Fechar
Publicidade

Domingo, 5 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Dólar cai 1,11% com apetite externo ao risco e atuação do Banco Central



15/10/2021 | 17:44


O ambiente externo de apetite ao risco, com alta das Bolsas em Nova York, e o efeito cumulativo das intervenções do Banco Central minaram o fôlego do dólar no mercado doméstico de câmbio nesta sexta-feira, 15. No fim da manhã, sob efeito de leilões de swaps (extra e de rolagem) e de declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, a moeda à vista chegou a ser negociada abaixo do patamar de R$ 5,44, ao registrar a mínima de 5,4346 (-1,48%). Com uma redução do ritmo de perdas ao longo da tarde, o dólar voltou a rodar na casa de R$ 5,45, mas ainda assim fechou em queda firme, de 1,11%, cotado a R$ 5,4547. Com o tombo hoje, a divisa americana fechou a semana em queda 0,77% e avança de apenas 0,16% em setembro.

Operadores destacam que o real voltou a andar em sintonia com seus principais pares entre as divisas emergentes, já que o rand sul-africano e o peso mexicano também apresentaram ganhos de cerca de 1% em relação à moeda americana hoje. O índice DXY - que mede a variação do dólar frente a seis divisas fortes - operava perto da estabilidade, abaixo da linha dos 94 pontos.

Em evento virtual pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC admitiu que pode haver uma "dinâmica perversa" no câmbio, mas reforçou que a instituição tem uma "capacidade robusta" de intervenção no mercado - no que foi interpretado, nas mesas de operação, como um recado de que não vai deixar a taxa de câmbio à deriva. Serra disse também que o mercado teve "claramente dificuldade em digerir" parte do risco cambial desde fins de setembro, fruto da saída concentrada de recursos, o que acabou levando o BC a atuar para garantir a liquidez. "É sempre melhor quando o mercado funciona sozinho, mas os volumes vendidos pelo BC nos últimos dias mostram que estamos atentos", afirmou Serra, acrescentando que "se a política econômica ficar de pé", o dólar vai perder força, "voltando a responder ao diferencial de juros".

"A postura do BC mudou claramente nesta semana com os leilões extras de swap, que já somaram US$ 3 bilhões. Isso revela que o BC está reticente em dar um aumento de juros ainda maior já que a inflação está vindo de choques de oferta", afirma o economista-chefe da Integral Group, Daniel Miraglia, para quem o dólar, a despeito da presença mais forte do BC, ainda tende a seguir pressionado em razão de um cenário fiscal desafiador, inflação ainda elevada e deterioração das expectativas de crescimento. "Além disso, o Federal Reserve vai reduzir os estímulos no fim do ano, o que terá impacto nas moedas emergentes."

Embora não se descarte a possibilidade de o dólar voltar a ser negociado acima de R$ 5,50 e busque até R$ 5,55 no curto prazo, operadores avaliam que a atuação do BC quebrou a espiral de desvalorização do real. Com a autoridade monetária na ponta vendedora, a montagem de posições compradas (que apostam na alta do dólar) se torna muito mais arriscada, o que inibe a especulação e evita que haja uma antecipação da busca por hedge.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, afirma que a antecipação da oferta de swaps para overhedge dos bancos, cuja demanda será concentrada no fim do ano, acabou levando parte do mercado a acreditar que o BC estava tentando conter o dólar por causa da inflação.

"Começou um movimento de especulação para chamar o BC ao mercado. Esses leilões extras quebraram essa dinâmica. Agora ficou mais desconfortável ficar comprado, porque o BC pode intervir e dar liquidez para atender à demanda por dólares", diz Galhardo, que vê a taxa de câmbio rodando, no curto prazo, em uma banda entre R$ 5,35 e R$ 5,55, acrescentando que o aumento das remessas típico de fim de ano, aliado ao ruído político e ao cenário externo ainda conturbado, impõem um piso à taxa de câmbio.

No início da tarde, em evento online organizado pelo banco Goldman Sachs, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, reafirmou que o câmbio é flutuante e que a instituição intervém "quando o mercado está disfuncional". Além da demanda adicional de dólares por questões técnicas, como o overhedge dos bancos (US$ 17,4 bilhões), Campos Neto reconheceu que o mercado preficica incertezas no campo fiscal.

Hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, voltou a dizer que a votação da PEC dos Precatórios será na próxima semana, com apreciação pela Comissão especial na terça-feira (19) e no plenário na quarta (20) ou quinta-feira (21). O relator da Medida Provisória do Auxílio Brasil, deputado Marcelo Aro (PP-MG), disse, com exclusividade ao Broadcast, que o programa terá orçamento de R$ 34,7 bilhões sem essa PEC. Caso a proposta seja aprovada, esse valor sobe para R$ 60 bilhões.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;