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Carandiru, o desfecho
Do Diário do Grande ABC
18/01/2023 | 09:10
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Dois de outubro de 1992. Mais de 30 anos depois que policiais militares entraram na Casa de Detenção de São Paulo, no Carandiru, para conter uma rebelião e só saíram de lá após matarem 111 presidiários, a sociedade brasileira ainda espera uma decisão sobre a responsabilidade pelo massacre. Entre idas e vindas, com direito a inúmeras reviravoltas, o processo se arrasta há três décadas, o que expõe a lentidão da Justiça brasileira. Agora, finalmente o caso se aproxima do desfecho. O assunto interessa especialmente ao Grande ABC porque um dos acusados segue dando as cartas na Secretaria de Segurança Urbana da Prefeitura de São Bernardo, comandada por Orlando Morando (PSDB).

Em 17 de novembro, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, reconheceu o trânsito em julgado de decisões que condenaram os 74 PMs envolvidos nas mortes e liberou-os para que iniciassem o cumprimento da pena de cadeia. Entre eles está o secretário de Segurança Urbana de São Bernardo, Carlos Alberto dos Santos (MDB). Enquanto se estipulava a dosimetria, ou seja, o período que cada um deverá passar nas celas, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) indultou os réus em 23 de dezembro – seis dias antes de deixar o cargo. Ontem, a presidente do STF, ministra Rosa Weber, suspendeu trecho do decreto relativo aos agentes que atuaram no massacre do Carandiru.

Com a manifestação da chefe do Poder Judiciário, Carlos Alberto dos Santos deve iniciar em breve o cumprimento de sua pena, o que submeterá os munícipes de São Bernardo ao constrangimento público de verem um de seus homens ilustres deixando o cargo na Prefeitura diretamente para trás das grades. O embaraço poderia ser evitado caso Orlando Morando, consciente de que a detenção de seu braço-direito na área da segurança é iminente, afastasse o auxiliar condenado de suas funções. Mas, ao que tudo indica, o prefeito optou por manter o aliado ao seu lado até o último momento. Ao menos se espera que, após tanto tempo de espera, este seja o derradeiro capítulo desta triste história.




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