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Em São Bernardo, Lula visita fábrica da Eletra e defende a indústria nacional

Em primeiro evento na região, presidente conhece maior montadora de ônibus elétrico da América Latina, que planeja investir R$ 150 milhões

Por Thainá Lana
Do Diário do Grande ABC
03/06/2023 | 08:18
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Rovena Rosa/Agência Brasil


Em sua primeira visita oficial ao Grande ABC após a posse, em 1º de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou ontem, em São Bernardo, da inauguração da fábrica da Eletra, maior empresa de ônibus elétricos da América Latina. Mais cedo, Lula esteve na UFABC (Universidade Federal do ABC) – leia mais abaixo.

Com o novo espaço, de 27 mil metros quadrados, localizado na Via Anchieta, a empresa terá capacidade para produzir 150 ônibus elétricos por mês, e cerca de 1.800 por ano. No Grande ABC, os veículos sustentáveis circulam pelo Corredor ABD. 

A ampliação das instalações faz parte de um plano de investimentos de R$ 150 milhões, com objetivo de posicionar a empresa como líder latino-americana na produção de ônibus elétricos, gerando empregos diretos no município nos próximos anos.

No evento de inauguração estiveram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, Renan Filho, do Transporte; Camilo Santana, da Educação; Márcio França, de Portos e Aeroportos, entre outros. 

Além dos gestores federais, os sete prefeitos do Grande ABC marcaram presença, assim como a deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania), Maria Beatriz Setti Braga, fundadora da Eletra, e Milena Braga Romano, presidente da empresa.

Durante a inauguração, Lula ressaltou a competitividade no setor elétrico frente aos desafios climáticos e à nova economia verde. “Não adianta apenas falar de mudança climática. Os ônibus elétricos são mais caros que os convencionais, porém, quando começam a operar os veículos sustentáveis custam 73% a menos do que o diesel. Por isso é que a gente tem que apostar numa empresa brasileira. É aí que entra a importância do Estado”, frisou.

“A cadeia produtiva do ônibus elétrico pode gerar 10 mil empregos nos próximos três anos, podendo aumentar isso para 30 mil”, afirmou Milena Braga Romano.

“A Eletra está se preparando para ser não apenas a maior e mais versátil montadora de ônibus elétrico da América Latina, mas líder global em transporte público sustentável”, concluiu a empresária.

Em seu discurso, Maria Beatriz Setti Braga, fundadora da Eletra, lembrou a história da família, que veio da Itália. “Eles encontraram oportunidades em São Bernardo que não tiveram na Europa, em 1877. Aos 11 anos, meu avô começou a história da família ao transportar os passageiros com cavalos. Hoje estamos no transporte elétrico limpo, e sempre o objetivo da nossa família foi gerar empregos”, comentou.

O presidente Lula também defendeu a produção nacional e alegou que prefere “fazer negócio com os brasileiros”, ao invés de comercializar com empresas estrangeiras. 

“A indústria brasileira já representou 30% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto hoje esse número chega a 10% ou 11%. Existem campanhas imensas que tentam destruir as empresas nacionais, e aí entra a importância do Estado. Cabe ao Estado garantir a sobrevivência da indústria brasileira para que a gente possa, um dia, ser competitivo com o Exterior. Se tivermos que comprar algo, vamos valorizar as empresas brasileiras, que geram emprego e renda no País e ajudam a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, finalizou o petista.

‘A UFABC era um sonho’, diz presidente

Antes de visitar a nova fábrica da Eletra, maior empresa de ônibus elétricos da América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve na UFABC (Universidade Federal do ABC), no campus São Bernardo, para inauguração de novo prédio na instituição. 

O Bloco Zeta possui 22 laboratórios de pesquisa científica e inovação tecnológica e irá beneficiar quase 5.000 alunos dos cursos de graduação, pós e pesquisa. 

Em evento aberto aos estudantes da universidade, Lula disse que a construção da “UFABC era um sonho” – a instituição foi planejada e criada durante o seu primeiro mandato. 

“Não conseguia entender como a região mais industrializada do Brasil, que tinha uma parte da classe trabalhadora mais bem formada do País, não tinha acesso a uma universidade federal. Não existe nenhuma experiência no mundo de um País que cresceu e se desenvolveu sem antes investir na educação. Quem estuda tem mais chance de ter um emprego que dá autonomia e dignidade na vida”, destacou Lula.

O presidente foi à instituição acompanhado por uma comitiva de ministros, entre eles, Camilo Santana, da Educação; Fernando Haddad, da Fazenda; Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação; Márcio França, dos Portos e Aeroportos; e Luiz Marinho, do Trabalho, entre outros.

No palco, ao lado dos ministros, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), recebeu série de vaias dos estudantes durante todo o evento. 

INVESTIMENTOS

Lula defendeu que os recursos destinados à área da educação e da saúde devem ser considerados investimentos e não gastos. 

“Se a educação é a base de tudo, tomei a decisão de que, no nosso governo, quando se fala em fazer universidade, creche, escola, a gente não pode mais utilizar a palavra gasto. A palavra tem que ser investimento. Gasto é a gente pagar 13,75% ao ano de juro para o sistema financeiro”, comentou. “Isso é gasto. O restante é investimento”, afirmou o petista.




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