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Klara Castanho revela que engravidou
após estupro e que deu bebê à adoção

Reprodução/Instagram Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

"Entregar uma criança em adoção não é um crime, é um ato supremo de cuidado", disse a artista em publicação nas suas redes sociais


Da Redação
Do Diário do Grande ABC

25/06/2022 | 20:48


Moradora de Santo André, a atriz Klara Castanho revelou hoje, por meio de carta aberta em suas redes sociais, que engravidou após sofrer violência sexual e, doou o bebê para adoção como "ato supremo de cuidado", conforme definiu em postagem no seu instagram. 

"Esse é o relato mais difícil da minha vida. Pensei que levaria essa dor e esse peso somente comigo. Sempre mantive a minha vida afetiva privada, assim, expô-la dessa maneira é algo que me apavora e remexe dores profundas e recentes. No entato, não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e de um trauma que sofri. Fui estuprada. Relembrar esse episódio traz uma sensação de morte, porque algo morreu em mim. Não estava na minha cidade, não estava perto da minha família nem dos meus amigos", desabafa a atriz na publicação. 

Klara descreve ainda que após o episódio de violência não registrou boletim de ocorrência porque se sentiu com vergonha e culpada. "Tive a ilusão de que se eu fingisse que isso não aconteceu, talvez eu esquecesse, superasse. Mas não foi o que aconteceu. As únicas coisas que tive forças para fazer foram: tomar a pílula do dia seguinte e fazer alguns exames". 

A andreense revela que tentou seguir adianta após o ocorrido, mas que meses depois começou a passar mal e ter mal-estar. Durante consulta, o médico sinalizou que poderia ser gastrite , uma hérnia estrangulada ou até um mioma. Porém, após exames de tomografia foi descoberto que havia um feto em seu útero. 

"Estava quase no término da gestação quando soube. Foi um choque. Meu mundo caiu. Meu ciclo menstrual estava normal, meu corpo também. Não tinha ganhado nem peso e nem barriga. Naquele momento do exame, me senti novamente violada, novamente culpada. Em uma consulta médica contei ter sido estuprada, expliquei tudo o que aconteceu. O médico não teve nenhuma empatia por mim. Eu não era uma mulher que estava grávida por vonta e desejo, eu tinho sofrido uma violência", conta. 

A atriz continua. "E mesmo assim esse profissional me obrigou a ouvir o coração da criança, disse que 50% do DNA eram meus e que eu seria obrigada a amá-lo. Essa foi mais uma da série de violências que aconteceram comigo. "Eu ainda estava tentando juntar os cacos quando tive que lidar com a informação de ter um bebê. Um bebê fruto de uma violência que me destruiu como mulher. Eu não tinha (e não tenho) condições emocionais de dar para essa criança o amor, o cuidado e tudo o que ela merece ter. Entre o momento que eu soube da gravidez e o parto se passaram poucos dias. Era demais processar, para aceitar e tomei a atitude que eu considero mais digna e humana. Procurei advogada e conhecendo o processo, tomei a decisão de fazer uma entrega direta para adoação", complementa. 

Klara explica que passou passou pelos trâmites legais, com psicóloga, ministério público, juíza, audiência e, outras etapas obrigatórias. E que, mesmo o processo sendo sigiloso, logo após o parto da criança ela foi abordada por uma enfermeira do hospital que falou "imagina se tal colunista descobrisse essa história". Ela denúncia que assim que chegou no quatro, ainda sob efeito da anestesia, ela havia recebido mensagens do colunista citado pela enfermeira e que ele já sabia de todas as informações, sobre o estupro, a gravidez e o processo de adoção. 

"Eu não tive tempo de processar tudo aquilo que estava vivendo, de entender, tamanha era a dor que eu estava sentindo. Eu conversei com ele, expliquei tudo o que tinha acontecido. Ele prometeu não publicar. Um outro colunista também me procurou dias depois querendo saber se eu estava grávida e eu falei com ele. Mas apenas o fato deles saberem, mostra que os profissionais que deveriam ter me protegido em um momento de extrema dor e vulnerabilidade, que têm a obrigação legal de respeitar o sigilo da entrega, não foram éticos, nem tiveram o respeito por mim e nem pela criança".

Klara conta que decidiu compartilhar a história devido a informações erradas e "alegações mentirosas e cruéis". Sobre a adoção da criança, a atriz afirma que "Tudo o que fiz foi pensando em resguardar a vida e o futuro da criança. Cada passo está documentado e de acordo com a lei. A criança merece ser criada por uma família amorosa, devidamente habilitada à adoção, que não tenha as lembranças de um fato tão traumático. E ela não precisa saber que foi resultado de uma violência tão cruel. Como mulher, eu fui violentada primeiramente por um homem e, agora, sou reiteradamente violentada por tantas outras pessoas que me julgam", finaliza.

Clique aqui e leia a publicação da atriz na íntegra.



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