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Ex-obesos trocam comida por novas obsessões


Vanessa Selicani
Especial para o Diário

07/10/2007 | 07:23


Tânia Mara Scarambone, 31 anos, era uma mulher de 128kg feliz, apaixonada e de bem com seus decotes. Um dia, resolveu emagrecer e, além das curvas, os quilos a menos mostraram uma tristeza que ela não conhecia.

Depois de uma cirurgia de estômago em que perdeu 40kg no começo do ano, a analista de riscos de Santo André passou a ter sintomas de depressão e precisou tomar remédios.

“O pós-operatório é muito agressivo. Você perde o controle do corpo e seu estômago é quem manda. Não me arrependo, mas era uma gordinha mais feliz”, conta.

O mesmo aconteceu com a motorista Sônia Martins Napedre, 45 anos, que perdeu 39kg e passou por um período de depressão nos primeiros meses depois da cirurgia.

Elas fazem parte da faixa dos 20% de pessoas que adquirem depressão ou transtornos compulsivos depois da cirurgia de estômago.

O dado é de uma pesquisa da psicóloga e endocrinologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Maria Isabel Rodrigues de Matos. No trabalho realizado com 50 pessoas obesas que fariam a cirurgia de estômago, a pesquisadora percebeu que 70% delas tinham traços de ansiedade aguda e 84% já possuíam indícios de depressão.

SEM COMIDA

Longe da comida que é rejeitada pelo estômago depois da cirurgia, os gordinhos descontam a ansiedade em outras compulsões como comprar roupas, bebidas alcoólicas, cigarros, balas e até a compulsão por sexo.

“Eles acham que a cirurgia é mágica, que vão ficar magros do dia para noite. Mas ficar sem comer é muito difícil. Os obesos já têm sinais de depressão que se acentuam depois de descobrir que os problemas continuam e de todo trauma pós-operatório”, explica Maria Isabel.

Ela considera a obesidade uma doença crônica, que precisa ser tratada pelo resto da vida com dietas e acompanhamento psicológico. “Não sabemos quem veio primeiro, se a obesidade ou a depressão.”

Os traumas podem ser reduzidos com uma preparação de até nove meses antes da operação com nutricionistas, psicólogos e endocrinologistas. Os cuidados continuam depois da operação.

“Alguns passam da lua-de-mel dos dois anos depois da redução e voltam a comer como antes. O índice dos que voltam a ser obesos chega a 10%”, alerta a médica.



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Ex-obesos trocam comida por novas obsessões

Vanessa Selicani
Especial para o Diário

07/10/2007 | 07:23


Tânia Mara Scarambone, 31 anos, era uma mulher de 128kg feliz, apaixonada e de bem com seus decotes. Um dia, resolveu emagrecer e, além das curvas, os quilos a menos mostraram uma tristeza que ela não conhecia.

Depois de uma cirurgia de estômago em que perdeu 40kg no começo do ano, a analista de riscos de Santo André passou a ter sintomas de depressão e precisou tomar remédios.

“O pós-operatório é muito agressivo. Você perde o controle do corpo e seu estômago é quem manda. Não me arrependo, mas era uma gordinha mais feliz”, conta.

O mesmo aconteceu com a motorista Sônia Martins Napedre, 45 anos, que perdeu 39kg e passou por um período de depressão nos primeiros meses depois da cirurgia.

Elas fazem parte da faixa dos 20% de pessoas que adquirem depressão ou transtornos compulsivos depois da cirurgia de estômago.

O dado é de uma pesquisa da psicóloga e endocrinologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Maria Isabel Rodrigues de Matos. No trabalho realizado com 50 pessoas obesas que fariam a cirurgia de estômago, a pesquisadora percebeu que 70% delas tinham traços de ansiedade aguda e 84% já possuíam indícios de depressão.

SEM COMIDA

Longe da comida que é rejeitada pelo estômago depois da cirurgia, os gordinhos descontam a ansiedade em outras compulsões como comprar roupas, bebidas alcoólicas, cigarros, balas e até a compulsão por sexo.

“Eles acham que a cirurgia é mágica, que vão ficar magros do dia para noite. Mas ficar sem comer é muito difícil. Os obesos já têm sinais de depressão que se acentuam depois de descobrir que os problemas continuam e de todo trauma pós-operatório”, explica Maria Isabel.

Ela considera a obesidade uma doença crônica, que precisa ser tratada pelo resto da vida com dietas e acompanhamento psicológico. “Não sabemos quem veio primeiro, se a obesidade ou a depressão.”

Os traumas podem ser reduzidos com uma preparação de até nove meses antes da operação com nutricionistas, psicólogos e endocrinologistas. Os cuidados continuam depois da operação.

“Alguns passam da lua-de-mel dos dois anos depois da redução e voltam a comer como antes. O índice dos que voltam a ser obesos chega a 10%”, alerta a médica.

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