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O que esperar do futuro?
Por Rodermil Pizzo
11/09/2023 | 16:18
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O mercado de turismo segue imprevisível, até mesmo para os maiores estudiosos do segmento. Quem poderia imaginar um cenário tão complexo e incoerente? Durante a pandemia, o turismo sinalizou uma revolução no modus operandi. Os caminhos indicavam um fortalecimento das empresas OTA – On-line Travel Agency ou Agência de Viagens On-line – e, no contrafluxo, uma redução drástica das agências físicas.

A estrada conduzia os investimentos em empresas como a 123Milhas ou Hotel Urbano. O cenário se desenhava pelo sucesso e pela explosão destas marcas. Todavia, ambas apresentam neste momento crises e até mesmo pedido de recuperação judicial, deixando milhares de turistas sem expectativas de embarque ou reembolso em suas viagens adquiridas.

No caso da 123milhas, já era de conhecimento de todos que a venda de milhagem é um esquema irregular e complicado, uma pirâmide montada em cima de areia fofa, já tratada, inclusive, anteriormente nesta coluna. A Decolar, por sua vez, uma das pioneiras em apostar unicamente no segmento de turismo com venda por internet, sucumbiu às lojas físicas e já está presente em alguns shoppings, como Eldorado e Center Norte – e, segundo conversa informal com lideranças, já garantem a presença em breve no São Caetano, Anália Franco e Morumbi ainda este ano.

Curiosamente, ou premeditadamente, não sabemos, ou melhor, sabemos e fingimos não saber, as lojas da Decolar físicas estão sendo fundamentadas nos pontos onde a sua concorrente CVC Turismo tem os melhores desempenhos. De alguma forma, o que não é um segredo tão bem guardado, o acesso aos números de vendas das lojas CVC faz a frente de batalha da Decolar florescer nos solos sagrados de sua concorrência.

Em sua defesa, a CVC acredita plenamente na expertise de suas lojas físicas e não parece estar abalada. Neste momento, a única coisa abalada na CVC são os valores das suas ações, que já estiveram em R$ 58 e hoje ainda amargam o valor perto dos R$ 2,80. Mesmo com a presença e o investimento aportado pelas antigas lideranças conhecidas, o mercado consumidor e investidor não reagiu como esperado.

Quem fizer previsões para o turismo tende a errar mais que as previsões feitas pela Mãe Dinah na década de 1990. A única certeza absoluta que tenho, pois acompanho de perto, é que o Ministério Público segue firme e forte em busca de mais subsídios e informações para entender como funciona o pagamento de impostos e emissões de notas fiscais neste segmento – ou melhor, a não emissão das mesmas. Vamos aguardar.

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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