Fechar
Publicidade

Sábado, 4 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Nossos sonhos são os mesmos


Sandro Máskio*

18/10/2021 | 00:21


Vou pedir licença para o leitor e convidá-lo a uma reflexão crítica sobre as expectativas, especialmente em torno das oportunidades e escolhas que realizamos ao longo do tempo, e de como a trajetória do ambiente econômico afetam nossas oportunidades de escolha e de realizações.

Ao longo dos anos, o grau de satisfação que conseguimos alcançar em nossas vidas está intimamente associado à capacidade de aproveitamento das oportunidades com as quais nos deparamos, a partir de nossas escolhas, nos variados aspectos que compreendem nosso cotidiano.

Entretanto, uma parcela bastante significativa das questões nossas vidas estão atreladas às relações ou à infraestrutura econômica, ou são afetadas por ela. Como por exemplo inserção no mercado de trabalho, progresso profissional, acesso a habitação, infraestrutura de educação e saúde, entre outros.

Quero acreditar que, dada a especificidade do sonho de cada indivíduo, a grande maioria almeja minimamente oportunidades de conseguir melhorar a qualidade de vida ao longo do tempo; poder conviver em um ambiente com algum grau de estabilidade econômica, o que não significa estar a salvo dos riscos inerentes às escolhas que fazemos; conseguir acessar condições que lhes permitam maior segurança o planejamento de suas decisões.

Não aponto acima questões necessariamente atreladas às condições materiais. Mas à oportunidades que possibilitem usufruir de melhores opções de escolha em torno das questões econômicas que cercam nossa vida.

Entretanto, se olharmos a trajetória da economia brasileira, especialmente na última década, para a grande maioria da sociedade brasileira, muito provavelmente os pontos que elenquei acima pioraram.

Esta piora leva inevitavelmente à avaliação de um menor grau de satisfação. Não à toa o Brasil tem perdido posição nos rankings que procuram avaliar este aspecto, como o Relatório Mundial da Felicidade da ONU.

Em meados da década de 1980, logo após a redemocratização, o poeta escreveu que “nossos sonhos são os mesmos há muito tempo, e não há mais muito tempo para sonhar”. Um claro desabafo diante da expectativa da melhoria que o novo ambiente político econômico vindouro no país poderia proporcionar.

Em que pese algumas melhorias que o País conquistou nas últimas décadas, a provocação para qual convido o leitor está em avaliar sobre o quanto o ambiente econômico tem contribuído para proporcionar, ou afastar, as oportunidades em seu cotidiano. Afinal de contas, é a partir da sequência de oportunidades e escolhas que construímos nossa vida.

Não vou fazer aqui nenhuma consideração mais que possa influenciar a avaliação individual de cada um. Irei apenas completar a frase do poeta que, há mais de anos afirmava que “tudo é igual quando se pensa em como tudo poderia ser, há tão pouca diferença e tanta coisa a fazer”.  

*Sandro Máskio é coordenador de estudos do Observatório Econômico e professor da Umesp, campus Rudge Ramos



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;