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Turismo para fuga
Por Rodermil Pizzo
04/09/2023 | 13:32
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O turismo tem como princípio básico levar o viajante a determinado lugar e retornar ao ponto de origem. Visitar, conhecer e desfrutar do local, armazenar belas fotos, aprendizado, história e, posteriormente, compartilhar com amigos, parentes e conhecidos. Em resumo, desfrutar do momento e, no regresso, voltar para a rotina.

Entretanto, para alguns turistas, esta função primária sofreu releitura e vem se tornado alternativa como rota de fuga permanente para outros países. Aproveitando-se da credibilidade das agências e operadoras, cuja maioria dos clientes é conhecidamente turista, estes oportunistas compram as viagens, infiltram-se nos grupos de excursionistas e tornam-se quase invisíveis nas imigrações.

Uma vez no destino escolhido, abandonam os grupos e circuitos e agem como cidadãos ilegais. O aumento de pseudo turistas, principalmente para destinos europeus, tem sido um clássico.

Atualmente, uma nova modalidade de burlar a imigração dos aeroportos internacionais, sempre mais rigorosas nas fiscalizações, utiliza como rotas de fuga o porto de Santos. As cias. marítimas, que fazem travessias para Europa, já contabilizam vários clientes que usam seus navios para cruzar o oceano para adentrarem ao Velho Continente e, por lá, iniciarem uma vida e uma nova carreira.

A motivação é sempre a mesma: monetária. Uma vez que as moedas estrangeiras estão acima do real – e isso faz o sonho de crescer rapidamente, com menos esforço, a clássica busca pelo pote dourado. O caminho usual de comprar uma passagem econômica nos sites das cias. aéreas, não ter hospedagem no destino e tampouco condições financeiras para se manter, já não enganam as imigrações.

O deporte ocorre com frequência. Diante disso, o uso das marcas famosas e conhecidas do turismo é empregado no esquema de facilitação da entrada e permanência em outro país. Obviamente que as empresas de turismo brasilis não fazem questionamentos a este respeito, se o turista está indo para “turistar” ou se abandonará o grupo e permanecerá em terras estrangeiras na tentativa de nova vida.

Registre-se que este não é o papel da agência e do agente. A utilização das cias. marítimas facilita em alguns pontos, como bagagens sem muita restrição de limite de peso e quantidade e raramente se pede apresentação dos bilhetes de regresso e ainda se tem a vantagem de um desembarque de milhares de pessoas simultaneamente, ou seja, maior dificuldade de controle imigratório.

Todavia, tudo tem um preço e considerações. Uma travessia de navio demanda entre 12 a 15 dias, diferentemente das 12 horas de voo; maior organização de espaço de tempo, pois voos partem diariamente para Europa, já transatlânticos, apenas no fim de temporada de cruzeiros, ou seja, somente em março e abril.
Com relação a custos, se o turista imigrante se organizar com antecedência, logra uma cabine no navio com baixo custo, e consegue tal façanha a preços similares de uma passagem ida e volta com qualquer cia. aérea. E ainda desfruta de dias em alto-mar descansando, já que, ao desembarcar, o sonho de ser rico se desfaz e vem a realidade de trabalho duro, dias intensos e sem férias.

Em tempo: o Brasil anunciou o fim do visto obrigatório para o destino Japão, um local que também costuma receber dezenas de interessados em fazer o trecho como turista e lá permanecer como imigrante ilegal. Agora, além da Europa, o Japão também facilitou a vida de quem quer se aventurar em nova vida. Porém, para o Japão, nada de transatlânticos, somente de cia. aérea mesmo. Boa sorte a todos.

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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