Fechar
Publicidade

Domingo, 5 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Livros retornam; livrarias, não



18/10/2021 | 17:00


Quem analisa a situação das livrarias no Brasil pensa que o consumidor deixou de ler. Durante algum tempo, isso até foi verdade. À medida que, abatidas por crises, as gigantes Saraiva e Cultura fecharam dezenas de lojas, a venda de livros também minguava. Mas não foi o que ocorreu na pandemia, período em que o brasileiro redescobriu a leitura. Não só o total de unidades comercializadas e a receita passaram a crescer de forma saudável, mas o preço médio de venda - que caía havia anos - voltou a subir.

O Brasil tinha quase 3,1 mil livrarias abertas em 2014, segundo a Associação Nacional de Livrarias (ANL). Hoje, a estimativa é de que o total seja de 2,2 mil. Por outro lado, após anos difíceis, o comércio de livros mostra fôlego. Nos 12 meses encerrados em setembro, diz o Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel), a receita atingiu R$ 175 milhões, expansão de 13,64% ante o período anterior. O preço médio de venda voltou a superar R$ 40 - uma bem-vinda alta de 4%.

No ano passado, segundo o Snel, as vendas de livros online cresceram 84%. As livrarias exclusivamente virtuais - segmento que inclui a Amazon - viram sua parcela do faturamento atingir 43%. Somados a outros varejistas online, como Magazine Luiza e Americanas, a participação do mundo virtual supera 50%.

Isso de acordo com os dados oficiais. Para Sérgio Herz, presidente da Livraria Cultura - que está em recuperação judicial e fez um radical corte em seu total de lojas -, o domínio de gigantes varejistas varia entre 60% e 80% do setor, a depender do perfil das editoras.

Além disso, outras opções para ter acesso à leitura também surgiram. Um dos fenômenos recente foi o reaparecimento dos clubes de livros. Apesar de representar uma fatia pequena, de 2,7%, eles dispararam 174% no ano passado, segundo o Snel.

Ou seja: enquanto buscam um modelo para seu retorno, as livrarias físicas, agora, têm um pedaço do setor muito menor para chamar de seu.

Lojas menores

O perfil das livrarias no Brasil mudou de vez. Assim como ocorreu no exterior, as grandes redes viram sua influência minguar - por aqui, tanto Saraiva quanto Cultura estão em recuperação judicial. As megastores, que vendiam de tudo e tinham a intenção de ser um "ponto de destino" para o apreciador de literatura, praticamente sumiram. Com um mercado muito menor nas mãos, já que boa parte do consumo migrou para o online, a austeridade virou agora a palavra de ordem no setor.

Depois de chegar a 114 unidades, a endividada Saraiva tem hoje 40 unidades em operação - muitas delas com dificuldades para encher as prateleiras de livros. A Cultura, conhecidas pelas lojas bem decoradas, só tem cinco operações. Desta forma, o posto de maior livraria do País acabou caindo no colo da mineira Leitura.

Comendo pelas bordas, a rede do empresário Marcus Teles é forte nas regiões Norte e Nordeste. Com um crescimento na base do "devagar e sempre", a empresa criada em 1967 está próxima da marca de cem unidades. Além dos livros, a rede tem um forte foco em papelaria - no Shopping West Plaza, em São Paulo, é o material escolar que domina a entrada, e não os livros mais recentes.

Seguindo os passos da Leitura, a Livrarias Curitiba tem hoje 25 lojas. A companhia está preparando no momento um plano físico de expansão. Entre os planos para fechar as contas está a criação de mezaninos, que garantem mais espaço de venda sem acréscimo no aluguel, conta Marcos Pedri, diretor comercial da Curitiba.

A estratégia também tem sido a de usar itens de papelaria para atrair o público. Apesar de deixar claro que seu principal negócio é vender livros, a empresa identificou que 60% dos compradores de livros entram na loja atrás de papelaria. "O cliente acaba sendo fisgado. Foi uma forma encontrada para atrair o público", diz.

A paulistana Livraria da Vila tem conseguido crescer e acelerou o passo na pandemia. Desde o ano passado, seis lojas foram abertas, elevando o total a 13. Para o presidente da Livraria da Vila, Samuel Seibel, as inaugurações atendem a regiões que ficaram "órfãs" de livrarias, como o Shopping Eldorado, antigo reduto da Saraiva.

"Lojas grandes não são a nossa cara. Nas menores, é possível ter mais cuidado com a curadoria dos livros. E, claro, os custos são menores", diz Seibel, dono da varejista fundada em 1985 na Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo.

Nova fase

Para o especialista em mercado editorial, o consultor Eduardo Villela, o mercado está em meio a uma transformação. "O custo operacional das megalojas inviabiliza o modelo, que vejo fadado a acabar." Ele diz que até as livrarias que hoje seguem em pé precisarão passar por mudanças para enfrentar as gigantes Amazon, Magalu e Americanas. Aos poucos, em sua visão, as livrarias serão direcionadas a certos nichos, como literatura infantil, feminina ou LGBTQIA+. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;