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Professora lança livro para debater representatividade negra nas escolas

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Docente de Diadema escolheu dia da abolição para estrear a obra


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

13/05/2022 | 08:44


Foi o pedido do filho Augusto, 7 anos, para que a mãe e professora da rede municipal de Diadema Mercia Magalhães contasse uma história que ela mesma tivesse criado, que fez nascer o livro Kaya, uma História de Representatividade. A obra de estreia da docente propõe o debate sobre representação negra nas escolas, trazendo para as salas de aula a aplicação da Lei 10.639 de 2003, que tem como finalidade implementar o ensino de história e cultura afro-brasileira. O lançamento é hoje, na Biblioteca Olíria de Campos Barros, em Diadema.

A docente conta que durante a pandemia, quando lia para os filhos de 7 e 11 anos – Arthur é o mais velho –, o caçula a desafiou a criar uma história inédita. “Contei para eles e depois corri para escrever”, relembra. O livro traz um pouco da sua prática como professora, que sempre buscou trabalhar com os alunos os elementos da história e da cultura afro-brasileira. Kaya, protagonista do livro, é uma menina como tantas crianças, que por falta de representatividade deixa de enxergar a beleza advinda de seus ancestrais. O projeto é alinhado ao “ubuntu”, filosofia africana, presente na cultura de alguns grupos que habitam a África Subsaariana e tem como significado a humanidade com os outros, um conceito sobre a essência do ser humano e a forma como se comporta em sociedade. “Ubuntu significa generosidade, e solidariedade, e o desejo sincero de felicidade e harmonia, ‘Eu sou porque nós somos’”, explica Mercia.

Com o livro pronto, foi a hora de descobrir como poderia ser lançado, lidar com a rejeição de algumas editoras, e o apoio de amiga que sugeriu a inscrição no Proac (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, onde se classificou em primeiro lugar e conquistou a verba necessária para a publicação da obra.
A professora discute a questão de combate ao racismo estrutural, do apagamento histórico e cultural pelo qual a sociedade negra passou, mas fala também de diversidade e inclusão de toda e qualquer criança, independente de raça, credo, cor, gênero etc. “Somos diferentes, isto é um fato, mas temos que ter as mesmas oportunidades, igualdade de direitos”, comenta.

Além de todo o processo para escrita, Mércia avalia que todos os educadores se sentiram incomodados com as dificuldades que tantas crianças e adolescentes tiveram na pandemia para dar continuidade aos estudos. “Esse livro também nasce dessa inquietação e dessa tentativa de mudar a realidade”, pontua.

Da data de lançamento não poderia ser mais simbólica: 13 de maio, dia da abolição da escravatura no Brasil. “Uma oportunidade para refletir a verdadeira história que foi romantizada no decorrer do tempo. Estamos em constantes e incansáveis lutas por chão, pão e pertencimento”, finaliza. 



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