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Estado confirma 17 mortes por meningite nas cidades da região

Grande ABC contabiliza 312 ocorrências da doença; imunização está disponível nas unidades de saúde

Thainá Lana
Do Diário do Grande ABC
08/10/2022 | 10:01
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Claudinei Plaza/DGABC


O Estado de São Paulo vive alerta para surto de meningite. Isso porque a Capital e outras cidades da Região Metropolitana e do Interior têm registrado crescimento nos casos e óbitos pela doença. Em quatro municípios do Grande ABC foram confirmadas 17 mortes, para todos os tipos de meningites, sendo oito em Santo André, quatro em São Bernardo, três em Mauá e dois em Diadema, conforme informou a Secretaria de Estado da Saúde.

Do começo do ano até ontem, a região contabilizou 312 ocorrências nos setes municípios. São Bernardo concentra o maior número de casos, com 144 no total. No mesmo período, o Estado registrou 2.902 casos e 295 mortes e a Capital segue como a cidade com mais ocorrências, com 996 pessoas infectadas e 93 óbitos. 

Segundo o Estado, os registros deste ano são inferiores ao período pré-pandemia. De janeiro a outubro de 2019, foram contabilizados 403 óbitos pela doença e 6.699 confirmações de meningite, queda de 57% no comparativo com este ano. 

A infectologista do Hospital Cristóvão da Gama, em Diadema, Lorena Hornke, associa a baixa adesão da vacinação e o comportamento sazonal ao aumento de casos e óbitos. 

"Devido à pandemia, houve a redução na adesão da imunização de diferentes doenças e isto pode ter colaborado para o aumento das ocorrências. Mas a crise sanitária pode não ser a única causa, visto que esta doença possui um comportamento sazonal, ou seja, este e outros tipos de infecções são mais transmissíveis durante o inverno”, alerta. 

A especialista explica que uma doença pode ser classificada como surto quando são confirmados, pelo menos, três casos do mesmo agente, no mesmo local (bairro ou cidade), e quando as ocorrências tenham correlação.

“A meningite é a inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, geralmente causada por uma infecção viral, mas também pode ter origem bacteriana ou fúngica. A transmissão ocorre pelas gotículas respiratórias e tem maior incidência em crianças menores de cinco anos”, explica Hornke.

A transmissão da doença ocorre por meio de secreções respiratórias de pessoas infectadas, assintomáticas ou doentes. Os sintomas da meningite variam de acordo com o agente infeccioso. 

A médica ressalta que, no caso da meningite meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis e um dos tipos mais graves e que evoluem com mais rápidez, os principais sintomas são relacionados ao sistema nervoso, como dor de cabeça, mal estar, tontura, vômito e até manchas na pele. 

A meningite meningocócica pode ser classificada em diferentes tipos, entre eles A, B e C. “Essa doença tem elevadas taxas de letalidade, geralmente acima de 40%, sendo que a maioria dos óbitos ocorre nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. A principal maneira de prevenir é a vacinação”, reforça.

Neste ano, até o momento, a cobertura vacinal para meningite é de 71,7% em todo Estado. “A vacinação é fundamental para proteger a população contra diversas doenças. A atualização da caderneta e a adesão às campanhas auxiliam no aumento das coberturas vacinais e, consequentemente, aumentam a proteção. 

As vacinas contra meningite estão permanentemente disponíveis nos postos, conforme o Calendário Nacional de Vacinação definido pelo Ministério da Saúde”, informou a Secretaria de Estado da Saúde. 

GRANDE ABC APLICOU MAIS DE 55 MIL DOSES CONTRA DOEÇA

A vacinação contra a meningite esta disponível nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de seis cidades do Grande ABC – Mauá não informou se está ofertando o imunizante. 

Crianças, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde estão elegíveis para receber as doses. Os municípios disponibilizam dois tipos, sendo a vacina Meningocócica tipo C, que é administrada durante todo o ano em crianças aos três meses de idade (duas doses) e um reforço aos 12 meses – também está disponível para profissionais da saúde.

Além do imunizante Meningo ACWY (conjugada), que é recomendada na rotina para adolescentes de 11 e 12 anos e, recentemente, o Ministério da Saúde liberou para uso temporário, até setembro de 2023, para adolescentes de 13 e 14 anos.

Até o momento, foram aplicadas 55.466 doses contra meningite em Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Durante todo ano passado, os municípios ministraram ao todo 70.445 doses. 

Para aumentar a adesão a vacinação, as prefeituras da região realizam durante o ano diversas ações de conscientização sobre o tema, como divulgação nas redes sociais, busca ativa para atualizar a carteirinha de vacinação do público infantil e identificação dos contatos de casos suspeitos e confirmados, assim como a verificação da situação vacinal desses pacientes.




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