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Por unanimidade, Arthur do Val tem o mandato cassado

Divulgação/Alesp Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-deputado foi punido por atacar mulheres ucranianas com falas machistas e sexistas; foram 73 votos a favor e nenhum contrário


Aline Melo

18/05/2022 | 13:53


A Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) cassou na tarde de ontem o mandato do deputado estadual Arthur do Val (União Brasil), o Mamãe Falei. Por unanimidade, o parlamentar perdeu o cargo e também os direitos políticos, ficando inelegível por oito anos, como prevê a Lei da Ficha Limpa. Os seis parlamentares do Grande ABC votaram a favor da cassação, que foi aprovada com 73 votos favoráveis e nenhum branco ou nulo.

O processo no conselho de ética da Alesp que originou a cassação de Arthur do Val foi aberto após divulgação de áudios com conteúdos machistas e sexistas enviados pelo parlamentar a amigos em fevereiro, enquanto estava na Ucrânia, logo que começou a invasão russa no país do Leste Europeu. Com o pretexto de auxiliar os ucranianos que enfrentavam a guerra, Arthur viajou na companhia do coordenador do MLB, Renan Santos.

Nos áudios, Arthur fazia comentários machistas e sexistas sobre as mulheres ucranianas, e disse que elas “são fáceis porque são pobres”. “Assim que essa guerra acabar vou voltar aqui”, afirmou nos áudios.

Após a divulgação das gravações, ao menos 40 deputados entraram com 21 representações pedindo punição ao parlamentar. O parecer do relator do caso, Delegado Olim (Progressistas), foi aprovado pelo conselho de ética e decoro parlamentar no dia 12 de abril, por unanimidade. O colegiado considerou que as mensagens divulgadas nos áudios configuram quebra de decoro parlamentar.

A deputada Carla Morando (PSDB), com domicílio em São Bernardo, afirmou que a Alesp deu uma resposta à população com a cassação de Arthur do Val. A parlamentar dedicou o seu voto a todas as mulheres ucranianas, em nome da embaixatriz da Ucrânia Fabiana Tronenko e sua filha, Mariana, presentes ontem no Parlamento como gesto de solidariedade. “A postura do ex-deputado perante as mulheres ucranianas, além de machista e desrespeitosa, é repugnante”, declarou.

Deputado com domicílio eleitoral em São Caetano, Thiago Auricchio (PL) avaliou que a decisão da Assembleia deve servir de exemplo, mas, sobretudo, como reflexão em relação a certos comportamentos e discursos. “A cassação do ex-deputado Arthur do Val é o desfecho que sempre lutei e esperei. Fiz questão de pedir a cassação dele no meu relatório final da CPI da Mulher. O maior Parlamento da América Latina não podia ser condizente com uma fala tão grotesca, machista e preconceituosa. Como autor do Código Paulista de Defesa da Mulher vou seguir trabalhando por um mundo que respeite, valorize e inclua a mulher. É meu compromisso diário”.

Márcio da Farmácia (Podemos), deputado com base em Diadema, destacou que a decisão de votar pela cassação de Arthur do Val foi tomada em conjunto pela bancada do partido e que visa marcar a defesa da legenda pelos direitos das mulheres, “que a cada dia se empoderam mais e conquistam seu lugar de direito”. “É também uma demonstração que na política não pode tudo. As pessoas têm os seus direitos, mas também seus deveres, e a obrigação de um parlamentar é defender os cidadãos”, pontuou.

O agora parlamentar cassado renunciou ao cargo em abril. Quando chegou ao Brasil, Arthur do Val admitiu a veracidade dos áudios, mas alegou que foram tirados de contexto. A defesa de Arthur alegou que as provas foram obtidas de forma ilegal e, apesar de o próprio deputado ter admitido que enviou as mensagens aos amigos, citou que o conteúdo não foi submetido à perícia. 



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