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No filme 'Sol', o tempo aumenta o abismo familiar entre pai e filho



27/10/2021 | 08:00


Depois de Jonas, seu primeiro longa de ficção, a diretora Lô Politi volta a investigar o universo masculino em Sol, que estreia nesta quarta-feira, 27, às 20h30, na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. "Sempre acho fascinantes histórias de pai e filho, principalmente entre homens, porque têm muito do não dito", explicou Politi em entrevista ao Estadão, por videoconferência.

O personagem principal é Theo (Rômulo Braga), que recebe em sua casa sua filha Duda (Malu Landim), hoje morando fora com a mãe, depois de um ano de distância. Ele tem dificuldade de se relacionar com a menina. É então que ressurge em sua vida seu pai, Theodoro (Everaldo Pontes), que não vê desde menino. Theo acaba indo com Duda para o sertão da Bahia. "Ele é obrigado a ir atrás de entender essa desconexão com o pai para daí conseguir se conectar com a filha", disse a diretora.

O grande vilão da história é o tempo. Sua passagem faz com que qualquer reaproximação ou reconciliação vá ficando mais difícil. Sobram a culpa e a vergonha. A secura do sertão era importante para representar esse sentimento - não por acaso, a lembrança que Theo tem de Theodoro é feliz e se relaciona com a água. "O Theo simbolicamente vai para o deserto, enfrenta o deserto que virou a alma dele, um deserto de afeto mesmo", contou a diretora, que filmou na Bahia, um Estado com que tem uma relação especial.

Ela mergulhou naquele universo, primeiro para procurar locações, depois com os diretores de fotografia e arte, em seguida com a equipe e, por fim, para filmar. O resultado foi um álbum de fotografias destrinchando lugares, personagens, sensações e sentimentos, que serviu como guia. "Se você está superpreparada, presta atenção na mágica do set. Em um filme de sutilezas, de não ditos, é extremamente importante. Foi um processo maravilhoso, adoraria fazer sempre assim."

Depois de dois filmes centrados em homens, sua próxima ficção será dedicada a uma mulher, a cantora Gal Costa, no período entre 1967 e 1971. "Foi muito bom passar a pandemia mergulhada naquele universo maravilhoso da Tropicália. Era um período pesado da ditadura, mas eles foram uma explosão de cor, talento, música", disse Politi, que codirige com Dandara Guerra.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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