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Governo quer investir em ensino, defende nomeada pelo presidente



19/09/2021 | 17:02


A reitora Ludimilla Carvalho de Oliveira, da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa), que fica em Mossoró (RN), também reclama de perseguições. Desde que foi escolhida em maio de 2020, mesmo sendo a 3.ª da lista, conta que foi ameaçada de morte e nem as mulheres a defendem. "Fiz parte de uma lista e não de uma fila. A reitora está trabalhando, não vai recuar. Sou legítima", afirma ela, que já apareceu em fotos com Bolsonaro e é recebida frequentemente pelo ministro Milton Ribeiro.

"O ministro tem sido diplomático, técnico, temos uma relação excelente", conta. Para ela, a gestão Bolsonaro "está interessada em investir em educação" e os reitores precisam deixar de colocar a culpa de todos os problemas nos cortes orçamentários. "Está faltando vontade para fazer a diferença."

Professores falam em "postura autoritária" da reitora, que causou polêmica ao pendurar no gabinete um quadro do general Artur da Costa e Silva. A justificativa foi a de que ele foi um dos responsáveis por criar a antiga escola que deu origem à Ufersa.

"Além disso, a gestão é despreparada, tem pró-reitores inexperientes, com pouca capacidade de liderar processos, de estabelecer diálogo", diz Thiago Arruda, da associação de docentes. Ludimilla e outros quatro reitores divulgaram carta informando que deixariam a Andifes, entidade que reúne os dirigentes das federais, crítica a intervenções nas universidades.

Indefinido. "Sempre escutei: não vão te nomear", diz o físico Telio Leite, mais votado em 2020 na eleição para reitor na Federal do Vale do São Francisco (Univasf), com câmpus na Bahia, em Pernambuco e no Piauí. Mas hoje quem está no cargo é o médico Paulo César Neves, que sequer era da lista tríplice. "Sei que me tratam como petista, comunista. E continuo nesse limbo."

O grupo de Leite foi o mais votado na consulta à comunidade. Na fase seguinte, no conselho universitário, ele e dois colegas da mesma chapa tiveram mais votos e compuseram a lista. O grupo derrotado questionou a eleição na Justiça e Neves foi nomeado reitor pro tempore em abril de 2020. Recentemente, a Justiça ordenou respeito à lista tríplice, mas ainda não há resposta do MEC.

A Federal da Grande Dourados (UFGD), de Mato Grosso do Sul, tem embate jurídico similar: está no 2.º reitor pro tempore desde 2019. A eleição também foi contestada pelo grupo perdedor e o MEC indicou uma reitora por conta própria, a educadora Mirlene Damasio, já trocada por outro temporário. Ela é acusada de defender os interesses da gestão Bolsonaro na universidade, foi a um ato do PSL com camiseta da UFGD e teria sido tirada do cargo por desentendimentos com um político local. Procurados, Mirlene e MEC não falaram.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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