Fechar
Publicidade

Sábado, 13 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Turismo rodoviário de raiz. ‘Bora’ para o Paraguai?


Rodermil Pizzo

27/06/2022 | 23:59


Se o turismo tivesse de nomear uma mãe para a motivação, o ajuntamento de grupos e o alavancar das viagens coletivas no Brasil esta se denominaria excursões rodoviárias.

Sabido é que o turismo se dá há séculos, a história conta isso. Porém, excursionismo raiz no Brasil se fortalece, ganha corpo e status com o ajuntamento de amigos e vizinhos em um ônibus fretado para as viagens de um dia.

Denominado gentilmente como bate e volta, nada mais é que chegar ao local, desfrutar de um dia todo de diversão e retornar para o ponto de origem, sem ter hospedagem, alimentação ou pernoite incluído, apenas o transporte. Podemos considerar nosso professor e mestre sobre excursões.

Nos anos 80 e 90, as viagens para o litoral, de um único dia, eram epidêmicas. Praia Grande, Santos e São Vicente recebiam centenas e centenas de ônibus todos os domingos e feriados. Todavia, se quer saber algo sobre a raiz do bate e volta, nada supera as excursões ao Paraguai.

Com variações na nomenclatura, como turismo para muamba; compra de importados; sacoleiros, nunca contrabandistas, até porque, na essência, não o éramos mesmo. Isso sim era a viagem de turismo em grupo e com características de um verdadeiro bate e volta.

Dezoito horas no ônibus, dormindo, acordando, cantando, rindo e lamentando, amassados, cansados, exaustos e famintos, chegávamos a Foz do Iguaçu. Após um brevíssimo café nos postos próximos da fronteira, estávamos prontos, os olhos brilhavam ao ver a ponte da divisa, mas, calma, ainda tínhamos a fila de entrada, longas e exaustivas, nos estressávamos, tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Ali aprendíamos como é estar no purgatório visualizando o paraíso.

Atravessamos a Ponte Internacional da Amizade, divisa Brasil e Paraguai, e como em um passe de mágica, a alma voltava ao corpo. Sem nenhum aditivo externo, exceto uma Coca-Cola e uma lata de batata Pringles, estávamos prontos para dez horas de compras nas ruas esburacadas, cheias de terra e sujas do paraíso dos importados – pelo menos é assim que acreditávamos ser.

Corríamos muito, o tempo era escasso, discutíamos por preço, ainda que não adiantasse.

Poucos sabem, mas muitos de nós excursionistas ganhavam estas viagens, apenas para ajudar na cota do amigo pagante. Tênis, perfumes e toca-fitas de carro eram os queridinhos. Xampus e creme de cabelos importados, de onde? Sinceramente não faço ideia! Mas comprávamos pela cor, pelo tamanho da embalagem que continha dois litros. Eram xampus e cremes que dava para lavar os cabelos por um ano e besuntar o corpo por seis meses. Tempo suficiente para retornarmos às compras. Prazo de validade? Sério?

Não posso me esquecer de mencionar que ainda tínhamos de voltar ao ônibus, atravessar a fronteira Paraguai-Brasil e, novamente, outra fronteira, Brasil-Argentina, nos aguardava. Sim, três fronteiras em um único dia.

Ah! Na Argentina era muito diferente. Nada de eletrônico, tênis ou perfumes, apenas as azeitonas, as blusas de caxemira, que cheiravam a lhamas peruanas. Comprávamos blusas e mais blusas como se vivêssemos nos Andes. Todavia o ápice das compras nos hermanos eram as réstias de alhos. Até hoje me pergunto: por que diabos compravam tanto alho? As réstias compostas por cem cabeças e oitocentos gomos dariam para dizimar todos os protagonistas da série Crepúsculo.

Lamento, leitores, o espaço da coluna se encerou! Semana que vem seguiremos...

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro. 



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;