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Pacientes esperam oito horas por consulta em UPA de S.Bernardo

Com superlotação, munícipes sentam no chão e do lado de fora da unidade; Prefeitura culpa crise econômica pela alta demanda no sistema de saúde

Carolina Helena
Especial para o Diário
04/06/2022 | 07:00
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Claudinei Plaza


Moradores de São Bernardo que utilizam a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Jardim Silvina, na região do Ferrazópolis, relatam espera de oito horas pelo atendimento simples com um clínico geral. A situação tem gerado imensas filas e superlotando o equipamento de saúde, com pessoas sentadas no chão e também do lado de fora da unidade, em condições precárias, faça chuva ou Sol.

A dona de casa Edivania da Silva, 37 anos, ficou oito horas esperando sua filha de 15 anos ser atendida na UPA. “Chegamos às 15h e eram 23h e ainda não tínhamos sido atendidas. Minha filha estava com dor de estômago e vomitando. Quando fomos atendidas ela tomou soro, dipirona, buscopan e fez exame de sangue. No dia seguinte foi mais um tempão para mostrar o resultado, pelo menos três horas”, comentou.

Outra moradora da região, Silvia Silvera, 40, foi ao equipamento acompanhar o filho de 12 anos que não estava se sentindo bem. A dona de casa disse que chegou na UPA Jardim Silvina às 10h e demorou duas horas apenas para fazer a ficha. Ela foi uma das dezenas de pessoas que estavam esperando do lado de fora por falta de espaço. “Está sempre cheia a UPA. Peguei a senha na recepção e fiquei lá fora esperando ser chamada. Um absurdo”, esbravejou.

A equipe do Diário esteve no local e constatou a superlotação do equipamento de saúde, além da situação precária no lado de fora, onde pessoas esperavam por atendimento ao lado de uma poça de vômito.

O problema não está concentrado apenas na unidade do Jardim Silvina. A UPA Baeta Neves também é alvo de reclamações dos moradores. A auxiliar de cozinha Vanessa Mendes, 26, ficou três horas esperando para ser atendida no local. “Tem gente que está dentro da unidade passando mal e não são atendidas por falta de profissional. Eu, passando mal, só fizeram um eletro e me receitaram diazepam e dipirona, remédios que eu poderia tomar em casa”, reclama.

Mara Silva, 53, aposentada, ficou dias tentando ser atendida nas UPAs Vila São Pedro, Baeta Neves e Jardim Silvina. “Fiquei cinco horas esperando para ser chamada e, quando finalmente foi a minha vez, o médico mal me examinou, tive que pedir para ele me encaminhar para fazer um exame para conseguir alguma coisa”, lamentou.

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Saúde, citou a alta demanda em razão da crise econômica. “As UPAs registraram alta na demanda, devido ao aumento dos casos de síndromes gripais e de Covid. Os casos mais graves e de alta complexidade têm atendimento prioritário, com ampliação do tempo de espera para os casos de menor gravidade. Além disso, há aumento no fluxo de pessoas nas unidades do SUS (Sistema Único de Saúde), em decorrência da crise econômica. Na quinta-feira (dia da maior parte dos relatos), as equipes médicas das unidades estavam completas. Episódios de secreções, como vômitos ou outras, são passíveis nas UPAs, porém são prontamente identificados e a higienização é feita de forma imediata pelas equipes de limpeza”, informou o Paço.




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