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O efeito da queda nas expectativas dos agentes econômicos


Sandro Renato Maskio

29/11/2021 | 00:01


Há cinco meses, na última semana de junho, o relatório Focus divulgado semanalmente pelo Banco Central indicava que a expectativa do mercado era de crescimento econômico de cerca de 5% em 2021 e de 2,1% em 2022 no Brasil.

Respondem semanalmente à pesquisa do Banco Central para captar estas expetativas mais de 100 instituições financeiras, gestores de recursos, empresas ligadas ao setor produtivo, distribuidoras e consultorias, entre outras.

No relatório divulgado em 19 de novembro, as expectativas dos analistas do mercado retraíram para crescimento de 4,8% em 2021 e de 0,7% em 2022. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia também reduziu as projeções de crescimento econômico para 5,1% e 2,1% em 2021 e 2022, respectivamente, ante as estimativas de 5,3% e 2,5% anteriores. 

Dois pontos, ao menos, são importantes desvendar. Primeiro, por que as expectativas se reduziram?

Um fator importante tem sido, no decorrer dos últimos meses, a observação de que as atividades setoriais não têm reagido positivamente. A variação da produção industrial mensal tem se mostrado negativa desde fevereiro, com exceção de maio. Nos últimos quatro meses o volume de vendas no varejo apresentou redução em todos os quatro. O setor de serviços teve desaceleração na trajetória do volume realizado, ficando negativo em setembro. Esses resultados referem-se até setembro de 2021 nas pesquisas setoriais mensais do IBGE.

O PIB do segundo trimestre do ano, comparado ao primeiro, apresentou variação negativa de -0,1%. Há que se ressaltar que, ao analisarmos a série do PIB trimestral brasileiro entre 1980 e 2021, o fator de correção sazonal do primeiro trimestre é de -3,62 pontos percentuais, e no segundo e terceiro trimestre é de 0,13 e 2,92 positivos. Isso demostra a tendência de aceleração da atividade econômica no segundo e terceiro trimestres do ano, como ocorre em outras economias.

Ou seja, os indicadores relativos à atividade produtiva deste ano de 2021, apesar das esperanças de recomposição das perdas de 2020, têm deixado a desejar. Sem dúvida, esta constatação reduz as expectativas anteriormente formadas sobre o desempenho da economia brasileira. 

Nesse contexto, a aceleração da inflação contribui negativamente, pois vivenciamos uma inflação de custos, que pressiona a estrutura operacional do setor produtivo de um lado. Do outro, a elevação dos preços reduz significativamente o poder de compra dos consumidores, o que tende a retrair a demanda e provocar menos estímulos aos produtores. Sobretudo em período de elevado desemprego, em que não conseguimos recuperar a massa real de renda no mercado de trabalho comparativamente a dezembro de 2019.

E quais os efeitos que a queda de expectativas provoca? 

A dinâmica da economia, em grande parte, é movida pelo aproveitamento de oportunidades que viabilizam a operação produtiva nos diferentes setores e estimulam o fluxo de investimentos. Uma boa dose da avaliação das potenciais oportunidades e da viabilidade em se apostar nelas depende das expectativas do comportamento econômico nos próximos períodos. 

Com isso, uma redução significativa das expectativas no presente tende a contaminar a avaliação dos empreendedores e dos gestores do setor produtivo, que em geral adotam estratégias e posições mais defensivas, como aguardar para realizar novos investimentos, postergar decisões de ampliação da produção e da contratação de empregados, entre outras. 

No caso brasileiro, a aproximação das eleições majoritárias do segundo semestre de 2022 e os contornos políticos que temos assistido nos últimos anos contribuem para a postura mais tímida por parte do setor produtivo e financeiro da economia. 

O efeito destas estratégias mais defensivas, inevitavelmente, acaba contribuindo para um ritmo mais morno da atividade econômica, o que tende a reduzir eventual aceleração do País. De certa forma, queda de expectativas torna-se, em parte, uma profecia autorrealizável.

Sem a pretensão de querer afirmar aqui que a projeção apresentada no relatório Focus é mais ou menos realista que a projeção da equipe do Ministério da Economia, parece claro, para o próprio governo, que 2022 será um ano bastante tímido em termos de desempenho econômico. 



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