Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 6 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

'A inflação só volta para mais perto da meta em 2023'



23/09/2021 | 17:00


O economista Armando Castelar, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz acreditar que a inflação deverá voltar para a meta só em 2023. Isso se o Banco Central (BC) persistir na política monetária restritiva. Ele considera equivocada a discussão que existe hoje de fazer uma convergência mais lenta para a meta, criando metas intermediárias. "Mudar a meta no lugar de tentar chegar perto dela reduz a credibilidade do BC." A seguir, os principais trechos da entrevista.

O que acha da decisão do BC de subir gradualmente a Selic?

Acho que ele está correto de não ficar alterando ao sabor dos dados, porque acaba criando ansiedade muito grande, o que é ruim para economia. Subir um ponto porcentual é um bocado de coisa. Não custa lembrar que, no início do ano, o BC surpreendeu ao aumentar 0,75 ponto, quando mercado esperava 0,5 ponto.

Com essa estratégia o BC vai conseguir segurar a inflação e trazê-la para meta em 2022?

Trazer para meta, não. Segurar, sim. Neste ano, a inflação deve fechar em 9%. Em 2022, possivelmente vai fechar mais perto de 5%, do que de 3,5% (o centro da meta).

Quais são os riscos inflacionários, no momento, para 2022?

A força maior da inflação de 2022 virá dos preços dos serviços, que tiveram uma inflação muito baixa neste ano por causa da pandemia. Com a normalização das atividade, as pessoas voltaram a frequentar restaurantes, viajar e os preços sobem. A inflação de serviços é 35% do IPCA. Há também uma indexação grande e parte da pressão inflacionária do ano que vem virá dessa indexação. O quadro mais otimista para inflação poderá vir do preço da energia elétrica. A energia vai terminar o ano num patamar muito alto por conta da tarifa extra criada em agosto e prevista para acabar no final de abril. Se tivermos chuvas e a tarifa acabar, poderemos ter um impacto negativo da energia no IPCA de 2022. O outro ponto é o preço dos alimentos, que pode dar uma contribuição relevante, com aumento da oferta. Mas historicamente, a inflação não costuma cair de um patamar de 10% agora em setembro e 9% no final do ano para uma coisa tão significativa de 4%, como prevê a mediana do Boletim Focus do BC em 2022. Seria surpreendente se isso acontecesse. É bom lembrar que o ano que vem tem eleição, e o câmbio pode oscilar.

O mercado está equivocado?

Está muito otimista. A inflação de 2022 está mais para 5% do que para 4%.

Quando voltamos para a meta?

Se persistirmos com a política monetária com juros restritivos acima do juro neutro, poderemos trazer a inflação para perto da meta em 2023.

Há um debate de que se poderia ter uma convergência mais lenta, criando metas intermediárias. Qual é sua opinião?

Isso aconteceu em 2016, quando Ilan Goldfajn assumiu o BC. Ele explicitamente se recusou a fazer isso e conseguiu que as expectativas convergissem mais rapidamente para a meta. Essa é uma lição importante que está sendo esquecida agora. Mudar a meta no lugar de tentar chegar perto dela reduz a credibilidade do BC. Hoje tem gente defendendo essa posição, e acho equivocada.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;