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Ozempic: questões de somenos e as outras!
Por Antonio Carlos do Nascimento
27/03/2023 | 08:00
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O medicamento Semaglutida, mundialmente conhecido por seu nome comercial Ozempic, nunca circulou com modéstia por receituários, farmácias e seus usuários. Ganhou prestígio nas prescrições pela inovadora comodidade da aplicação semanal, filtrou seu público consumidor pelo seu alto preço, enquanto seus excepcionais resultados, especialmente no que se relaciona à perda de peso, o faz assunto recorrente em todas as mídias.

Tal qual a Liraglutida, fármaco também injetável do qual derivou, inicialmente teve aprovação pelas agências reguladoras para o tratamento de pacientes diabéticos tipo 2 (DM2), para em pouco tempo, após as conclusões dos estudos, ser aprovado para tratar a obesidade (OB).

Se a Liraglutida, quando recomendada para o DM2 (Victoza) possui dose otimizada 1,8 mg ao dia e para o tratamento da OB (Saxenda) alcança 3,0 mg, também para Semaglutida as doses preconizadas são distintas, 1 mg uma vez por semana para o DM2 (Ozempic) e 2,4 mg para OB (Wegovy).

Imaginar o paciente obeso/diabético como única indicação inequívoca para o uso destas caríssimas medicações demonstra inocência e total desconhecimento da fisiopatologia do DM2, pois, a maior parte destes diabéticos deriva de desconfortos metabólicos gerados pela OB. Em outras palavras, tratar a OB é evitar DM2 para substancial contingente.

Mais inoportuno ainda é contestar o uso do Victoza ou Ozempic no tratamento da OB, como se o nome fantasia fosse capaz de modificar as características terapêuticas de Liraglutida ou Semaglutida.

Assim como é descabido condenar o medicamento em suas indicações porque a artista famosa e obesa revelou utilizá-lo, ou pelo fato do apresentador do Oscar hollywoodiano tê-lo citado como suposta alternativa para a elegância corporal.

As demandas realmente importantes acerca do uso de Semaglutida, e seus pares de mesma classe farmacológica, envolvem seu preço inacessível para a imensa maioria de obesos e diabéticos brasileiros, assim como, ser comercializado sem prescrição médica, ou qualquer restrição, nos balcões de drogarias pelo país afora.

O restante é questão de somenos!

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia. 




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