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Consumo moderado de álcool: bom ou ruim?
Por Antonio Carlos do Nascimento
24/04/2023 | 12:09
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São bem conhecidos os transtornos associados à dependência por drogas ilícitas, tais quais mutilação e/ou abreviação da vida de seus usuários, assim como destruição das relações e estruturas familiares. 

Contudo, essas resultantes supracitadas são verdadeiras também para a dependência alcóolica, que já fez, faz e fará, tristes mudanças em muitos destinos.

Por outro lado, durante décadas fomos bombardeados por inúmerosartigos científicos que nos afirmavam que beber moderadamente estava associado a melhor qualidade de vida e longevidade.

Um estudo revisional publicado em 31 de março deste ano no prestigiado JAMA (Jornal da Associação Médica Americana) Network Open, contesta este entendimento e constata que a metodologia de muitas daquelaspesquisas era falha e que o risco de evoluir para grande número de doenças aumentamesmo com ingestões alcóolicas aceitas como moderadas.

Os pesquisadores alegam, que as investigações anteriores falharam em reconhecer que os bebedores leves e moderados, possuem também uma vasta lista de hábitos saudáveis associados ao seu comportamento. Além do quê, os grupos de abstêmios usados como comparação, frequentemente contavam com ex- dependentes do álcool, que já haviam desenvolvido problemas de saúde.

Enquanto escrevia meu livro Vinho, Saúde e Longevidade (Editora Ideia e Ação), em 2004, questionava se o melhor perfil de saúde e longevidade associado ao consumo devinho não estaria mais relacionada aos bebedores que a bebida. Quase 20 anos depois,confesso não possuir essa resposta.

Porém, estou seguro de que o consumo de álcool não deva ser estimulado, entre outros motivos, porque sabemos que alguns perfis genéticos são mais propensos à dependência para esta substânciae não possuímos ferramentas para mapear tal suscetibilidade.

Aceito ainda, que a discutível proteção oferecida pelo vinho, caso ocorra, seja ofertada também por outras bebidas.

Mas, diante de um planeta extremamente complacente, receptivo e protetor das vontades e desejos individuais, permito-me, imaginando não ofender a ciência, consumir vinho moderadamente, enquanto aguardo novos estudos sobre o tema! 

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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