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A obesidade, o sexo e a fertilidade
Por Antônio Carlos do Nascimento
14/08/2023 | 16:07
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A obesidade exerce um impacto significativo na autoestima e possui uma influência inegável na sexualidade. Embora esse contexto possa resultar da insatisfação pessoal do(a) obeso(a) com seu corpo, alguns desequilíbrios hormonais relacionados ao excesso de gordura também explicam sua inibição e, além disso, justificam a perturbação frequente de sua fertilidade.

A fisiologia da produção de hormônios sexuais é semelhante tanto em homens quanto em mulheres, embora resulte em hormônios específicos para cada gênero. O gerenciamento desse processo é feito pelo sistema nervoso central, que produz o Hormônio Folículo Estimulante (FSH) e o Hormônio Luteinizante (LH), responsáveis por estimular as gônadas (testículos em homens e ovários em mulheres) a produzir hormônios sexuais.

Esse controle é delicado, de tal modo que a diminuição ou falta de funcionamento de ovários e testículos provocam a elevação da produção de FSH e LH, ocorrência bastante pronunciada na menopausa, mas de aumento gradativo no envelhecimento masculino.

Sabe-se, porém, que homens obesos apresentam níveis mais baixos de LH e consequente redução da função testicular, caracterizada pela diminuição dos níveis de testosterona, existindo ainda menor produção de espermatozoides, condição que os torna menos férteis. Por outro lado, baixos níveis de LH proporcionam inúmeras interferências nos decursos ovulatórios e conceptivos de mulheres obesas.

É bastante provável que esta desordem seja gerada por danos no território cerebral produtor de LH e FSH, injúrias patrocinadas por elementos inflamatórios originados no excessivo acumulado gorduroso, substâncias capazes de danificar as células desta área. 

Sabemos, no entanto, que a obesidade não impossibilita o sexo, a concepção e nem tão pouco a trajetória gestacional, mas seguramente impede o desenvolvimento pleno destas etapas.

Também por este ângulo é possível enxergar que o enfrentamento da obesidade, já estabelecida, deve ser oferecido em sua plenitude, seja com tratamento clínico, ou cirúrgico, sem culpar o(a) vitimado(a) obeso(a), nem tampouco negar-lhe a oportunidade de reencontrar seu orgulho próprio.




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