Política Titulo São Bernardo
Morando atropela o debate na reposição de dias parados

Compensação do desconto salarial será para parte dos funcionários da Educação; sindicato não foi consultado pela gestão

Artur Rodrigues
02/08/2023 | 07:00
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DGABC


O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), junto da Secretaria de Educação do município, sob comando de Silvia Donnini, atropelou a negociação para a reposição das aulas para os alunos que foram prejudicados nos dias de greve, realizada pelos servidores entre o fim de março e o início de abril. A gestão tucana impôs um calendário de dias extras sem consultar o Sindserv (Sindicato dos Funcionários Públicos e Autárquicos de São Bernardo) e os trabalhadores envolvidos na reposição.

“Nós conversamos na mesa de negociação, pedimos que fosse elaborado um calendário de reposição seguindo alguns critérios e direitos que os servidores têm. Discutimos com o governo para fazer essa reposição com todos os funcionários recebemdo horas suplementares. No fim das contas, soltaram um calendário sem nos consultar e complicando a situação de todos os trabalhadores. É mais uma tentativa dessa gestão de dividir o trabalhadores”, declarou o presidente do Sindserv, Dinailton Souza Cerqueira.

De acordo com a imposição do governo Morando, apenas professores estaturários com jornada de 24 ou 30 horas semanais poderão receber as horas trabalhadas como jornada suplementar, isto é, um pagamento à parte do salário normal referente ao tempo extra trabalhado. Todos os outros funcionários com carga de 40 horas, entre auxiliares de limpeza, diretores das escolas, coordenadores e orientadores pedagógicos, oficial de escola, inspetor de alunos, entre outros, vão trabalhar recebendo como hora-crédito, que equivale a banco de horas.

O documento emitido no dia 28 de julho pela Secretaria da Educação ainda estabelece que é opcional a cada funcionário trabalhar nos dias de reposição, independentemente da adesão à greve. O texto determina que a reposição se dará em 11 sábados até o fim do ano letivo, de 12 de agosto a 9 de dezembro, exceto em fins de semana com feriado prolongado. “Essa fórmula que a secretaria está impondo, que também não considera o vínculo do professor com as turmas, é desrespeitosa com os professores e com as crianças. Todos os professores que fizeram greve sempre expressaram a vontade e o entendimento da necessidade da reposição”, comentou uma professora.

Fato que também gerou revolta entre os servidores é que muitos tiveram desconto em seus salários durante a paralisação, conforme a própria Prefeitura informou ao Diário em nota enviada no dia 26 de abril. “Os dias não trabalhados no período de greve serão descontados de forma parcelada”, disse a administração. Segundo os funcionários, a imposição feita pela gestão tucana não tem a compensação do valor descontado.

“Essa condição na qual os trabalhadores já foram descontados financeiramente, e agora não terão direito de receber de volta, é bem complicada. A escola não é só os professores, tem quem cozinha, quem limpa, que atende as famílias dos alunos. Essas pessoas também têm direito de receber o que foi descontado”, ponderou uma servidora.

Alguns funcionários acreditam que a medida adotada é uma forma de punição por parte da Prefeitura por conta da greve. A paralisação afetou 80% das escolas do município, com ao menos 140 unidades sem aula ou com funcionamento parcial. A greve foi feita após a Prefeitura se negar a abrir uma mesa de negociação com o sindicato para reajustar os salários dos servidores.

“O governo quer nos punir arbitrariamente de todas as formas. Temos direito à greve e concordo que tem de haver reposição das aulas. Mas o valor já foi descontado na nossa folha de pagamento, agora querem que a gente trabalhe sem receber nada? É típico dessa gestão, que faz tudo para precarizar a educação das nossas crianças. Não à toa que os professores vivem saindo, são sobrecarregados e não valorizados”, comentou uma auxiliar de limpeza.  




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