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‘MBL é adulto na sala, deixou de ser moleque’

Celso Luiz/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fabio Martins
Do Diário do Grande ABC

04/10/2021 | 00:01


O deputado estadual Arthur do Val (Patriota), conhecido como Mamãe Falei, considerou que o MBL (Movimento Brasil Livre), grupo do qual faz parte e é uma das lideranças, mudou de patamar político depois das manifestações do dia 12 de setembro, contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na visão do parlamentar, ao unir figuras dos mais variados espectros eleitorais, o MBL deixou de ser “moleque” para se tornar “adulto na sala” na discussão sobre os rumos do País. Mamãe Falei comenta sobre sua pré-candidatura ao governo do Estado, se vê como alternativa ao PSDB e à esquerda e afirma que PT só finge que apoia o impeachment de Bolsonaro.

Qual o motivo da decisão de ser candidato ao governo do Estado, tendo em vista ser seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa e que o caminho pela reeleição seria o mais natural?

Quando eu entrei na política, nunca foi pensando em plano de carreira política. Para mim, de fato, seria muito mais fácil tentar uma reeleição ou me candidatar a deputado federal. A intenção não é essa, e sim cumprir uma missão. A gente precisa colocar o País nos eixos. Foi o que me motivou, em primeiro lugar, a entrar para a política. E quero ir para o Poder Executivo para mostrar que nós temos esse perfil e que a gente não fica só apontando o problema. Queremos apresentar a solução. Em relação ao atual cenário, não podemos deixar o Estado refém do PSDB.

O sr. foi eleito em 2018 pelo DEM, partido que te expulsou das fileiras e que era presidido estadualmente pelo Rodrigo Garcia. Qual a sua avaliação do cenário, principalmente tendo o projeto governista encabeçado pelo vice-governador? Qual a sua relação com ele?

Vemos que o PSDB é partido que domina São Paulo há tanto tempo que até os candidatos que se colocam hoje, na verdade, são 50 tons de PSDB. De uma forma ou de outra, tiveram ligados ao partido. Ao entrar pelo DEM, a gente precisou procurar partido, que, como deixamos claro desde o começo, era plataforma para disputar eleição. Assim que assumi fui expulso no primeiro ano por não concordar com as pautas do governo João Doria. O que vemos agora são as velhas práticas, de sempre. Temos que lembrar que ele aumentou gastos em publicidade, aumentou salário do topo da elite do funcionalismo público e aumentou ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na pandemia. Isso tudo foi avalizado pelo Rodrigo, que é quem governa de fato, enquanto o Doria faz propaganda. E o que vamos enfrentar em 2022? Assim como em 2020, quando disputei a prefeitura da Capital, enfrentamos a máquina, que cooptou partidos como Avante, Pros e Podemos, hoje temos o governo do Estado que libera recorde de emendas, inclusive, a deputados federais. Mantivemos independência, se tiver que remar contra a maré a gente rema, contra Lula, Bolsonaro, Doria. Vai ser briga de máquinas. Vamos representar setores que discordam disso, como também da esquerda, a exemplo de Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (Psol), e não vamos, de maneira nenhuma, pagar pedágio ideológico ao Bolsonaro.

Visto que o MBL tem criticado com mais veemência o governo Bolsonaro, como vê a gestão dele e a política do ministro da Economia, Paulo Guedes?
Deixo claro que em 2018 a gente fez de tudo para criar alternativa à direita que não fosse o Bolsonaro. Tentamos apoiar até o Flávio Rocha (dono da Riachuelo).

