demanda, conforme as estimativas, aumentará 5,4% – 8% a mais que a variação do PIB.

Sales, no entanto, ressalta que, mesmo nesses cenários de maior expansão econômica, o consumo de energia continuará a crescer mais que a economia. "Se forem considerados apenas os investimentos do PAC, os investimentos em geração elétrica certamente são insuficientes para atender à demanda", pondera. "É preciso pelo menos esperar o resultado dos leilões de energia para saber se esses novos empreendimentos conseguirão complementar o parque gerador.



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Estudos: investimentos do PAC em energia podem ser insuficientes

Da Agência Brasil

17/04/2007 | 09:17


Se o consumo de energia seguir a evolução observada nas duas últimas décadas, o governo precisará garantir muito mais que os 12.386 megawatts previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para sustentar o crescimento de 5% ao ano no PIB (Produto Interno Bruto) até 2010.

De acordo com o estudo 'Objetivos de Desenvolvimento do Milênio', apresentado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2005, o consumo de energia cresceu cerca de 30% a mais que a economia, entre 1980 e 2003. Enquanto o PIB aumentou, em média, 1,9% ao ano nesse período, a demanda energética cresceu 2,5% ao ano.

Segundo a Annel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a capacidade de geração do Brasil é atualmente de 98.141 mil megawatts. A média anual dos investimentos do PAC prevê acréscimo de 3.096 megawatts anuais, o que equivale a 3,1% da geração atual.

No entanto, se a economia seguir o comportamento apresentado no estudo do Ipea, esse aumento é insuficiente para sustentar o crescimento anual de 5% na economia. Nesse cenário, o consumo teria de aumentar 6,5% ao ano, o que equivale a 6.353 megawatts adicionais.

Se forem levados em conta os projetos não incluídos no PAC, a potência elétrica média dos investimentos em energia sobe, mas não o suficiente para superar o crescimento do consumo, caso se mantenha o padrão histórico. O Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que lista os projetos na área energética até 2015, prevê aumento médio de 4.659 megawatts por ano em todo o país.

O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, descarta qualquer risco de desabastecimento. Ele diz que a produção e o consumo nem sempre precisam crescer na mesma proporção. "Como há uma sobreoferta de energia, os investimentos não precisam corresponder ao aumento na demanda", explica.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, esse excedente está em torno de 28 mil megawatts. Esse resultado leva em conta o consumo recorde de 62.975 megawatts registrado em 15 de março comparado com a atual capacidade de geração informada pela Aneel.

Tolmasquim ressalta ainda que o remanejamento de energia também deve ser levado em conta. "A construção de linhas de transmissão também pode suprir o aumento da demanda à medida que a gente leva energia de uma área em que está chovendo muito, por exemplo, para uma região em estiagem e com dificuldades de geração hidrelétrica", destaca.

O presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, acredita que a diferença entre o aumento da demanda por energia e a expansão do PIB não esteja mais nos níveis constatados pelo Ipea. "Nossos estudos constataram que quando a economia cresce mais, essa diferença diminui", destaca o dirigente da entidade, vinculada à Câmara Brasileira dos Investidores em Energia Elétrica. "Levando-se em conta que os anos 80 foram um período de estagnação, esse percentual de 30% é compreensível, mas isso não se aplica à realidade de hoje."

Pelas projeções do Instituto Acende Brasil, caso o PIB cresça a uma média de 4% ao ano até 2010, o consumo de energia aumentará 4,8% – diferença de 20%. Se a economia se expandir 5% ao ano, a demanda, conforme as estimativas, aumentará 5,4% – 8% a mais que a variação do PIB.

Sales, no entanto, ressalta que, mesmo nesses cenários de maior expansão econômica, o consumo de energia continuará a crescer mais que a economia. "Se forem considerados apenas os investimentos do PAC, os investimentos em geração elétrica certamente são insuficientes para atender à demanda", pondera. "É preciso pelo menos esperar o resultado dos leilões de energia para saber se esses novos empreendimentos conseguirão complementar o parque gerador.

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