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Basílica de São Pedro, sim! Basílica de Nossa Senhora Aparecida, não!
Por Rodermil Pizzo
05/04/2023 | 16:41
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Existem destinos, no Brasil e no mundo, que sempre são mencionados como rotas e ofertas, porém, a grande maioria dos brasileiros apenas ouviu falar ou leu sobre eles.

Quando se fala em férias, verão e lazer, o que vem à cabeça dos turistas, na sua maioria, são praia e sol.

É bem verdade que um país como o Brasil, com clima tropical e 7.500 quilômetros de costa e mar, não poderia ter outra conotação que não fosse essa. Está tudo certo!

Também devemos ressaltar que a mídia de massa associa praias como sendo paraísos terrenos, ou seja, um pedacinho do céu na terra. E quem não quer estar em um lugar paradisíaco?

Com certeza, esta influência diz muito sobre o pouco desenvolvimento turístico do Centro do Brasil ou mesmo da parte Norte, que não são margeados por água salgada e coqueiros.

A decisão de viajar, e para onde viajar, sempre recebe milhares de informações e imagens externas para a tomada de decisões.

Todos os brasileiros já ouviram, por exemplo, falar de cidades históricas mineiras como sendo o grande conglomerado de obras barrocas de Aleijadinho. Se considerarmos que o Brasil é um dos maiores celeiros católicos do mundo, deveríamos ter milhões de turistas por ano nestas cidades que compõe este destino turístico.

Alguém pode até contestar e dizer que a cidade de Aparecida, berço de Nossa Senhora Aparecida, também com turismo religioso católico, recebe 12 milhões de turistas por ano. E é verdade, recebe mesmo!

Então, qual seria o motivo de Aparecida lograr milhões de visitantes e as cidades históricas mineiras, com o mesmo apelo, não?

Simples, Aparecida necessita apenas de um dia para visitar, ou seja, pouco investimento e tempo. Já com relação às cidades históricas mineiras, necessitamos investir um número maior de dias e valores.

Vejam, uma viagem para as praias nordestinas recebe o investimento e tempo do turista entre cinco e oito dias.

Então, para esclarecer e resumir, a praia, que, de modo geral, oferece água salgada, areia, quiosque e sol necessita de um tempo maior para conhecer; já as obras, a cultura e o aprendizado podem contar com apenas um dia do nosso rico e escasso tempo.

Resumindo, turismo religioso, sim. Desde que eu não invista nada de minhas férias ou meus feriados, tudo bem.

Notem, a maioria dos turistas paulistas nunca visitou o MAS SP (Museu de Arte Sacra de São Paulo). Todavia, todos os paulistanos que foram a Roma, na Itália, entram e saem de igrejas o tempo todo.

Enquanto a grama cultural do vizinho for mais apetitosa que a nossa, teremos um povo que recebe do trade o que deseja.

Faço constar que não se trata de crítica e sim de observação, pois cada um faz com o seu tempo e o seu dinheiro o que quiser. Apenas não temos o direito de reclamar antes, duramente e depois. Simples assim!

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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