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A reviravolta do homem cordial


Do Diário do Grande ABC

19/09/2021 | 11:32


O presidente da República convocou seus correligionários a integrar a defesa da Nação e da família brasileira: “Que cada cidadão tenha liberdade de ir e vir e de fazer o que quiser”. Ele invoca “o patriotismo na defesa de nossos símbolos nacionais” e “a convicção quanto ao que o Brasil representa na comunidade dos povos desenvolvidos”.

Este poderia ser o discurso do presidente Jair Messias Bolsonaro. Como poderia ser o dos ex-presidentes Collor de Mello, Getúlio Vargas. Um líder populista pode ter perfil semelhante a um Mussolini, Salazar, Hitler, Franco ou Maduro. Quando a fala adquire tom profético e ao mesmo tempo simples, não só nas palavras, como no modo de pronunciar.

Este personagem sincrético, que se entrega à sua missão como um deus, geralmente alega ser um outsider na política, afirma ser religioso e bom pai de família. Também faz parte do modelito do herói a escolha de um adversário – específico, de preferência – a fim de canalizar as energias negativas e poder posar como a encarnação do Bem. 

Porém, a figura que em tudo se parece com o tempo que estamos vivendo é um personagem de ficção. Trata-se do protagonista do romance A Vida em Primeira Pessoa, recém-lançado pela editora Desconcertos. O personagem principal, Nelson Bastos, foi criado para concretizar o “salvador da pátria”, tema de novela que emerge no imaginário de muitos povos e culturas, desde a França de Pinay até Antônio Conselheiro, em Canudos, e Dom Sebastião, em Portugal. 

Isso em um cenário em que cada um representa um papel – o presidente eleito ou ungido; o personagem trabalhado pelos marqueteiros ou pelas redes sociais; a sociedade órfã, carente de uma liderança, a mídia também tem um lugar. A história de Nelson Bastos, sujeito criado para personificar um presidente eleito num país chamado Brasil, e a vida de uma jornalista nos bastidores do poder, são bem o retrato de uma situação que se mostra tão cruelmente real nos tempos atuais. 

O Brasil tem que mostrar a cara. Não podemos retornar ao “homem cordial” de Sergio Buarque de Holanda, à passividade de Macunaíma. O Nelson Bastos da fábula política brasileira precisa ser revelado para que não mais apareça como ungido a uma população carente de educação e de consciência política. Uma sociedade que não se contente em ter um líder que apele a emoções baratas, que estimule, de um lado, o ódio, o medo; e, de outro, a vontade de possuir e de destruir. Que as pessoas não se preocupem com o outro apenas quando o outro é um espelho de si mesmos; que, por conseguinte, respeitem o diverso, o diferente e saibam integrar sem condenar, compartilhar sem excluir, chamar ao invés de dispersar. 

Thais de Mendonça é jornalista, professora e escritora.

Palavra do leitor

Paul Harris

Estamos perto de chegar a um mês do trágico anúncio deste governo interino de São Caetano em realocar a Biblioteca Paul Harris <CF51>(Política, dia 24)</CF> para um cubículo na Secretaria de Educação sem que a administração explique os motivos reais da mudança ou como essa alteração será feita. Ainda dá tempo de rever essa posição esdrúxula e atentatória para a cultura da cidade.

Célia Maria Rodrigues

São Caetano

Ipiranguinha

Está instransitável dirigir pelo prolongamento da Rua do Sol, na Vila Assunção, adjacências do Parque Ipiranguinha. A construção de mais um prédio na região, aliada ao alto número de carros estacionados, faz com que passar de carro pelo local seja tarefa hercúlea. Gostaria que a Prefeitura de Santo André adotasse medidas para solucionar o problema.

Jair Costa Santos

Santo André


Explicações

A Prefeitura de Diadema precisa vir a público para esclarecer melhor como será essa nova relação com a SPDM na saúde da cidade <CF51>(Política, dia 13)</CF>. Ninguém duvida que é inviável conduzir a política de saúde de forma isolada, mas a contratação de terceirizados indiscriminada não me parece o melhor caminho. Profissionais que moram e respiram a cidade conhecem a realidade do município, a comunidade e caminhos que possam ser percorridos em busca do serviço público de excelência. A ampliação do acordo com a SPDM não coloca em xeque o Ipred, instituto que há tanto tempo sofre com desmandos? Além do mais, está estranha a confecção do contrato sem a devida licitação. É preciso explicação com urgência.

Josué Rodrigues

Diadema

Triste Rio Grande

Triste a realidade política de Rio Grande da Serra. Esse entra e sai de prefeito, essa faca no pescoço colocada no prefeito e a inabilidade política dele só nos fazem crer que o município vai demorar um bom tempo para deixar de ser um bairro de Ribeirão Pires. Não nos esqueçamos que há menos de duas décadas o município passou por tragédias sucessivas, com mortes de prefeitos, e essas chagas ainda repercutem na administração local.

César Ribeiro Lemos

Ribeirão Pires

Sonho meu

Meu sonho seria ver Paranapiacaba com uma estação ferroviária digna de sua história (Setecidades, ontem).

Tatiana Bomfim Cruz

Santo André

Como crer em pesquisas?

Tenho só que rir de pesquisas como essas do Datafolha que mostram o ex-presidiário folgado na liderança na corrida eleitoral do ano que vem. Insistem no erro, com metodologias que não apuram o real sentimento do eleitor. A situação desses institutos é tão risível que o mesmo Datafolha correu para incluir perguntas na tentativa de atestar autoridade. Felizmente, o resultado virá nas urnas.

Simone Lins de Andrade

São Caetano



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