Somente quando a situação foi dicotômica no segundo turno (aderimos ao Bolsonaro). Portanto eu, eleito. Muita gente fica falando que me elegi às custas do Bolsonaro, não foi. Eu o apoiei no segundo turno, minha foto com ele foi no segundo turno. Poderia ir para a praia, tomar sol e água de coco, mas decidi trabalhar pelo Brasil de graça. O Bolsonaro traiu tudo o que ele prometeu. A gente não queria milagre dele. Mas que combatesse a corrupção e trouxesse agenda liberal dentro da medida do possível. Ninguém queria milagre. O Bolsonaro enterrou o combate à corrupção para salvar a família dele, de corruptos. Isso tudo mostra que ele não é confiável. Ele só não foi condenado porque é presidente (da República) e presidente não pode ser investigado sem autorização do procurador-geral da República (Augusto Aras), nomeado por ele. Quando ele teve as indicações ao STF (Supremo Tribunal Federal), o Bolsonaro traiu sua promessa de campanha e colocou o Kássio Nunes. Não coincidentemente, quando o Kássio Nunes entrou, votaram a suspeição do (ex-juiz Sergio) Moro. Consequentemente, livrou o Lula para concorrer. Na agenda liberal nem precisamos dizer. O Bolsonaro não dá o exemplo. Gasta recorde no cartão corporativo e esconde os gastos, gasta recorde em férias, gasta mais com viagem do que a ponte que vai inaugurar. Ele simplesmente não passou nenhuma reforma. Todo esforço do Bolsonaro, dando emenda e cargo para o Centrão, quando enterra o combate à corrupção, não é em prol de agenda reformista, é em prol da salvação da família. Nosso papel, enquanto cidadão, enquanto inclusive liderança política, não é tomar caminho fácil, de surfar na onda bolsonarista. É tomar o caminho certo e o certo muitas vezes passa por criticar. Nosso papel de cidadão é ser cético com relação ao governo e não idolatrá-lo. Acredito que temos cumprido esse papel e as pessoas enxergam. Não à toa o Bolsonaro tem rejeição recorde, aprovação mínima. Nunca tivemos um governo com 1.000 dias com avaliação tão ruim, a não ser o Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello), que logo depois renunciou. Nosso papel é esse mesmo, mostrar que a gente não merece ficar refém de Lula ou Bolsonaro.

Com relação à manifestação do dia 12, qual avaliação? Houve críticas que o ato foi aquém de adesão. Também teve gente compartilhando vídeo no qual o sr. critica a baixa adesão...

Veja como fake news rodam. Eu fiz um vídeo que era uma isca para fake news. Dizendo que a gente tinha feito esforço e a manifestação estava vazia. No mesmo vídeo eu viro a câmera, combinado com a plateia, e todo mundo grita. Claro que bolsonaristas cortaram o vídeo e espalharam somente o trecho que supostamente estou reclamando. Foi uma ironia que fiz, não estava reclamando. Não acho que a manifestação foi aquém do que esperávamos. Sabia que de maneira alguma teríamos do tamanho da do Bolsonaro, pois ele usou a máquina pública, usou dinheiro público. Achei que a manifestação foi muito grande. Pela primeira vez juntamos diversos setores da sociedade que discordam muito entre si para defender a democracia. Defender uma pauta quase que subjetiva como a democracia, que no fim das contas é uma pauta objetiva, é difícil. Juntar em um caminhão sindicatos, Ciro Gomes (PDT), Psol, Heni (Ozi Cukier) do Novo, (João) Amoêdo (Novo), Doria, MBL, CUT (Central Única dos Trabalhadores). Juntar toda essa galera para defesa do direito de discordar não é missão fácil. Cumprimos com muita satisfação. Digo que será histórico. Daqui a dez, 15 anos, quando nossos filhos olharem para trás, verão que teve uma galera que defendeu cloroquina em troca de likes e votos e teve galera que assumiu risco de ser taxada e de ser vítima de fake news para defender a democracia, algo que fizemos. Acredito que a manifestação foi sucesso, nos colocou em outro patamar, como adultos na sala. Hoje o MBL não é bando de moleque louco gritando e reclamando da vida. Se vê que o MBL é um movimento com propostas concretas, embora haja setores que discordem dessas propostas, mas somos os adultos na sala. Fomos o palco de marco histórico na defesa da democracia que estará nos livros de história daqui a décadas. Acredito que essa manifestação teve papel histórico, foi maravilhosa. Mostrou que o Bolsonaro não está com essa corda toda. Até porque ele fez a manifestação e dois dias depois traiu a própria pauta. A gente vê Bolsonaro elogiando voto eletrônico e o ministro Barroso (Luís Roberto Barroso, do STF). A gente continua o mesmo, defendendo as mesmas pautas e crescendo.

