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Rio Grande quer shiitake em grande escala


Márcia Pinna Raspanti e Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

01/05/2005 | 17:52


A Prefeitura de Rio Grande da Serra quer atrair grandes empresários para investir na cultura de shiitake, um cogumelo de origem asiática que começou a ser cultivado no município em 2003, de maneira artesanal. Os planos da administração, no entanto, são vistos com desconfiança pelos pequenos produtores, que temem ser esmagados pelo peso da concorrência.

A capacidade atual é de mil quilos por semana, porém a produção alcança apenas 400 quilos. O trabalho é dez produtores – moradores da cidade que trabalham com ajuda da família em suas próprias chácaras – que fornecem shiitake para restaurantes e supermercados do Grande ABC e de São Paulo.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Sebastião Carlos dos Santos, afirma que a produção é pequena em relação à procura. “Se produzíssemos dez vezes mais, estaria tudo vendido.” Por conta disso, ele acredita que somente a entrada de empresários de fora da cidade, com recursos para investir, poderá aumentar a produção.

“Os produtores já alcançaram sua produtividade máxima. Não há mais como crescer. Para nos firmarmos como cidade do shiitake, temos de atrair gente de fora.” Para isso, Santos se reuniu com um grupo interessado em se estabelecer na cidade há cerca de 15 dias. Ele não acredita que a atuação de grandes empresários irá prejudicar os pequenos produtores. “Haverá geração de empregos e isso é importante para a cidade.”

No entanto, a movimentação do secretário desencadeou reação dos pequenos produtores, que discordam do argumento de que a entrada de grandes produtores vai abrir postos de trabalho, e cobram apoio para capacitar mão-de-obra e promover a cultura local do shiitake para além das fronteiras da região.

A professora Roseli Rocha, que aprendeu a técnica de cultivo com amigos, contesta o secretário. “Os empresários irão despejar toneladas de produto no mercado, derrubar os preços e acabar com o nosso negócio. O que precisaria ser feito é apoiar os pequenos e capacitar mais gente para começar a produzir.”

Roseli, que produz dez quilos de shiitake por semana, cobra da prefeitura apoio efetivo aos produtores para que a cidade se torne uma referência, inclusive gastronômica. “Precisamos de um calendário de eventos para divulgar o produto.”

O shiitake entrou na história de Rio Grande da Serra por meio de um programa da antiga administração, que promoveu cursos para capacitar os moradores mais carentes. Das 30 pessoas que fizeram o curso, apenas uma continua no negócio. Os outros produtores aprenderam a técnica de cultivo por conta própria.

A prefeitura suspendeu os cursos de cultivo do shiitake neste ano, encerrando um programa cujo objetivo era oferecer alternativa de renda aos moradores, compatível com questões ambientais, já que o município está em área de mananciais.

O secretário, no entanto, afirma que os pequenos produtores poderão contar com ajuda municipal, porém ainda não sabe quando isso irá ocorrer. “Vamos fornecer transporte para trazer as toras (em que se cultiva o cogumelo), cuidar do marketing e ainda nos encarregar dos locais para exposição e venda do produto.” No entanto, não há previsão de volta dos cursos.

O produtor José Roberto Simplício, 59 anos, também reclama da falta de apoio. Ele participou do curso, em 2003, mas não recebeu nenhuma tora da prefeitura para começar o negócio, nem qualquer outra ajuda. Com suas economias comprou 500 toras. Hoje, são cinco mil. Por semana, produz dez quilos de cogumelo, vendido a atravessadores.

Segundo Simplício, o produto é revendido pelo dobro do preço a restaurantes da região e a supermercados. “Quero melhorar minha produção. Trocar toras de eucalipto por de carvalho. Assim consigo preço maior na venda do cogumelo.”


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Rio Grande quer shiitake em grande escala

Márcia Pinna Raspanti e Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

01/05/2005 | 17:52


A Prefeitura de Rio Grande da Serra quer atrair grandes empresários para investir na cultura de shiitake, um cogumelo de origem asiática que começou a ser cultivado no município em 2003, de maneira artesanal. Os planos da administração, no entanto, são vistos com desconfiança pelos pequenos produtores, que temem ser esmagados pelo peso da concorrência.

A capacidade atual é de mil quilos por semana, porém a produção alcança apenas 400 quilos. O trabalho é dez produtores – moradores da cidade que trabalham com ajuda da família em suas próprias chácaras – que fornecem shiitake para restaurantes e supermercados do Grande ABC e de São Paulo.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Sebastião Carlos dos Santos, afirma que a produção é pequena em relação à procura. “Se produzíssemos dez vezes mais, estaria tudo vendido.” Por conta disso, ele acredita que somente a entrada de empresários de fora da cidade, com recursos para investir, poderá aumentar a produção.

“Os produtores já alcançaram sua produtividade máxima. Não há mais como crescer. Para nos firmarmos como cidade do shiitake, temos de atrair gente de fora.” Para isso, Santos se reuniu com um grupo interessado em se estabelecer na cidade há cerca de 15 dias. Ele não acredita que a atuação de grandes empresários irá prejudicar os pequenos produtores. “Haverá geração de empregos e isso é importante para a cidade.”

No entanto, a movimentação do secretário desencadeou reação dos pequenos produtores, que discordam do argumento de que a entrada de grandes produtores vai abrir postos de trabalho, e cobram apoio para capacitar mão-de-obra e promover a cultura local do shiitake para além das fronteiras da região.

A professora Roseli Rocha, que aprendeu a técnica de cultivo com amigos, contesta o secretário. “Os empresários irão despejar toneladas de produto no mercado, derrubar os preços e acabar com o nosso negócio. O que precisaria ser feito é apoiar os pequenos e capacitar mais gente para começar a produzir.”

Roseli, que produz dez quilos de shiitake por semana, cobra da prefeitura apoio efetivo aos produtores para que a cidade se torne uma referência, inclusive gastronômica. “Precisamos de um calendário de eventos para divulgar o produto.”

O shiitake entrou na história de Rio Grande da Serra por meio de um programa da antiga administração, que promoveu cursos para capacitar os moradores mais carentes. Das 30 pessoas que fizeram o curso, apenas uma continua no negócio. Os outros produtores aprenderam a técnica de cultivo por conta própria.

A prefeitura suspendeu os cursos de cultivo do shiitake neste ano, encerrando um programa cujo objetivo era oferecer alternativa de renda aos moradores, compatível com questões ambientais, já que o município está em área de mananciais.

O secretário, no entanto, afirma que os pequenos produtores poderão contar com ajuda municipal, porém ainda não sabe quando isso irá ocorrer. “Vamos fornecer transporte para trazer as toras (em que se cultiva o cogumelo), cuidar do marketing e ainda nos encarregar dos locais para exposição e venda do produto.” No entanto, não há previsão de volta dos cursos.

O produtor José Roberto Simplício, 59 anos, também reclama da falta de apoio. Ele participou do curso, em 2003, mas não recebeu nenhuma tora da prefeitura para começar o negócio, nem qualquer outra ajuda. Com suas economias comprou 500 toras. Hoje, são cinco mil. Por semana, produz dez quilos de cogumelo, vendido a atravessadores.

Segundo Simplício, o produto é revendido pelo dobro do preço a restaurantes da região e a supermercados. “Quero melhorar minha produção. Trocar toras de eucalipto por de carvalho. Assim consigo preço maior na venda do cogumelo.”

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