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Veja os sinais e fase ideal para iniciar tratamento de autismo

Hiperfoco, sensibilidade aos sons e comunicação não-verbal são algumas características que diagnosticam TEA

Beatriz Mirelle
28/03/2023 | 06:08
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Gabriel Campos aproveita o tempo livre para brincar com carrinhos, um dos itens que mais gosta; a mãe Cibele destaca a sensibilidade e empatia do garoto (Foto: Celso Luiz/DGABC)


O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, que o diagnóstico pode ser obtido logo na infância. Os sinais variam e são notados nas habilidades sociais e cognitivas da pessoa, desde a comunicação, interação e maneira de enxergar o mundo. Junto com as etapas de desenvolvimento de uma criança, o olhar atento para algumas características é fundamental para que a resposta sobre TEA (Transtorno do Espectro Autista) chegue mais cedo, assim como o início do tratamento.

Para a jornalista Cibele Gallinucci Campos, 38, o resultado do filho chegou quando o menino tinha 2 anos. Antes do diagnóstico se confirmar, algumas características já eram percebidas pela família. “Teve um Ano-Novo que, quando soltaram fogos de artifício, o Gabriel se desesperou e chorou muito”, relembra. “Ele demorou para começar a falar e não gosta de contato físico. Tem costume de enfileirar os carrinhos e nas ocasiões em que está eufórico, bate as mãozinhas ou pula.”

De acordo com a psicóloga Bruna Rodrigues, fundadora do Instituto Diferente Mente e do projeto Psicologia em Ação, cada pessoa terá uma característica pontual. “Ter autismo não significa apresentar todos os sintomas. O diagnóstico é feito com uma equipe multidisciplinar (psicólogo, neuropediatra e neuropsicólogo) e baseado em uma série de informações levantadas sobre a pessoa. Com o acompanhamento clínico, é realizado mapeamento e avaliação e, posteriormente, os especialistas recomendam as intervenções.”

O TEA é dividido em três níveis, que correspondem a necessidade de suporte que cada pessoa precisará para realizar atividades diárias. São eles: nível um (leve, menor suporte), nível dois (suporte moderado) e nível três (casos severos).

Segundo Cibele, o filho de 8 anos possui outras características decorrentes do TEA, como resistência a mudanças de rotina e hiperfoco. “Durante a pandemia, ele estranhava que eu passava as lições ao invés da professora. Isso dificultou”, recorda. “Ele tem hiperfoco em carros, caminhões, ônibus e outros meios de transporte. Agora está com interesse pela polícia. Ele ouve todos os hinos policiais de todos os Estados brasileiros.”

Em 2019, Cibele criou a página Espalhando Amor - Autista para compartilhar relatos da rotina como mãe de uma criança com TEA. “Através do perfil, aprendi muito sobre esse universo. Comecei a ter contato com outras famílias, de crianças com autismo e deficiência visual, motora, entre outras. Eu sempre tive uma rede de apoio e isso se expandiu”, comenta. “Toda mãe quer que seus filhos tenham acesso à políticas públicas que os contemplem e os façam crescer com dignidade. Lutamos diariamente para isso”, declara. Esta é a primeira de uma série que o Diário publicará até o próximo domingo (2) para conscientização sobre autismo. Nela, relatos de famílias e comentários de especialistas serão contemplados a respeito de rotinas de pessoas que convivem com o TEA.

COMUNIDADE REALIZA CAMINHADA DE CONSCIENTIZAÇÃO
A Comunidade da Pessoa com Deficiência de São Caetano, organização da sociedade civil, realizará a 2º caminhada do Dia Mundial da Conscientização do Autismo neste domingo (2), a partir das 9h30. A concentração será na frente do Parque Cidade das Crianças, na Avenida Presidente Kennedy, e caminhará até a Praça dos Imigrantes. A organização aconselha o uso de roupa azul para participar.

“Em 2022, São Paulo fez uma caminhada. A maioria das mães estava interessada em participar, mas todas têm filhos com deficiência, com autismo muitas vezes severo. Por isso, seria difícil ir à Capital. Decidimos, então, criar uma aqui em São Caetano”, disse Camila Oliva, 39, mãe de uma criança de 3 anos com deficiência e uma das organizadoras do evento. Na primeira edição da caminhada sul-caetanense, ao menos 300 pessoas participaram, de acordo com ela. A comunidade é composta por pais, amigos e familiares de PCDs (Pessoas com Deficiência) da região. Com isso, eles conseguem ter um espaço para discutir problemas, melhorias e outras iniciativas na cidade.

“Por exemplo, quando uma criança sofre bullying por conta da sua deficiência, montamos ações e tentamos fazer na escola ou, pelo menos, nas redes sociais para chegar a outros pais”, afirmou. Na ação do próximo domingo, Camila reforça o propósito de levar mais informações sobre TEA (Transtorno do Espectro Autista) para pessoas que não possuem tanto contato com essa realidade. “As famílias já sabem. Entendemos porque faz parte da nossa rotina. Queremos que as pessoas observem uma pessoa com autismo no restaurante ou escola e não julgue. Não reproduza preconceitos”, disse.

Para ela, expandir a divulgação sobre o tema aumenta a compreensão e naturaliza as diferenças. “Assim, nossos filhos não passarão por situações vexatórias e nós não sofreremos com isso”, afirmou. “A escolha da cor é porque o azul simboliza o espectro autista. (A caminhada) É para ser algo simples, mas eficaz e significativo. A meta é que, neste período, São Caetano tenha os olhos voltados para a conscientização”, finalizou.




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