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Poesia de Bruna Fonte ensina que o amor não acaba quando termina

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em sua estreia nos versos, escritora de Santo André expõe que é a soma de todos os relacionamentos que já experimentou na vida


Evaldo Novelini
Do Diário do Grande ABC

15/05/2022 | 08:42


"Que seja eterno enquanto dure", sintetizou o poeta Vinicius de Moraes, em seu Soneto de Fidelidade, sobre a efemeridade do amor. A escritora Bruna Ramos da Fonte, são-bernardense radicada desde sempre em Santo André, estreia na poesia contestando o colega carioca. Versos de Amor e Despedida (Patuá Editora, 64 páginas, R$ 40), que acaba de chegar às livrarias, é uma ode aos amores perpétuos.

"Na constante permanência do tempo/no alto do sagrado altar de minh''''alma/guardo presentes amores passados/ que o meu coração jamais saberia/­sequer poderia­/um dia deixar de amar", Bruna escreve em "Versos", texto que inaugura a obra e cujo excerto serve de fio condutor a todos os 15 poemas do livro, ilustrado pela artista visual capixaba Leila Kelly Gualandi.

Não que fosse necessário, dada a clareza dos versos, mas Bruna quis explicar, nas "Palavras da Autora" que fecham o volume, suas intenções ao escrever o livro. "Marca o fim dessa minha jornada em busca de compreender a relação entre o amor e a despedida", relata, antes de concluir: "Relacionamentos amorosos terminam, mas (...) o amor ­ quando realmente existiu ­ não acaba jamais".

É no poema sugestivamente intitulado "Cicatrizes" que a autora finca com maior empenho as raízes de sua tese sobre a perenidade dos relacionamentos. Amores, caso sejam dignos desta definição semântica, moldam a existência dos amantes, ainda que eles decidam se separar.

"E assim sem motivos para ficar/nos despedimos um do outro/assombrados pelos fantasmas/de tudo aquilo que poderia ter sido/mas não tivemos coragem de ser." E dá-lhe cicatrizes.

Há razões, claro, para tanta saudade. Amor, aprende-se ao correr das páginas, constrói-se com intimidade ­ e a inquietude e a dor impõem-se à sua falta. A maior parte da poesia de Bruna fala de diálogo entre almas. "Fantasias" destoa ao pôr dois corpos, sedentos, para conversar: "Hoje eu vou pular carnaval/entre quatro paredes/janelas e portas fechadas/esperando o seu bloco passar".

O tom biográfico permeia o livro do primeiro ao último verso, o que lhe aumenta a autenticidade. "É impossível não sentir o impacto das tensões que se instauram e vão se articulando ao longo de suas páginas", aponta, no prefácio, Jiro Takahashi ­ sim, ele mesmo, o lendário editor da icônica Coleção Vaga-Lume, cujos títulos despertaram na então adolescente Bruna a paixão pela literatura. "Alimentaram o meu sonho de ser a escritora que me tornei", ela conta.

O resultado está aqui. Os poemas se sucedem tão cheios de vigor, lembranças e desejos que é possível tocar a textura dos sentimentos impressos em Versos de Amor e Despedida ­ a ponto de o leitor sentir inveja das pessoas que o eu lírico de Bruna Fonte amou e lhe inspiraram. 

Livro escrito com Roberto Menescal, sobre a bossa nova, ganha nova edição

Um dos livros mais famosos de Bruna Ramos da Fonte, Essa Tal de Bossa Nova, escrito há uma década em parceria com o músico capixaba Roberto Menescal, vai ser relançado pela Editora Rocco em outubro, mês em que o coautor e fundador do movimento musical completará 85 anos. Ele nasceu no dia 25 em Vitória, capital do Espírito Santo.

Bruna trabalha atualmente na revisão do texto, que vai preencher mais que as 184 páginas da versão original. Ao Diário, a autora conta que incluiu episódios que aconteceram com Menescal na última década. "É uma história que continua sendo escrita. Quando você escreve sobre alguém que já se foi, é uma história que já terminou", compara.

A reedição do livro permitirá também que determinadas passagens da vida de Menescal ganhem detalhes. Como a do namoro com a cantora Nara Leão (1942-1989), sua conterrânea, quando ela tinha 12 anos e ele estava às voltas com a maioridade. Bruna revela que deve mandar os origjnais para a editora ainda em maio.

A andreense também vive a expectativa da estreia do musical Quero Vê-la Sorrir, cuja temporada vai de 27 de maio até 19 de junho no Teatro Claro, no Rio de Janeiro. A peça, dirigida por Francisco Nery e Sueli Guerra, é baseada na biografia Sidney Magal: Muito Mais que um Amante Latino, que Bruna lançou em 2017 pela editora Irmãos Vitale.



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