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Santo André recolhe mais de 200 mil
toneladas de recicláveis em 25 anos

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Primeiro programa de coleta seletiva do Estado, presente em todo o município, coleciona bons números


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

21/05/2022 | 18:18


O Programa de Coleta Seletiva de Santo André, o primeiro do Grande ABC a ser ofertado no sistema porta a porta e o primeiro do Estado de São Paulo a estar presente em 100% do território municipal, está completando 25 anos. Em 1997, um programa piloto foi instalado na Vila Pires, ainda sob responsabilidade da Prefeitura. Em 1999, o serviço foi assumido pelo Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) e contabiliza quase 202 mil toneladas de resíduos reciclados.

Essa quantidade de material deixou de ir para o aterro municipal e gerou trabalho e renda para os trabalhadores das duas cooperativas da cidade, que atualmente contam com 96 colaboradores atuando na Coopcicla (Cooperativa de Reciclagem de Santo André), fundada em 1999, e na Coop Cidade Limpa, criada em 2001. Santo André também é pioneiro entre os sete municípios da região em remunerar o trabalho de catadores que se organizaram para implantar as duas cooperativas de reciclagem do município. 

Antes da criação do Programa de Coleta Seletiva (iniciado em 1997) porta a porta, algumas outras iniciativas para reaproveitar os materiais na cidade foram colocadas em prática, mas sem o mesmo sucesso. O município teve entre 1982 e a década de 1990 uma usina de compostagem. O composto orgânico produzido era vendido a agricultores e prefeituras para ser utilizado em hortas comunitárias. Já em 1992, a Operação Salva Papel transformava em blocos de papel reciclado toda a papelada que era recolhida nos órgãos públicos. A iniciativa deu origem a outro projeto, em 1998, a Usina de Papel, onde atuavam jovens em situação de vulnerabilidade social.

O trabalho na usina foi o início para as cooperativas que viriam a ser formadas pouco tempo depois. Nesse mesmo ano, 1998, foi criada a Incubadora de Cooperativas, destinada a grupos organizados, como desempregados, portadores de necessidades especiais, analfabetos, dependentes químicos, entre outros. Esta organização de pessoas para a separação e venda dos resíduos recicláveis dá origem às duas cooperativas que passariam a atuar no município. 

Em 1990, a administração começou a envolver as escolas, com ações educativas sobre a importância da coleta seletiva; são criados depósitos de recicláveis em pontos estratégicos da cidade, como o antigo comércio de grande circulação. Também é nessa época que se retomam as estações de entulho, que passam a se chamar em 2000 de estações de coleta, os atuais ecopontos. 

Santo André tem atualmente 20 equipamentos públicos para que os munícipes possam descartar recicláveis volumosos, entulho, móveis velhos, restos de pequenas construções, pneus, além de óleo de cozinha e lixo eletrônico (carcaças de computadores antigos, fogões, geladeiras etc), podas de vegetação e gesso. Até o fim de 2022 devem ser inaugurados mais dez equipamentos deste tipo.

No início de 1999, cerca de 7% dos domicílios da cidade eram atendidos pela coleta seletiva. Com a expansão do programa, no fim do mesmo ano, o percentual saltou para 60%. Em abril de 2000 os serviços do Programa de Coleta Seletiva porta a porta já atingiam 100% dos domicílios da cidade.

O prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), declarou que a coleta seletiva é marca da excelência do serviço no município. “Movimenta as cooperativas, gera emprego e renda e faz de Santo André referência em inovação e sustentabilidade. Desta iniciativa, outros importantes programas saíram do papel, como o Moeda Verde, que troca recicláveis por alimentos, e o Moeda Pet, que troca garrafas PET por ração animal”, pontuou.

Superintendente do Semasa, Gilvan Junior destacou que reciclagem, além de ter uma grande relevância social, ambiental e econômica, é fundamental para expandir a vida útil do aterro sanitário municipal. “Com as obras de ampliação, o local terá mais cinco anos de vida útil, mas se todos colaborarem esse prazo consegue ser estendido”, completou.

