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Mercado se amplia para deficientes


Clarissa Cavalcanti
Do Diário do Grande ABC

04/09/2005 | 10:35


Para se adaptarem à legislação, empresas estão gerando vagas para portadores de deficiência no Grande ABC, mas têm dificuldades para preenchê-las devido à escassez, segundo argumentam, de mão-de-obra qualificada. De outro lado, associações de deficientes apontam a suposta pressa dos empresários para cumprir a lei, sem oferecer a essas pessoas condições adequadas de trabalho.

As empresas devem atender a chamada Lei de Cotas, que determina a inclusão de 2% a 5% – de acordo com o número total de empregados – de pessoas portadoras de deficiência no quadro de funcionários. A DRT-SP (Delegacia Regional do Trabalho do Estado de São Paulo) intensificou as ações de fiscalização e promete punir quem não cumprir a lei. "Estamos negociando e dando prazos para que os empresários comecem a contratar. Quem não cumprir a lei será multado", afirma o delegado regional do trabalho do Estado de São Paulo, Heiguiberto Guiba Navarro.

A chefe de fiscalização do trabalho no Estado de São Paulo, Lucíola Rodrigues Jaime afirma que a delegacia já convocou cerca de 5 mil companhias de todo o Estado, das quais 3.698 cumprem a lei – no ano passado eram 1.965. Nesse período, 136 receberam multas. O total de deficientes inseridos no mercado de trabalho (30.278) quase que dobrou de 2004 até julho deste ano, mas ainda é muito inferior aos cerca de 132 mil que deveriam estar trabalhando se todas as empresas cumprissem as cotas.

No Grande ABC, a fiscalização também avança. Em São Bernardo e Diadema, são 301 empresas com 100 ou mais empregados já convocadas e 4.638 deficientes empregados. Em Santo André e São Caetano, o número de empresas fiscalizadas é menor – foram chamadas apenas 31 de 261 companhias listadas.

Apesar de aumentar o número de empresas que cumprem a Lei de Cotas, entidades criticam os empresários. Para Maria Critis, supervisora de seleção e treinamento da Avape (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais), com sede em Santo André, há uma "correria" para atender a lei, mas a maioria das empresas não estaria preparada para receber os deficientes. "Algumas estão com projetos interessantes, mas são poucas que têm acessibilidade para receber o portador de deficiência", afirma. "As empresas fazem muitas exigências e não têm políticas de capacitação. Muitos deficientes não têm oportunidade de se qualificar", diz Antonio Carlos Munhoz, coordenador do instituto MID Para Participação Social de Pessoas com Deficiência de Santo André.

Empresas – Estimuladas pela a legislação, algumas companhias têm desenvolvido programas e investido para receber os deficientes. Uma das metas da indústria química Basf, com sede administrativa e fábrica em São Bernardo, é diversificar o quadro de funcionários, incluindo pessoas das chamadas "minorias". Para isso, tem ampliado a contratação de portadores de deficiência. Dos 3.500 funcionários de todas as seis unidades do Brasil, 106 têm alguma limitação física. Na unidade de São Bernardo, são 50 entre os 1.948 empregados.

O número está abaixo do estipulado pela lei, mas a empresa assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e deve ampliar as contratações, segundo o gerente de Recursos Humanos, Gilberto Nunes de Oliveira. "Fizemos um grande investimento em todas as unidades para receber essas pessoas. Mas às vezes falta gente qualificada e lugares com banco de dados (para recrutamento)."

A CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), de Ribeirão Pires, informa que contrata deficientes desde o início das operações, há 80 anos. Hoje, 40 entre os 950 funcionários têm alguma limitação física, principalmente auditiva. A gerente de Recursos Humanos Áurea Grigoletti diz sempre ter vagas abertas para deficientes, normalmente para a área de produção, mas muitas vezes não encontra profissionais capacitados.

A Bombril, com unidade em São Bernardo, começou a contratar deficientes há dois anos e ainda aprimora o programa de inclusão. No total, dos 1.617 funcionários da empresa em todo o Brasil, 40 são deficientes, dos quais 27 em São Bernardo. Como a maioria dos contratados tem problema auditivo, 75 funcionários da empresa foram treinados com a linguagem brasileira de sinais.

A fabricante de vidros automotivos Saint Gobain Security, de Mauá, desenvolveu há três meses um programa de "mapeamento" para identificar na empresa possíveis vagas para deficientes. Além disso, investiu em placas de identificação, rampas e outras adaptações físicas. Dos 800 funcionários, dois têm deficiência. Segundo a analista sênior de Recursos Humanos, Candice Ermel, a empresa está começando um processo de recrutamento e seleção e pretende ultrapassar os 4% de funcionários com deficiência que a lei determina.



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