Fechar
Publicidade

Terça-Feira, 28 de Junho

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

esportes@dgabc.com.br | 4435-8384

Atitude de Moisés, do Fortaleza, reacende debate sobre Fair Play no Brasil



24/05/2022 | 12:02


O ato de Fair Play no duelo entre Fortaleza e Fluminense, do último domingo, marcou a rodada do Brasileirão do fim de semana. O jogador Moisés, da equipe cearense, parou um ataque promissor, enquanto seu time estava perdendo por 1 a 0, ao ver o zagueiro Nino sentir uma lesão muscular e desistir da jogada. O atacante do Fortaleza recebeu muitas vaias de torcedores ao parar o lance, mas recebeu o apoio dos colegas do Fluminense e também nas redes sociais.

A pressão no time cearense é grande: a equipe ocupa a lanterna do Brasileirão, sendo a única que ainda não venceu na competição, e já está a oito pontos de sair da zona do rebaixamento. O Fluminense publicou uma mensagem de reconhecimento em sua conta no Twitter no domingo mesmo pelo ato de Moisés e parabenizou o jogador rival pela atitude de jogo limpo em campo. "Todo o nosso respeito e admiração ao atleta Moisés, do Fortaleza, pelo ato de Fair Play no lance em que o nosso zagueiro Nino acabou sendo substituído. O futebol pode e deve ser assim. Parabéns pela atitude".

Discussões sobre Fair Play - ou a falta dele - são recorrentes no futebol brasileiro, em especial sobre simulações de faltas. Casos parecidos ao de Moisés não são tão comuns no País. O episódio mais recente e debatido de fair play no Brasil ocorreu em 2017. No clássico entre São Paulo e Corinthians, a arbitragem puniu o atacante Jô com o cartão amarelo por uma suposta falta no goleiro Renan Ribeiro, mas o zagueiro Rodrigo Caio confessou que havia sido ele que pisou no seu companheiro.

O time tricolor foi derrotado pela equipe alvinegra por 2 a 0 pelo jogo de ida das semifinais do Paulistão e acabou eliminado do Estadual na partida de volta. A atitude de Rodrigo Caio foi cercada de elogios e também de críticas. Ídolos são-paulinos, Oscar e Ronaldão elogiaram bastante a conduta do jogador, que chegou a ser condenado por Maicon, companheiro de zaga.

O Fair Play (ou jogo limpo) não está na regra do futebol, mas funciona como um princípio a ser seguido em que se valoriza o espírito esportivo e o respeito ao adversário. Apesar disso, a Uefa já penalizou atletas que desrespeitaram essa prática. Trata-se de um comportamento de cavalheiros, de parar o jogo quando alguém está caído no gramado.

Em 2012, o atacante Luiz Adriano, ex-Palmeiras e então no Shakhtar Donetsk, foi punido pela entidade europeia por marcar um gol na partida contra o Nordsjaelland, da Dinamarca, pela Liga dos Campeões, em um momento em que o seu time estava devolvendo intencionalmente a bola para o adversário em um ato de Fair Play. O brasileiro se aproveitou da jogada e balançou a rede, o que gerou a ira do time dinamarquês. Depois do jogo, Luiz Adriano disse que não havia visto a paralisação da partida e, por isso, fez o gol. Ele foi criticado em nota pelo presidente do Shakhtar.

RECONHECIMENTO DA FIFA

O prêmio mais antigo da Fifa é, justamente, o de Fair Play. Desde 1987, a maior entidade do futebol congratula personagens do esportes por suas atitudes exemplares em campo e fora dele. Em 2001, o italiano Paolo Di Canio ganhou o prêmio Fifa Fair Play por parar um ataque do seu time enquanto um jogador adversário estava lesionado. Pelo Campeonato Inglês, o West Ham, de Di Canio, atacava pelo lado direito e o goleiro do Everton, Paul Gerrard, saiu para fazer a defesa, deixando o gol desguarnecido. Mas o goleiro sentiu uma lesão grave na perna e ficou caído no gramado. O jogo não foi paralisado e a bola foi cruzada na área, mas Di Canio tratou de segurá-la com as mãos e interromper a jogada para que o adversário fosse atendido pelos médicos. Ele foi aplaudido por jogadores e torcedores.

Há três anos, o prêmio Fifa Fair Play foi concedido ao Leeds, da Inglaterra, que marcou um gol no Aston Villa, se aproveitando de um jogador adversário caído no gramado, com dores. O lance gerou grande discussão em campo e entre as comissões técnicas. O episódio ganhou ainda mais repercussão porque o técnico do Leeds, Marcelo Bielsa, autorizou os seus atletas a deixarem o adversário marcar o gol de empate, logo na saída do meio-campo.

No Brasil, há um problema que diz respeito à simulação. Muitos jogadores reclamam atendimento médico para parar o jogo, esfriar o adversário e mudar o ímpeto do rival. Geralmente, eles são atendidos por "águas milagrosas" jogadas no local da dor. O atleta se levanta e volta a jogar, ganhando alguns minutos no relógio.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;