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Camboriú está doente! Diagnóstico? Síndrome de Dubai
Por Rodermil Pizzo
11/01/2023 | 16:47
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Recordo-me, claramente, quando os turistas visitavam o famoso Vale do Itajaí.

Saíamos de ônibus de São Paulo com destino a Camboriú, cidade em que apenas nos hospedávamos. De lá fazíamos os pontos turísticos da região e cidades próximas.

Camboriú era, na verdade, uma cidade dormitório sem atrativos e sem sol na pequena faixa de areia – retomarei esse assunto no texto “Sol na praia”, a ser publicado.

Em cinco dias visitávamos Blumenau, Joinville e Pomerode e ainda sobrava tempo para um banho de mar, na praia de Joaquina, em Florianópolis.

Nos meses de outubro, a cidade de Camboriú hospedava os turistas fanfarrões da famosa Oktoberfest. O turista com melhor poder aquisitivo se hospedava em Blumenau e os demais, nas cidades circunvizinhas. A opção e plano B sempre fora o balneário. Este se tornava repouso para os foliões do chope.

Uma das maiores frustrações e espanto dos turistas com relação à ocupação desordenada de Camboriú sempre fora o fato de as construções na orla, com no máximo dez a doze andares, na época, fazerem sombra na pequena faixa de areia, logo após as 14h; ou seja, sol e praia somente de manhã. Resumindo, Camboriú não servia para turista que queria se banhar e se bronzear e tampouco servia para passeios; afinal, o balneário não apresentava atrativos turísticos significativos.

Uma curiosidade: os preços dos produtos e serviços no balneário eram expostos e fixados tanto em reais quanto em dólares. Sim, isso mesmo, o comércio se permitia apresentar os valores nas duas moedas, tudo isso em virtude do número excessivo de argentinos e uruguaios que frequentavam os hotéis, lojas e restaurantes.

Tudo caminhava mornamente até que surge um ator, fazendeiro, dono de circo ou sei lá exatamente o que ele era. Beto Carreiro, uma figura enigmática, que ninguém sabia – e, curiosamente, sabe até hoje – como e de onde surgiu.

Este personagem criou um parque temático na região de Penha, muito próximo ao balneário. Rumores falavam que o parque era do apresentador Gugu Liberato, já falecido. Outros falavam que era de políticos influentes. Enfim, já tínhamos fake news antes do advento das fake news.

Eu estava na inauguração do parque. Na época atuava como guia de turismo de uma grande operadora de viagens. Minha mente jamais apagará a cena de quatro ônibus de excursionistas no parque, um da Costa Viagens, um da Aritana Turismo, um da Carisma Tur e outro da CVC Viagens.

Fazia muito frio e chuva, os turistas eram recepcionados pelo próprio Beto Carreiro. Alguns diziam que era um sósia, outro assunto sobre o qual jamais saberemos a verdade, juntamente com seu também famoso cavalo Faísca.

O estalo do chicote, ao estilo “sadomasoquismo”, causava uma sensação curiosa de medo e diversão.

O parque nesta época era tão pequeno e desestruturado que ganhou o apelido carinhoso de “Beto Barreiro”.

A fila andou por anos, e o personagem Beto Carreiro, assim como surgiu do nada, faleceu repentinamente e deixou o legado – o cavalo Faísca também morreu. Aqui faço uma observação: na época, a morte do Faísca chamou mais a atenção da mídia do que a morte do próprio Beto.

O parque se tornou um grande negócio, logrando até mesmo mudar o nome do destino turístico, que passou de Vale do Itajaí para Camboriú com Beto Carreiro.

Cidades como Blumenau, Itajaí, Pomerode e Itapema foram banidas das visitações e o destino se reformulou.

As estradas que levavam os clientes a Santa Catarina eram chamadas de estrada da morte, nada agradável para alguém que iria se colocar em um ônibus repleto de passageiros e percorrer 12 horas pela noite adentro entre caminhões e pistas duplas.

Todavia, o destino seguia firme e forte entre os preferidos pelos viajantes.

Uma nova etapa se consolida para alegria dos turistas. As companhias aéreas passam a operar com maior número de voos diários para a cidade de Navegantes, e isso motiva ainda mais o turismo para a região. Afinal, a estrada, hoje duplicada e bem segura em sua maior parte, não é mais o problema para chegar ao destino.

(Continua...)

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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