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Entrei de gaiato no navio...
Por Rodermil Pizzo
17/04/2023 | 14:59
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A convite parcial de um amigo – digo parcial, porque paguei, com desconto, porém paguei – participei de uma viagem a bordo do navio Costa Fascinosa, equipamento da Costa Cruzeiros, por quatro dias, neste mês de abril. Sendo a proposta interessante, e eu estando com disponibilidade de tempo, embarquei.

A viagem era temática, e de valores bastante exorbitantes, para os passageiros que pagaram, o que chamamos de tarifa cheia. Quando comparados com viagens no mesmo navio, mesmo período a bordo, em datas não temáticas, alguns casos, os valores pagos pelos embarcados era o dobro dos praticados pela mesma companhia.

Por ser um navio da Costa Cruzeiros, por ser um evento de alto custo e por ser um navio temático, as expectativas, obviamente, foram as maiores, o nível de exigência idem. Afinal, se considerarmos que com o mesmo valor pago nesta viagem de quatro dias, se faz um percurso de oito dias em outras saídas, o nível referencial também cresce.

Já me era de conhecimento que os navios estavam com manutenção precária e vários serviços comprometidos. Devido ao fato destes equipamentos marítimos terem sofrido com a pandemia, por dois longos anos, uma coluna alertando para esta situação já fora realizada em oportunidade anterior. Todavia, jamais havia me preparado para ver um navio com tantos problemas e com serviços deixando a desejar como os que presenciei.

Neste quesito, a empresa marítima Pullmantur, sabendo que para voltar ao mercado, pós-Covid, teria de investir muito em manutenção, tomou a decisão correta: encerrou em definitivo suas operações. Desta forma, respeitou e preservou o turista.

A Costa Cruzeiros optou por manter suas operações e confesso que valorizo isso, afinal a pandemia afetou duramente a todos – só não deveriam sacrificar tanto o passageiro.

O Navio Costa Fascinosa, nesta temporada, não está tão fascinoso. Cabines estavam com cheiro de bolor, se via carpetes desgastados em vários ambientes, chuveiros quebrados, tripulação cansada e mal humorada, alguns fios expostos, cadeiras de piscinas quebradas, enfim, por todos os lados que olhávamos, víamos pontos de falta de conservação, higiene e segurança.

O cardápio... Bem, sobre este item tenho de abrir um comentário paralelo, pois não consegui apurar se as refeições eram as ofertadas normalmente durante toda a temporada ou se criaram um cardápio diferenciado pago pelo contratante do evento.

Seja como for, o cardápio era ruim, comida fria, repetitiva, sem sabor, sem qualidade e, acima de tudo, manuseadas com descaso e sem aparência saudável.

Com relação ao evento, os organizadores investiram muito em shows e DJs de altíssima qualidade, e economizaram, muito, na segurança.

O organizador do evento conhece bem seu “público”, e sabe bem que são diferenciados e “festeiros” sem limites. Portanto, atenção a médicos, bombeiros e seguranças a bordo deveria ser prioridade máxima.

O embarque feito de forma superficial e sem controle permitiu que dentro do navio tropeçássemos em Sodoma e Gomorra.

Curiosamente, a turma do deixa disso – sai fora, vai para lá, sai daqui – funcionou, pois, entre tantos extremos, festas intermináveis, bebidas, consumos, sexo ao estilo “Woodstock”, não presenciei nenhuma briga física.

Uma coisa é certa. Se você quer ter uma experiência em vida sobre o inferno, pode embarcar. Sobre a experiência do céu, esta ficou devendo.

Ah! Antes que perguntem, a resposta é: sim, irei retornar no ano que vem.

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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