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123 agora é 171?
Por Rodermil Pizzo
23/08/2023 | 12:52
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O mercado todo sabia, o governo sabia, os clientes sabiam, aos fornecedores sabiam, enfim, por que agora fazer cara de surpresa sobre a postura da 123Milhas? Sabe o que mais constrange? É quando querem nos fazerem crer que foram pegas de surpresa sobre o esquema de pirâmide.

Um grande amigo, responsável pela segurança pública, usa um bordão muito providencial: “para cada golpista, vários oportunistas”. Quem faz surgir os golpistas, na verdade, são as pessoas que querem levar vantagem. Disfarçados de clientes ou travestidos de boa-fé, querem se dar bem a qualquer custo.

Já notaram que sempre que alguém é vítima de golpe, de alguma forma, a mesma participou direta ou indiretamente do esquema? Sabem que algo está errado e mesmo assim seguem em frente para lucrar. As cias. aéreas sempre divulgaram que é proibida a comercialização de milhas acumuladas pelos clientes. Todavia, este mercado de comercialização de pontos é antigo.

Nos famosos anúncios de jornais das décadas de 1980 e 1990 já se encontravam empresas comprando milhagem. Porém, isso era feito de forma clandestina, sem garantias, e com risco assumido pelos que vendiam e pelos que compravam. Sabe as famosas placas de homens-sanduíches comprando ouro e dólar? Então, são clandestinas. Este comércio resiste há décadas e segue firme e forte sem ninguém fazer nada. Quem vende ouro e dólar sem nota e sem identificação está errado; quem compra está errado; e mesmo assim o mercado é fortíssimo neste segmento.

A venda das milhagens era feita clandestinamente, até que alguém mais corajoso resolveu transformar o irregular em regular e corriqueiro. Abriu oficialmente uma empresa, e divulgou com naturalidade e com permissividade que comprava e vendia milhas – inclusive, nas propagandas da 123, eles explicavam claramente este esquema piramidal.

O governo se absteve, os empresários das cias. aéreas se calaram e o que era irregular se tornou regular. Aliás, no Brasil, várias irregularidades se tornam regulares. Vejam o transporte clandestino do Jabaquara para o Litoral Paulista feito pelas Vans. Tudo dentro do Metrô, ao lado das grandes empresas transportadoras oficiais.

Voltando à 123, agora todo mundo quer punição, correr atrás, tomar providências, querem denunciar na mídia, Procon, Russomanno etc. As perguntas são: Onde estava os órgãos de fiscalização antes do problema explodir? Os clientes sabiam que os preços eram infinitamente menores que os praticados pelo mercado e mesmo assim compravam, por quê? Os famosos defensores dos consumidores agora querem palanque? onde vocês estavam este tempo todo? As cias. aéreas, vendo tudo acontecer, não impediram o comércio de pontos, por quê?

Golpistas sim, oportunistas também. E assim caminha a humanidade. A lei de Gérson já discorria: leve vantagem você também.

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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