Reciclagem preserva meio ambiente e gera renda

Nos 25 anos do Programa de Coleta Seletiva de Santo André, além da reciclagem de mais de 200 mil toneladas de resíduos, houve também a transformação de muitas vidas. Pessoas que encontraram na triagem dos materiais o sustento para suas famílias e oportunidades para recomeçar. 

O diretor operacional da Coopcicla (Cooperativa de Reciclagem de Santo André), Jorge Luiz Pscheidt, 70 anos, começou a trabalhar com reciclagem quando não conseguia mais oportunidades formais de trabalho. Tinha 55 anos e, junto com outras pessoas, passou por curso de formação para aprender sobre o ofício que iria desempenhar pelo próximo quarto de século. 

“No começo a gente fazia tudo no chão, com o tempo evoluímos muito. Passamos a ter as caçambas, as esteiras, as compactadeiras. Aprendemos a agregar valor ao material”, relatou. 

A Coopcicla emprega 50 pessoas e vende mais de 20 tipos de materiais para mais de dez compradores. “Estamos sempre procurando quem pode pagar mais pelo que a gente vende”, explicou. “Muitas pessoas fizeram a vida trabalhando com reciclagem. Eu arrumei minha casa, ajudei meus pais, quando eram vivos, com o que conquistei aqui”, afirmou.

Quem também está há mais de 20 anos trabalhando com reciclagem é Roberta Sofia da Silva, 46, há 21 anos na Coop Cidade Limpa. A recicladora conta que, embora a conscientização da população venha aumentando, ainda é grande o número de pessoas que não entendem a real importância da reciclagem e que acham que lá eles trabalham com lixo. “Não trabalho no lixo. Estou reciclando para melhorar o planeta e para que a gente possa viver mais”, definiu. 

Também cooperada da Coop Cidade Limpa, Maria Felinto, 51, está há seis anos no ramo e avalia que “nem todo mundo entende que o que está jogando no lixo poderia estar gerando trabalho e renda para muitas pessoas”. 

A falta de conscientização da população na hora de separar o lixo, misturando resíduos secos (papéis, plásticos etc) com resíduos orgânicos (restos de alimentos e lixo de banheiro) faz com que cerca de 30% do material coletado tenha que ir para o aterro. “Vejo que as pessoas mais velhas e as crianças têm mais consciência sobre como separar e sobre a importância disso”, afirmou Roberta. 

Motorista de carro de coleta viu projeto nascer

Aos 66 anos, João Bosco de Moura já está aposentado, mas continua trabalhando no Programa de Coleta Seletiva de Santo André. Começou como coletor, função que exerceu por 13 anos, e há 19 atua como motorista, dirigindo o pequeno veículo que circula na Rua Coronel Oliveira Lima, no Centro, recolhendo os resíduos secos dos muitos estabelecimentos do endereço que é o coração comercial da cidade.

Moura lembra que trabalha no serviço há mais tempo do que existe o aterro municipal, equipamento que ele viu quando cavaram o primeiro buraco para o despejo dos resíduos. “Antes da coleta jogava tudo fora, se tivesse continuado hoje não tinha mais onde colocar o lixo”, afirma.

O funcionário também acompanhou a criação das cooperativas, a implementação das esteiras e outros equipamentos, e celebra o avanço. “Melhorou bastante, já está reciclando bem mais e ainda dá para melhorar”, diz.

Para ele, a melhor forma de conscientizar as pessoas sobre a importância da reciclagem é pelo diálogo. “Quando a gente explica com calma, uma, duas vezes, as pessoas começam a entender. Gera emprego, tira esse material que ia parar em rios, causar danos. Se hoje prejudica um pouco a gente e nossos filhos, nossos netos seriam muito mais prejudicados sem a reciclagem”, completa. 

“A gente tem que lutar, porque sem luta não há vitória”, finaliza.

PIONEIRISMO

Maria Izabel Cristina dos Santos, 48, é a única mulher que dirige os caminhões de coleta. Assim como Moura, ela é funcionária da empresa Peralta, que presta o serviço de coleta na cidade. “Trabalhar como motorista de caminhão é muito bom. Sempre tive muito orgulho. As pessoas ao meu redor que me olham na rua, vejo que elas têm muita admiração por mim e isso me traz uma grande felicidade”, afirma a funcionária, que atua há três anos na função. [08.ASSINA_PE]<TL>



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