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Ex-guarda nazista de 101 anos é condenado por auxiliar assassinatos na 2ª Guerra



29/06/2022 | 10:20


Um homem de 101 anos foi condenado a cinco anos de prisão na Alemanha nesta terça-feira, 28, por ter sido cúmplice de assassinatos durante a 2ª Guerra. Ele serviu no campo de concentração nazista de Sachsenhausen durante a guerra e possuía mais de 3,5 mil acusações.

Identificado pela mídia local como Josef S., o homem negou ter trabalhado como guarda da Schutzstaffel (SS, grupo paramilitar nazista) e ser cúmplice da morte de milhares de prisioneiros. Ele alegou que durante 1942 e 1945, período em que é acusado, trabalhou como agricultor no nordeste do país.

Entretanto, o tribunal considerou as acusações provadas. Josef S. teria trabalhado no campo de concentração localizado nos arredores de Berlim entre 1942 e 1945 como membro alistado da ala paramilitar do Partido Nazista.

"O tribunal chegou à conclusão de que, ao contrário do que o senhor alega, o senhor trabalhou no campo de concentração como guarda por cerca de três anos", declarou o juiz Udo Lechtermann, segundo a mídia local.

O juiz acrescentou que, ao fazê-lo, o réu ajudou no mecanismo nazista de terror e assassinato. "O senhor apoiou voluntariamente esse extermínio em massa com sua atividade", disse Lechtermann. "O senhor assistiu pessoas deportadas sendo cruelmente torturadas e assassinadas todos os dias por três anos."

Os promotores basearam a acusação em documentos relativos a um guarda da SS com o mesmo nome, data e local do nascimento do acusado, além de outros documentos. A pena de cinco anos de prisão segue o que a promotoria pediu.

O advogado de defesa Stefan Waterkamp pediu a absolvição e disse após o pronunciamento da sentença iria entrar com recurso de apelação.

O julgamento se baseia em um precedente legal recente na Alemanha que estabelece que qualquer pessoa que tenha ajudado um campo nazista a funcionar pode ser processada como cúmplice dos assassinatos que ocorreram no local.

Por razões práticas, o julgamento foi realizado em um ginásio na cidade Brandemburgo no Havel, local de residência do acusado. Ele só estava apto a ser julgado de forma limitada e só pôde participar do julgamento por cerca de duas horas e meia por dia. O processo foi interrompido várias vezes por motivos de saúde e internações hospitalares.

Repercussão

O Conselho Central dos Judeus na Alemanha, principal grupo judaico do país, saudou a decisão. "Mesmo que o réu provavelmente não cumpra a pena de prisão completa devido à idade avançada, a decisão é bem-vinda", disse Josef Schuster, chefe do conselho.

"As milhares de pessoas que trabalhavam nos campos de concentração mantinham a maquina do assassinato funcionando. Eles faziam parte do sistema, então deveriam assumir a responsabilidade por isso", acrescentou Schuster. "É amargo que o réu tenha negado as atividades naquele momento até o fim e não tenha demonstrado remorso."

Efraim Zuroff, historiador israelense que faz o trabalho de identificar nazistas para levá-los ao tribunal, disse à Associated Press que a sentença "envia uma mensagem de que se você cometer tais crimes, mesmo décadas depois, poderá ser levado à justiça".

Ele destacou que julgamentos como este redime a história com os parentes das vítimas. "O fato dessas pessoas de repente sentirem que sua perda e o sofrimento da família são tratados é uma coisa muito importante", declarou.

No entanto, Zuroff expressou preocupação de que o ex-guarda possa cumprir apenas parte da sentença ou nenhuma por causa do apelo planejado pela defesa e a idade avançada.

História do campo de Sachsenhausen

Sachsenhausen, o campo de concentração onde Josef S. atuou durante a 2ª Guerra, foi criado em 1936 ao norte de Berlim. Ele foi o primeiro campo aberto após Hitler conceder à SS o controle total destes lugares. A intenção nazista era que a instalação servisse como modelo e campo de treinamento para a rede que os nazistas construíram na Alemanha, Áustria e outros territórios ocupados.

Mais de 200 mil pessoas foram mantidas prisioneiras em Sachsenhausen entre 1936 e 1945. Dezenas de milhares morreram de fome, doenças, trabalhos forçados e outras causas, como experimentos médicos e operações sistemáticas de extermínio através de tiroteios, enforcamentos e asfixiamento em câmaras de gás.

A quantidade exatas de mortos no local variam, com estimativas superiores a 100 mil, embora estudiosos sugiram que provavelmente o número está entre 40 mil e 50 mil.

Nos primeiros anos, a maioria dos presos eram prisioneiros políticos ou condenados por crimes, mas também incluíam algumas Testemunhas de Jeová e homossexuais. O primeiro grande grupo de prisioneiros judeus foi levado para o campo em 1938, após a chamada "Noite dos Vidros Quebrados" (Kristallnacht, em alemão), uma onda de violência antissemita que ocorreu nos dias 9 e 10 de novembro daquele ano.

Durante a 2ª Guerra, Sachsenhausen foi expandido para incluir prisioneiros de guerra soviéticos - que foram fuzilados aos milhares - e outros.

Assim como em outros campos, os prisioneiros judeus de Sachsenhausen foram escolhidos para um tratamento particularmente severo. A maioria dos que permaneceram vivos no campo até 1942 foram enviados para Auschwitz. Sachsenhausen foi libertado em abril de 1945 pelos soviéticos.



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