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Como entender o turista brasileiro?
Por Rodermil Pizzo
06/03/2023 | 16:40
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Pela milionésima vez, os turistas brasileiros, dentro do negacionismo e no contrafluxo das previsões climáticas, foram ao encontro das tempestades e em busca das chuvas torrenciais.

A irresponsabilidade e a negligencia dos viajantes são surpreendentes quando se trata de feriados prolongados. A diversão acima de qualquer razão, coloca tudo e todos em risco. Recordemos o caso de Capitólio.

Mesmo sabendo que todos os anos, as chuvas atingem normalmente a costa verde do Brasil – e por isto é verde, porque tem muita água. Não são novidades os deslizamentos de encostas encharcadas. O que ocorreu em várias regiões do Litoral paulista, seja na orla Sul ou na castigada orla Norte, já estava previsto e anunciado pelas previsões.

Uma situação distinta é o morador estar no local no momento do acidente, já que residir em morros e encostas, na maioria dos casos, não é opção e sim última alternativa. Outra situação é o turista buscar áreas de risco para se divertir, e ainda levar a família e amigos para tamanha exposição a catástrofe.

Uma imagem que chocou a todos, e comprova cabalmente tal situação, foi a dos turistas que, no dia posterior a tamanha tragédia de mortos e desabrigados, aproveitaram um descuido da aparição do Sol e foram à praia para se divertir.

Há alguns anos, uma modelo brasileira foi até os EUA e fez fotos sensuais, usando como pano de fundo toda desgraça causada pelo furacão que devastou a região.

Na época, brasileiros achovalharam a tal modelo e ficaram perplexos com a falta de empatia da mesma. Os mesmos brasileiros que a condenaram estavam, neste Carnaval, nas praias ao lado de entulhos, lixo e, por que não?, até corpos sem vida.

O lazer, as viagens de férias e feriado não estão sendo condenados. Pelo contrário. Sou um grande difusor e defensor da necessidade de investimentos público e privado para o turismo brasileiro, porém não posso me permitir ficar isento diante de um desrespeito à ciência, que previa tamanha tempestade, à vida humana e ao sentimento de perda dos habitantes destas áreas.

Turismo com responsabilidade já foi tema de várias de minhas colunas. Enquanto fizermos o turismo sem sensatez e sem planejamento adequado, sempre teremos perdas.

A costa verde do Litoral paulista, Sul e Norte, é linda, digna de cartão-postal e merece visitação e permanência pelos turistas. Todavia, negligenciar os momentos adequados de visitar o local é sim uma irresponsabilidade.

Quando alertas de furacões e tempestades são emitidos em alguns países da América do Norte, Ásia ou Europa, os cidadãos se previnem, juntam suas famílias e migram para regiões sem risco. No Brasil, fazemos o contrafluxo, descemos a serra e desacreditamos nas previsões meteorológicas e usamos o bordão para justificar: se Deus quiser, nada vai nos acontecer.

Você não ajuda a Deus a lhe ajudar. Fica difícil lhe defender.

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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