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Documentário lança luzes sobre as origens da Bossa


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

06/09/2005 | 08:11


O barquinho singrou pelas águas do Rio, a tardinha caiu e já se passaram quase 50 anos do surgimento da bossa nova, movimento que mudou em definitivo o panorama da música popular brasileira. Para resgatar a importância da turma do banquinho e do violão, nada melhor que o documentário Coisa Mais Linda– Histórias e Casos da Bossa Nova, do cineasta e roteirista mineiro Paulo Thiago (Policarpo Quaresma – Herói do Brasil).

No longa-metragem, que estreou nos cinemas sexta-feira passada (dia 2), é evidente a opção do diretor por uma narrativa leve, conduzida pelos músicos Carlos Lyra e Roberto Menescal, que também assinam a produção. Os músicos são guias de uma viagem musical e histórica que leva o espectador à zona sul carioca da década de 50, quando o país vivia tempos de otimismo e a violência ainda não havia se transformado no câncer social que é hoje.

Lyra e Menescal falam sobre o início da parceria entre Tom Jobim e Vinicius de Moraes, o sucesso da bossa nova nos Estados Unidos (que culminou com a antológica apresentação, em 1962, no Carnegie Hall, em Nova York), entre outros momentos importantes, ilustrados por farto material de arquivo, um dos méritos do documentário.

Também não faltam depoimentos de personagens ilustres do movimento. Pessoas que, vivas e, muitas, ainda atuantes, não recebem o devido reconhecimento por parte do mercado fonográfico. Esse é o caso de Johnny Alf (considerado pelos músicos como um dos precursores da bossa nova), Billy Blanco, Alaíde Costa, João Donato, Sérgio Ricardo, Leny Andrade e Oscar Castro Neves, além de um emocionado Paulo Jobim, filho de Tom, que relembra passagens da convivência com o pai.

O espectador também é contemplado com outras histórias saborosas contadas por Menescal. Segundo ele, o jeito de cantar quase sussurrado dos intérpretes da bossa nova é uma herança das reuniões musicais realizadas em apartamentos, que aconteciam com freqüência naquela época. Como recebiam diversas reclamações dos vizinhos por conta do barulho, os cantores acabaram se acostumando a cantar bem baixinho.

Histórias – Outra história curiosa é a do processo de criação de O Barquinho, clássico de Menescal. A música foi inspirada no ronco de um motor de um barco que quase naufragou, num dos inúmeros passeios que a turma fazia pelo litoral fluminense.

Para os que cultivam um interesse mais profundo por música, Coisa Mais Linda, título retirado de outra parceria inesquecível de Lyra com Vinicius, é um prato cheio. Os diferentes estilos dos violonistas da bossa nova são explicados com riqueza de detalhes, com destaque para a batida revolucionária criada por João Gilberto. Além do ritmo, herança do samba, o refinamento harmônico, resultado da influência do jazz, é debatido pelos músicos.

Como não poderia deixar de ser, João Gilberto, tão excêntrico quanto talentoso, não quis conceder entrevista para o documentário, o que não chega a ser um problema já que sua obra é referência para todos os que seguiram o movimento. "João Gilberto é meu pastor e nada me faltará", sentencia o jornalista e compositor Nelson Motta, em um depoimento mais do que reverente.

COISA MAIS LINDA – HISTÓRIAS E CASOS DA BOSSA NOVA – (Brasil, 2005). Dir.: Paulo Thiago. Documentário sobre as origens da bossa nova com depoimentos de músicos como Carlinhos Lyra e Roberto Menescal. Em cartaz apenas em São Paulo, no Unibanco Arteplex 4.



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