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Número de pessoas que vivem nas ruas das sete cidades aumenta 23%

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Prefeituras ofertam 520 vagas de albergues para mais de 1.000 pessoas que não têm onde morar; chegada do frio intensifica atendimentos


Aline Melo
Da Redação

16/05/2022 | 00:01


O termômetro marcava 17°C, mas para quem está sentado no chão duro nas imediações da Estação Celso Daniel, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), em Santo André, a sensação de frio é maior. Os voluntários dos Anjos da Sopa abordam um grupo de três pessoas. O encontro lembra o de velhos amigos. Ali, todo mundo se conhece. Segundo dados das sete prefeituras do Grande ABC, ao menos 1.038 pessoas vivem nas ruas da região e com a proximidade do inverno – uma frente fria derruba a temperatura nos próximos dias – as administrações já começam as mobilizações para atender a esse grupo vulnerável. Em 2022, até abril, o número de pessoas vivendo nestas condições na região já é 23% maior do que o apurado no mesmo período do ano passado.

Elton Farias de Araújo, 33 anos, o Ceará, cumprimenta efusivamente a idelizadora da ONG (Organização Não Governamental) Anjos da Sopa, a cabeleireira Gisele Capelli, 37. Os dois já se encontraram inúmeras vezes, pois Ceará está há seis anos em situação de rua, após se separar da ex-mulher, quando ela perdeu uma gestação bem no início. Manobrista, ele se gaba de já ter dirigido, na mesma noite, seis veículos do modelo Camaro. Seu único contato familiar é a mãe, que mora no Ceará. O rapaz agradece o alimento, a blusa de moletom que ganhou, e come a primeira refeição quente do dia.

Os voluntários andam poucos metros e já encontram outro grupo. Há também os que andam sozinhos, que preferem não se enturmar, como Alcides Amaral, 68. Natural de Bauru, Interior de São Paulo, ele veio para Santo André há quatro anos para trabalhar como pintor. Morava em uma pensão quando começou a pandemia de Covid-19. Sem emprego e sem dinheiro, foi parar na rua. Agora, está tentando ingressar com pedido de BPC (Benefício de Prestação Continuada), que garante um salário mínimo (R$ 1.212) e acena com a perspectiva de ter novamente um teto. “Não bebo, não uso drogas e também não me misturo. Estou só esperando o meu benefício”, relata.

Gisele, que está há oito anos à frente dos Anjos da Sopa (a ONG se formalizou há sete meses), observou que aumentou muito o número de pessoas sem ter onde morar, algumas porque perderam a renda, outras porque perderam familiares e não tiveram emocional para lidar. Ela lamenta que o número de doações de alimentos para as mais de 1.000 refeições entregues em Santo André, Mauá e São Paulo venha caindo nos últimos meses. “No começo (da pandemia) as pessoas doavam muito. Hoje parece que não ligam tanto. Parceria com uma produtora de eventos é que tem nos ajudado”, afirmou. Quem puder colaborar com o projeto, pode entrar em contato pelo telefone 97215-4434.

Todas as cidades da região ofertam vagas de acolhimento noturno – veja dados de cada município na arte. Os municípios também planejam abrir vagas extras e reforçar as abordagens no inverno, em operações que já começam na próxima semana. Também são ofertados cobertores, especialmente para as pessoas que não aceitam ir para os abrigos. Pela lei, ninguém pode ser retirado da rua contra a sua vontade. No entanto, em julho de 2021, São Bernardo acionou a Justiça para levar compulsoriamente as pessoas que vivem em situação de rua para os albergues, em caso de frio extremo.

Campanha do Agasalho mobiliza região

Uma frente fria deve derrubar os termômetros na região nos próximos dias. Entre quinta e sexta-feira, a previsão é que sejam registradas a menores temperaturas do ano e as menores para o mês de maio desde 2005, com termômetros abaixo dos 10ºC. Não por acaso, as cidades do Grande ABC começam a mobilizar a Campanha do Agasalho, que visa arrecadar roupas – especialmente de frio – e cobertores em bom estado para doação.

A primeira cidade a lançar oficialmente a iniciativa foi Diadema, onde a campanha segue até setembro. As doações podem ser feitas nas 20 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município, no Paço Municipal e no Fundo Social de Solidariedade (ambos na Rua Almirante Barroso). Coletas também podem ser agendadas pelo telefone 4092-5340. O município vai criar, ao longo de toda a campanha, varais solidários em toda a cidade. 

Santo André lança a sua campanha nos próximos dias. Em 2021, foram arrecadadas mais de 210 mil peças, um recorde histórico na cidade. Foram distribuídos roupas, acessórios, calçados, cobertores e artigos de cama, mesa e banho para 25 comunidades e 113 entidades sociais do município.

São Bernardo inicia a campanha no fim de maio. Desde 2017, já foram arrecadadas 587 mil itens. O Fundo Social de Solidariedade de São Caetano informou que está no aguardo das diretrizes do governo do Estado de São Paulo para lançar a campanha na cidade. 

Mauá também planeja iniciar a mobilização ainda em maio. A cidade arrecadou em 2021 cerca de 20 mil peças de roupas e 1.000 cobertores. As peças são destinadas prioritariamente para o Centro Pop e para o albergue municipal, para atender as pessoas em situação de rua. Posteriormente, as peças também poderão ser destinadas para instituições do município.

O Fundo Social de Solidariedade de Ribeirão Pires também informou que seguirá o calendário do Fundo Social do Estado, sendo assim a campanha acontecerá no mesmo período. A instituição aguarda a chegada das caixas enviadas pelo governo estadual e relatou que a campanha do Inverno Solidário tem o seu foco em cobertores novos, mas que irão aceitar todos os acessórios e demais doações. No ano passado, foram arrecadados mais de 800 cobertores e mais de 8.000 peças de roupas variadas na cidade.

Rio Grande da Serra não respondeu até o fechamento desta edição. 



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