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30% declara ‘vereador’ como profissão


Miriam Gimenes
Roney Domingos
Do Diário do Grande ABC

08/04/2006 | 09:35


"Não existe político profissional, somente agente político", disse o geógrafo e economista François Bremaeker, coordenador de Articulação Político-Institucional do Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal). Ele estranhou o comportamento de 30% dos vereadores do Grande ABC que declararam "vereador" como sua principal ocupação. A opção lidera a lista, seguida por profissões convencionais de comerciante (12,26%), advogado (10,38%) e médico (9,43%) em um leque amplo o bastante para incluir até promotor de espetáculos e sacerdote.

Braemaker deixa claro que o cargo de político só pode ser considerado com a eleição, por não ter carteira assinada. "Eles se definirem assim é um vício de linguagem. Talvez por terem permanecido por muitos mandatos no cargo, resolveram se intitular assim", analisa. E completa: "Se não for eleito, ele é o quê: político desempregado? Isso não existe."

Já os parlamentares que dizem ser comerciantes (segundo lugar na lista de profissão da região), o fazem por serem conhecidos do eleitorado. Assim deduz Braemaker. "Assim como os advogados e médicos, que lidam diariamente com um grande número de pessoas. Fica mais fácil de ser votado", declara.

Quanto ao nível de escolaridade que, segundo os dados analisados aponta que 50,94% têm ensino superior, o geógrafo diz que é resultado da estrutura dos municípios da região. "O ABC tem cidades de grande porte e industrializadas, por isso requer um nível de qualificação maior de sua população." Segundo ele, isso não é visto, por exemplo, em regiões onde a atividade agrícola é predominante. "Lá não existe a importância de instrução", completa.

No entanto, Bremaeker ressalta que a escolaridade não basta para que o parlamentar desempenhe um bom trabalho para o município. "Tudo depende da formação e da experiência que as pessoas têm. Quando o político é macaco velho, tem mais ciência do que pode ou não ser feito", explica. Segundo o especialista, os marinheiros de primeira viagem querem mostrar serviço e se atropelam nas ações que, muitas vezes, são consideradas inconstitucionais.

  

Partidos - A força dos sindicatos, para o geógrafo, é determinante na predominância do Partido dos Trabalhadores no Grande ABC. "Tanto que, no estado de São Paulo, o partido que lidera é o PSDB, com 18.61%. O PT só tem 8,26%", completa. Segundo ele, o fato de existirem muitas indústrias no ABC faz com que a categoria tenha mais representatividade. "Outro ponto é que a região tem um perfil diferente, por ser mais politizada que o restante do estado." O PSDB tem 15,09% de vereadores na região, seguido pelo PV (8.49%). O PMDB, predominante no Censo Nacional (16.7%), tem apenas 6.%.

Em cinco dos sete municípios da região, a predominância de partido corresponde ao mesmo que o do prefeito. Para Bremaeker, essa realidade é reflexo do que acontece hoje no Brasil. "As pessoas votam em um prefeito e também nos vereadores que o apóiam. Além disso, também é eleita toda a coligação", explica. O geógrafo destaca que são raras as vezes que um chefe do Executivo tem minoria em seu município. "Na verdade não sei citar nenhum exemplo."

Machismo? - Bremaeker não acredita que o baixo número de mulheres nos legislativos do ABC seja resultado de uma sociedade machista. "De um modo geral, 30% de vagas são reservadas a elas, mas nem sempre são preenchidas porque também não há vontade delas de entrar no meio político."

Segundo o coordenador do IBAM, se as mulheres resolvessem se empenhar, certamente teriam destaque no setor. "Por ter característica sindical, era mais fácil ter muito mais homens", completa. O ABC é composto por 89,6% de homens (95) e 10,37% de mulheres (11).



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