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Mercado de casamento demonstra fôlego
após a retração da pandemia

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cerimônias aumentam 45,4% na região em relação a período anterior à pandemia da Covid e setor se anima


Beatriz Mirelle
Especial para o Diário

22/05/2022 | 00:01


Em dois anos de pandemia, planejar uma cerimônia com cerca de 100 convidados era algo impensável. Agora, com a flexibilização das medidas de isolamento, os noivos estão otimistas para fechar contratos e oficializar a data da cerimônia. De acordo com a Abrafesta (Associação Brasileira de Eventos), a previsão é que aconteçam 1,6 milhão de casamentos no Brasil em 2022. Normalmente, esse índice era de 1,1 milhão por ano no pré-Covid-19, o que representa aumento de 45,4%. Neste momento, os preços acompanham a alta demanda e os casais sentem no bolso os impactos da crise sanitária no setor de eventos.

O presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Beto Moreira, se mantém otimista com as contratações. “Os buffets foram muito impactados com a pandemia. Agora, o setor traz uma retomada importante que impacta o segmento de serviços e o mercado de trabalho, como garçons”, afirma.

Noivos desde 2018, a enfermeira Caroline Malgero, 28, e o engenheiro Marco Carvalho, 29, adiaram a data do casamento duas vezes. “Estava programado para novembro de 2020. Devido à Covid-19, remarcamos para julho de 2021. Naquela época, os casos aumentaram, inclusive com falecimentos na família do Marco. Mudamos mais uma vez e escolhemos março deste ano”, diz Caroline. A festa foi para 150 pessoas. Caso tivessem feito em 2021, ela afirma que o número seria reduzido, assim como a quantidade de horas do evento. “A pandemia nos causou muitas frustrações. Não cancelamos a festa porque muitas coisas já estavam pagas.”

Já a analista de dados Verônica Millene, 28, e o designer gráfico Bruno Suniga, 30, estão com a cerimônia marcada para junho. Eles assinaram o contrato em novembro de 2020 com um buffet em São Bernardo, escolhendo um pacote que inclui decoração, espaço, DJ, iluminação e alimentação. “Fechamos um mini wedding, com 80 convidados, pelas incertezas da pandemia. Com as mudanças, tivemos mais confiança para fazer um evento um pouco maior e alteramos para 130 pessoas”, explica Verônica. 

“Já estamos fazendo eventos entre 200 e 250 convidados. As pessoas querem realizar um sonho”, diz a proprietária do Surreal Buffet, em Santo André, Patrícia Joelma. Para ela, os meses de outubro e novembro são os mais disputados, em função do pagamento do 13º salário, férias, fim de ano e altas temperaturas.

VESTUÁRIO 

Depois de fechar o espaço para a festa, os gastos com vestuários costumam ser os mais significativos no orçamento. Segundo Vanessa Lucian, proprietária da loja Noiva no Civil, em Santo André, o primeiro trimestre de 2022 registrou altas expressivas nos valores das matérias-primas e na procura pelos serviços do estabelecimento, alterando, assim, o custo final do produto. “Em 2021, o nosso maior pico de vendas foi entre setembro e novembro. Muitas noivas estão pesquisando mais e com casamento marcado até dezembro. A expectativa é que o faturamento triplique em comparação ao último ano.” 

DECORAÇÃO

A decoração também é uma das áreas que mais exigem atenção para estipular qual será o gasto total com a cerimônia. “Os eventos se acumularam e 2022 está bem atípico, cheio de festas. Por isso, os preços dispararam”, analisa o sócio-proprietário da Floricultura Florestar, em São Bernardo, Rosendo Pereira Filho. 

De acordo com ele, os valores das flores aumentaram entre 50% a 100% em relação a 2021, dependendo da escolha. “As mais selecionadas são rosas, lírios, astromélias, lisianthus e boca-de-leão. Durante dois anos, a produção quase parou por causa do isolamento. Agora, faltam flores no mercado e os produtos ficam mais caros pela lei da oferta e procura. É quase impossível economizar neste período.”

“Quem não fechou as portas está repassando os gastos para os clientes”, observa a analista de benefícios Thaynara Gomes, 26 anos. Ela e o técnico de produção Renan Zaguini, 29, estipularam o orçamento de R$ 25 mil e começaram os preparativos em novembro de 2021 para a cerimônia de casamento, que será em julho. “A mesma festa que faremos agora seria possível com menos dinheiro no pré-pandemia.”

Casais driblam inflação para poupar

Tentar fugir dos preços altos é um desejo dos noivos, mas economizar não é uma tarefa fácil em um período no qual a inflação anual chegou a 12,13% em abril. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado a inflação oficial do País, ficou em 1,06% no mês passado - a maior variação para esse período de 30 dias desde 1996 (1,26%), sendo os grupos “alimentação e bebidas” e “transportes” determinantes para o resultado. 

Mesmo assim, o sonho dos casais em reunir parentes e amigos para comemorar a nova etapa em suas vidas faz com que o segmento de festas continue aquecido. Com isso, as noivas deram algumas dicas para poupar dinheiro.

Para orientar no planejamento, Verônica Millene e Bruno Suniga decidiram contratar uma assessoria para ajudá-los a não realizar gastos desnecessários. “A transparência deles é fundamental. A emoção é maior que a razão para muitas contratações. Inclusive, diversas vezes, escolhemos determinado fornecedor porque ele nos emocionou, nos fez chorar. Temos que ter muito cuidado para não dar um passo maior que a perna”, diz ela. 

O orçamento inicial do casal Caroline Malgero e Marco Carvalho era de R$ 60 mil. “Comprei alguns itens pela internet e busquei fazer algumas coisas sozinha, como o convite dos padrinhos. Realizei orçamentos com várias empresas”, relembra a noiva. Apesar de economizar nesses detalhes, as despesas acumularam R$ 69 mil por reajustes principalmente no setor de alimentos. “Além disso, o valor do carro de luxo teve alteração devido ao aumento da gasolina.”

No caso de Thaynara Gomes e Renan Zaguini, eles recomendam reduzir os nomes da lista de convidados, já que tudo é contabilizado por pessoa. “Também decidimos colocar a mão na massa. Fui na 25 de março comprar acessórios para a festa e nós mesmos faremos lembrancinhas”, aconselha a noiva.



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