O MBL ficou famoso pelas grandes manifestações que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016. Em grande parte, impeachment acontece quando há gente na rua reclamando. Esse público que foi à manifestação do MBL no dia 12 foi satisfatório para faze a pauta do impeachment de Bolsonaro avançar?

Sim. E o sintoma é claro. Tivemos manifestação no dia 7 com o Bolsonaro e no dia 12 com a gente. Na semana seguinte, o Bolsonaro perdeu mais apoio no Congresso. Partidos começaram a conversar como e quando vão fazer essa saída. Tenho certeza, e pode anotar, que isso vai acontecer. Não tenha dúvida que um Arthur Lira (presidente da Câmara, do PP de Alagoas), que terá de fazer campanha no Nordeste, não vai estar abraçado com o Bolsonaro. Ele vai largar o Bolsonaro. Isso (ato de MBL) é catalizador para ele fazer isso o quanto antes. O impeachment, claro, é conjunto de fatores. O impeachment é processo político, não técnico, e depende de apoio popular. A gente vê que hoje 56% das pessoas apoiam o impeachment e menos de 23% apoiam o governo dele. Estamos chegando a números que derrubaram a Dilma. Qual a capacidade de mobilização de pessoas literalmente saírem de casa? Depende de vários fatores. Depende da situação econômica, da própria pandemia, até do cansaço das pessoas. Isso, de forma alguma, fortalece a narrativa contrária, de dizer que o governo está bem. São medidas diferentes. A causa, a doença, está aí. O governo está cada vez mais doente, mais desesperado. O Bolsonaro dá sinais contraditórios o tempo todo. É um cão acuado, burro, rosnando e latindo sem saber o que fazer.

Várias lideranças políticas participaram da manifestação do dia 12, como Doria, Ciro, o Amoêdo, Simone Tebet (MDB). Daquele encontro, deu para tirar uma decisão de como o MBL vai se posicionar no ano que vem na formulação de terceira via?

Outra consequência da manifestação, e é importante falar aqui, é mostrar como o PT está sendo hipócrita. O PT não quer o impeachment do Bolsonaro, que para eles interessam o Bolsonaro presidente para o Lula ganhar a eleição. O melhor adversário para o Lula é o Bolsonaro e o melhor para o Bolsonaro é enfrentar o Lula. Isso mostra que o PT está sozinho e isolado. Todas as lideranças de direita, de centro e de esquerda, foram à manifestação. Duas grandes lideranças foram contra: o PT e o Bolsonaro. Só. Em relação ao apoio da terceira via, estamos tentando construir um caminho. Quem vai ser o nome, não sabemos. Qualquer nome que queira aparecer agora está atrasado. Seja Moro, (Luiz Henrique) Mandetta, Amoêdo, Ciro Gomes, que não acho que represente os anseios desse caminho. Todos eles estão atrasados no quesito estar na trincheira, lutando, se comunicando de forma clara o que pensam para o País. O MBL faz sua parte, construindo o caminho. Quem vai tomar esse caminho? Não sabemos. É a pergunta de 1 milhão de dólares. 

Raio X

Nome: Arthur Moledo do Val

Estado civil: Solteiro

Idade: 35 anos

Local de nascimento: São Paulo

Formação: Gestão pública pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro

Hobby: Praticar esportes como motocross, downhill, jiu-jistu e surfe

Local predileto: Minha casa

Livro que recomenda: Uma Nova Historia do Tempo, de Stephen Hawking

Artista que marcou sua vida: Paul Stanley, da banda Kiss

Profissão: Deputado estadual

Onde trabalha: Assembleia Legislativa



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