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Hospital de campanha de Ribeirão chega ao fim

André Henriques/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Equipamento de saúde, que salvou 857 moradores da Covid, começou a ser desmontado


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

01/10/2021 | 05:13


“Ninguém passa por um hospital de campanha sem ficar marcado para sempre.” A constatação é do médico Malek Imad, 33 anos, ex-coordenador do equipamento provisório erguido no Ginásio Ozires Grecco, em Ribeirão Pires. A unidade de saúde começou a ser desmontada ontem após 510 dias de operação e 1.039 pacientes atendidos, sendo que, destes, 857 tiveram alta e puderam voltar para a casa, já outros 182 tiveram a vida abreviada pela Covid.

Ao todo, a Prefeitura de Ribeirão Pires, sob comando de Clovis Volpi (PL), empenhou cerca de R$ 1 milhão por mês para a manutenção do hospital de campanha. O Executivo teve dificuldade em manter o equipamento e buscou auxílio financeiro com o governo do Estado e também com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Ainda que não recebia pacientes desde o dia 31 de julho deste ano, as instalações vazias consumiam aproximadamente R$ 200 mil mensais. A baixa demanda e o esforço financeiro foram determinantes para o desmonte do equipamento de saúde.

Malek relembra que durante todo o período em que coordenou os trabalhos dentro do hospital de campanha, as sensações que envolviam a equipe eram um misto de tristeza, angustia e também de felicidade. Durante toda a operação, 120 profissionais atuaram entre os leitos do hospital.

“Presenciei choro e tristeza nos corredores do hospital, mas também testemunhei momentos de alegria e alívio. Fizemos tudo que nos foi possível para atender nossos pacientes”, afirmou o médico, que sequer conseguia descansar entre os atendimentos. “Foi bem exaustivo, mas ver o hospital ser desmontado simboliza que, pelo menos agora, as coisas estão mais controladas na cidade”, declarou.

Prefeito Clovis Volpi avalia que o desmonte do equipamento “é uma vitória” do município sobre o novo coronavírus. “Vencemos a pandemia em Ribeirão Pires, com muito trabalho, com muita paciência e com muita compreensão do povo em nos ajudar. Os casos que ainda aparecem na cidade são isolados”, declarou o chefe do Executivo.

Sem o hospital de campanha Ribeirão Pires agora vai centralizar os atendimentos de pacientes com Covid nos 16 leitos disponíveis na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Luzia, sendo cinco de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), dez de enfermaria e um de isolamento, têm dado conta da demanda atual. Ontem a cidade mantinha dois pacientes internados no local, em um vaga de emergência e outro na enfermaria.  

Enfermeiro auxiliou familiares de vítimas a enfrentar do do luto

Enfermeiro que atuou no hospital de campanha de Ribeirão Pires, Valmir Lourenço Anda, 42 anos, recebeu a inglória missão de dar, por diversas vezes, a notícia da morte dos pacientes que estavam internados no equipamento de saúde. Mais do que isso, o profissional também levava os familiares para que reconhecessem o ente que havia perdido a batalha contra a Covid.

 Passado o momento de maior aflição da pandemia, o enfermeiro agora relembra das histórias que viveu no hospital de campanha. De acordo com ele, se as paredes do local tivessem ouvidos, elas escutariam todo o tipo de reação possível, desde as lamentações do óbito até o último perdão no leito de morte. “Não é fácil, por exemplo, dar a notícia de que um pai de sete crianças faleceu. Ou que a mãe solteira de dois adolescentes também não sobreviveu”, relatou. 

 Mas, ao mesmo tempo, Valmir declara que toda experiência que viveu dentro das paredes do hospital também o auxiliou a entender ainda mais a vida. O enfermeiro compreendeu que a jornada é muito frágil e que tudo pode mudar em questão de minutos. “Pude evoluir como pessoa e como profissional. Hoje, entendo muito mais a importância do trabalho do enfermeiro nesses momentos. Saio um pouco mais forte desta pandemia”, avaliou. 

 Por ter atuado na linha de frente em Ribeirão Pires, Valmir acabou contraindo a Covid-19 duas vezes. Em uma das infecções chegou a ficar pronado – técnica em que o paciente fica de barriga para baixo para melhorar as funções pulmonares. “Nesse momento cheguei a pensar: ‘ajudei centenas de pessoas a vencer a doença e vou acabar morrendo com ela’”, disse ele, que superou a enfermidade.  



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