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A morte de uma empresa nunca é imediatista

O fim depende de um longo período agonizante, sofrido e de decisões individualistas


Rodermil Pizzo

20/10/2021 | 19:24


Uma empresa quando começa a ter este discurso de falência ou possibilidade de encerramento de atividades, normalmente, os clientes e funcionários se dizem surpresos. Porém uma empresa não vai a banca rota do dia para a noite.

O processo de encerramento e de quebra se dá ao longo de no mínimo cinco anos.

Decisões errôneas constantemente, perda de dinheiro a cada relatório mensal, semestral ou anual, indenizações e processos, entre outros, são sinalizadores que a vida da empresa esta em jogo.

Diferente da vida humana que pode ser ceifada por acidentes, como atropelamento, assassinatos ou fatalidades e que levam a morte imediata, uma empresa não corre literamente este risco.

Ilustrando, o fim de uma empresa é como um tumor que se inicia pequeno, e se diagnosticado precocemente, com tratamento correto, pode demandar anos para evoluir ou pode até mesmo ser extirpado.

O problema que na saúde pessoal não temos de lidar com egos e aceitamos opiniões de especialistas como médicos, já nas empresas temos o famoso bordão “eu sei o que estou fazendo“.

Uma empresa que se preza ouve a todos, indiferente de hierarquia. Note que o porteiro do prédio e o cabeleireiro sabem mais da sua vida que sua psicóloga.

Não aceitar mudanças, não aceitar evolução, não aceitar novos desafios, não ouvir pessoas de cargo inferior, podem levar a empresa a fechar as portas.

Veja um clássico comum, eu estava em um destino turístico trabalhando como guia internacional, e recebi de uma recém-chegada na diretoria da empresa, uma ordem absurda e que discordava totalmente, pois esta profissional se quer conhecia o destino, bem como as regras e as convenções daquele país. Diante da minha negativa de fazer o que me pediu, ouvi como resposta o famoso truco: “SOU A DIRETORA INTERNACIONAL AGORA, FAÇA O QUE MANDO OU DEIXE O CARGO”.

Como precisava do emprego, obvio que acataria a decisão superior e respeitei a hierarquia, fazendo e obedecendo (obedecer é diferente de concordar).

Daquele momento em diante, após três anos de decisões errôneas, o destino perdeu forças, os clientes passaram a não aprovar o local e divulgavam que a região era ruim, perigosa e sem estrutura, de boca em boca foi afundando. Resultado?

A diretora fora demitida anos depois (porem arrebanhou uma boa indenização e montou um negocio próprio, onde hoje toma decisões mais acertadas, porque investiu recurso próprio e não é mais CLT); o destino finalizou para brasileiros sem demandas expressivas até hoje; e eu deixei o cargo na época porque não havia mais necessidade de minha presença para atender os poucos turistas que lá visitam.

No revés dos contos de fadas, todos não viveram felizes para sempre, graças á fada madrinha que não ouvia ninguém, tomou decisões soberanas, e dizia saber de tudo.

PS - Gostaria de trocar a letra (a) de fada para a letra (o) porem por ética não o farei.
 

Rodermil Pizzo tem 36 anos de atividades no turismo. É jornalista, empresário, professor universitário e mestre em hospitalidade. Esta coluna é atualizada todas as terças-feiras. E-mail: rodermil@dgabc.com.br.



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