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Segurança no trabalho é deficiente no Grande ABC


Michele Loureiro
Do Diário do Grande ABC

25/05/2009 | 07:00


Nos primeiros quatro meses deste ano, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) concedeu 3.203 benefícios de auxílio-doença em decorrência de acidentes de trabalho na região. São Bernardo, que concentra a maioria das montadoras - Volkswagen, Scania, Mercedes-Benz e Ford -, lidera o rankig com 1.018 ocorrências.

Para o diretor de Saúde e Meio Ambiente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Mauro Soares, as condições de segurança são falhas na região. "Menos de 2% das máquinas e equipamentos das montadoras são protegidas com sistema de segurança adequado no Grande ABC", afirmou.

O perfil de boa parte dos metalúrgicos acidentados na região concentra jovens entre 18 e 25 anos, que na maioria das vezes sofrem acidentes nas mãos. "São cortes e em alguns casos há amputação de dedos. Isso acaba com a vida profissional do trabalhador, sem contar nos traumas psicológicos imensuráveis", destacou o diretor.

O exemplo do funcionário da GM (General Motors) de São José dos Campos, que morreu, na semana passada, ao ser atingido por uma máquina de 700 quilos enquanto trabalhava, preocupa o diretor.

Para ele, os "pequenos acidentes" são indicativos de que algo vai errado com a segurança. "As montadoras não costumam dar atenção aos cortes e lesões leves, mas eles são indicativos de que algo maior e catastrófico está prestes a acontecer, como no caso da GM", explicou Soares.

Um dos principais problemas, que segundo o diretor poderia ser solucionado sem altos investimentos, é a demarcação de tráfego de empilhadeiras. "Temos inúmeros casos de trabalhadores atropelados pelas máquinas. Isso poderia ser corrigido com a instalação de faixas especiais", declarou.

Soares afirmou que algumas empresas chegam a procurar o sindicato para tentar se adequar às normas de segurança, mas são raras exceções. "A fiscalização é falha. Somos regidos por normas do Ministério do Trabalho e Emprego e da vigilância sanitária de cada município; mesmo assim, falta eficiência nesse processo", declarou.

A vigilância sanitária dos municípios de São Bernardo e São Caetano, cidades que sediam as montadoras na região, declararam que o sistema funciona por denúncias. Ou seja, é preciso que haja acidentes para que seja realizada a fiscalização.

Pressão - Para Maria Maeno, médica e pesquisadora da Fundacentro - entidade governamental que atua em pesquisa científica e tecnológica relacionada à segurança e saúde dos trabalhadores -, a exigência por aumento de produção provoca a maioria dos acidentes.

"Mesmo sendo incostitucional, muitas empresas desativam as normas de segurança para acelerar a produção. O trabalhador fica encurralado entre a segurança e a garantia de emprego", explicou.

A pesquisadora afirmou que, em tempos de crise, a pressão aumenta. "Com a onda de demissões, o trabalho continua o mesmo. É preciso dar conta da produção e a proteção no ambiente de trabalho acaba ficando em segundo plano", finalizou. (Colaborou Bárbara Ladeia)



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Segurança no trabalho é deficiente no Grande ABC

Michele Loureiro
Do Diário do Grande ABC

25/05/2009 | 07:00


Nos primeiros quatro meses deste ano, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) concedeu 3.203 benefícios de auxílio-doença em decorrência de acidentes de trabalho na região. São Bernardo, que concentra a maioria das montadoras - Volkswagen, Scania, Mercedes-Benz e Ford -, lidera o rankig com 1.018 ocorrências.

Para o diretor de Saúde e Meio Ambiente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Mauro Soares, as condições de segurança são falhas na região. "Menos de 2% das máquinas e equipamentos das montadoras são protegidas com sistema de segurança adequado no Grande ABC", afirmou.

O perfil de boa parte dos metalúrgicos acidentados na região concentra jovens entre 18 e 25 anos, que na maioria das vezes sofrem acidentes nas mãos. "São cortes e em alguns casos há amputação de dedos. Isso acaba com a vida profissional do trabalhador, sem contar nos traumas psicológicos imensuráveis", destacou o diretor.

O exemplo do funcionário da GM (General Motors) de São José dos Campos, que morreu, na semana passada, ao ser atingido por uma máquina de 700 quilos enquanto trabalhava, preocupa o diretor.

Para ele, os "pequenos acidentes" são indicativos de que algo vai errado com a segurança. "As montadoras não costumam dar atenção aos cortes e lesões leves, mas eles são indicativos de que algo maior e catastrófico está prestes a acontecer, como no caso da GM", explicou Soares.

Um dos principais problemas, que segundo o diretor poderia ser solucionado sem altos investimentos, é a demarcação de tráfego de empilhadeiras. "Temos inúmeros casos de trabalhadores atropelados pelas máquinas. Isso poderia ser corrigido com a instalação de faixas especiais", declarou.

Soares afirmou que algumas empresas chegam a procurar o sindicato para tentar se adequar às normas de segurança, mas são raras exceções. "A fiscalização é falha. Somos regidos por normas do Ministério do Trabalho e Emprego e da vigilância sanitária de cada município; mesmo assim, falta eficiência nesse processo", declarou.

A vigilância sanitária dos municípios de São Bernardo e São Caetano, cidades que sediam as montadoras na região, declararam que o sistema funciona por denúncias. Ou seja, é preciso que haja acidentes para que seja realizada a fiscalização.

Pressão - Para Maria Maeno, médica e pesquisadora da Fundacentro - entidade governamental que atua em pesquisa científica e tecnológica relacionada à segurança e saúde dos trabalhadores -, a exigência por aumento de produção provoca a maioria dos acidentes.

"Mesmo sendo incostitucional, muitas empresas desativam as normas de segurança para acelerar a produção. O trabalhador fica encurralado entre a segurança e a garantia de emprego", explicou.

A pesquisadora afirmou que, em tempos de crise, a pressão aumenta. "Com a onda de demissões, o trabalho continua o mesmo. É preciso dar conta da produção e a proteção no ambiente de trabalho acaba ficando em segundo plano", finalizou. (Colaborou Bárbara Ladeia)

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