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Chinês desconstrói cineasta Vittorio De Sica


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

03/05/2003 | 18:12


Nada extraordinário que um diretor chinês escale como peça iconográfica de um filme seu a bicicleta, meio de transporte que forra as ruas da China comunista. Em levantamentos de 2001 – dois séculos depois de ter sido inventada pelo barão Karl von Drais –, estima-se que os chineses possuem 540 milhões de bicicletas. Esses astronômicos dados atraíram Wang Xiaoshuai, o diretor de Bicicletas de Pequim, filme que estreou em São Paulo na quinta-feira passada.

Xiaoshuai tem sua obra aqui lançada após a sagração no Festival de Berlim 2001, do qual saiu com o Grande Prêmio do Júri. Não teve problemas graves com a censura chinesa, coisa rara para um cineasta cuja arte é constantemente embargada num país de orientação doutrinária.

Parte de um projeto comprometido com as transformações sociais na Ásia, Bicicletas de Pequim remete logo ao clássico Ladrões de Bicicletas, item básico do neo-realismo italiano. Tal qual Ettore Scola, admirador auto-declarado do cineasta Vittorio De Sica, Xiaoshuai desconstrói conscientemente a influência exercida pelo clássico pós-Segunda Guerra em seu trabalho.

Há um jovem do interior fatigado pela vida sem horizonte do ruralismo. Parte para Pequim, abandona raízes e almeja mudanças. Na metrópole, arruma emprego de entregador, embora não possua a bicicleta necessária para o serviço. Seu patrão então lhe empresta uma bela mountain bike e o novo objetivo do recém-contratado é fazer uma poupança para ficar com a "magrelinha" do chefe. Certo dia, durante uma entrega, roubam-lhe a bicicleta. A conclusão desse conflito aponta para um conceito menos corruptível de sociabilização do que o adotado pelo comunismo oriental.



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Chinês desconstrói cineasta Vittorio De Sica

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

03/05/2003 | 18:12


Nada extraordinário que um diretor chinês escale como peça iconográfica de um filme seu a bicicleta, meio de transporte que forra as ruas da China comunista. Em levantamentos de 2001 – dois séculos depois de ter sido inventada pelo barão Karl von Drais –, estima-se que os chineses possuem 540 milhões de bicicletas. Esses astronômicos dados atraíram Wang Xiaoshuai, o diretor de Bicicletas de Pequim, filme que estreou em São Paulo na quinta-feira passada.

Xiaoshuai tem sua obra aqui lançada após a sagração no Festival de Berlim 2001, do qual saiu com o Grande Prêmio do Júri. Não teve problemas graves com a censura chinesa, coisa rara para um cineasta cuja arte é constantemente embargada num país de orientação doutrinária.

Parte de um projeto comprometido com as transformações sociais na Ásia, Bicicletas de Pequim remete logo ao clássico Ladrões de Bicicletas, item básico do neo-realismo italiano. Tal qual Ettore Scola, admirador auto-declarado do cineasta Vittorio De Sica, Xiaoshuai desconstrói conscientemente a influência exercida pelo clássico pós-Segunda Guerra em seu trabalho.

Há um jovem do interior fatigado pela vida sem horizonte do ruralismo. Parte para Pequim, abandona raízes e almeja mudanças. Na metrópole, arruma emprego de entregador, embora não possua a bicicleta necessária para o serviço. Seu patrão então lhe empresta uma bela mountain bike e o novo objetivo do recém-contratado é fazer uma poupança para ficar com a "magrelinha" do chefe. Certo dia, durante uma entrega, roubam-lhe a bicicleta. A conclusão desse conflito aponta para um conceito menos corruptível de sociabilização do que o adotado pelo comunismo oriental.

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