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Câmara de Diadema rejeita contas de Lauro Michels

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Por 12 votos a nove, casa mantém parecer contrário do TCE ao balanço de 2018 da Prefeitura e coloca em xeque futuro político do ex-prefeito


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

16/09/2021 | 17:22


A Câmara de Diadema manteve o parecer negativo emitido pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) ao exercício financeiro de 2018 da Prefeitura, penúltimo ano de gestão do ex-prefeito Lauro Michels (PV). A decisão do Legislativo pode resultar no enquadramento do verde na Lei da Ficha Limpa, e impedi-lo de concorrer nas eleições futuras. Para o verde, houve “ingratidão”, em especial de vereadores que atuaram junto à sua gestão.

O verde precisava de dois terços para reverter a orientação do TCE – ou seja, 14 dos 21 votos. Porém, apenas nove contrariaram o relatório da corte de contas e foram favoráveis ao balanço apresentado daquele ano. Doze caminharam com o TCE, inclusive figuras que foram da base de sustentação e próximas do ex-chefe do Executivo.

A avaliação do TCE listou série de irregularidades na prestação da administração diademense de 2018, entre elas a aplicação de recursos insuficiente em educação (foram 23,82%, enquanto a Constituição Federal exige ao menos 25% da receita corrente líquida), estouro do teto de pagamento com o funcionalismo (Lauro empenhou 57,45% da verba para os servidores, enquanto o máximo era 54%), o registro de deficit orçamentário de 13% com descompasso financeiro de R$ 163,6 milhões, e falhas na quitação de encargos sociais.

Foi a primeira vez que a Câmara de Diadema votou para reprovar as contas de Lauro, que gerenciou o município entre 2013 e 2020. Os outros pareceres do TCE até então haviam sido aprovados pelo Legislativo. Mas, até então, Lauro era prefeito. Desde 1º de janeiro de 2021, a correlação de forças políticas mudou, já que o verde não emplacou seu sucessor – apostou em Pretinho do Água Santa (DEM) – e viu o petismo, com José de Filippi Júnior, retornar ao Paço. Nos bastidores, o que se ouvia desde o começo da semana era que antigos aliados de Lauro demonstrariam na hora do voto o descontentamento com o tratamento do político.

Entre os 12 vereadores que acompanharam o parecer pela rejeição de contas, alguns tiveram relação de proximidade com Lauro. Zé do Bloco (Cidadania), por exemplo, virou vereador no primeiro mandato do verde (era suplente à época) porque o então prefeito convidou três parlamentares eleitos para ocuparem postos no secretariado. Boquinha (Cidadania) esteve no bloco de sustentação de Lauro no mandato passado, assim como Pastor João Gomes (Republicanos). Jerry Bolsas (PSB) também esteve alinhado com o Paço, por meio de indicações.

Pela manhã, Lauro participou da reunião prévia que os vereadores realizam para tratar dos assuntos da sessão. Levou consigo o advogado Arthur Rollo. Os dois se defenderam, questionaram alguns pontos citados no relatório do TCE e pediram que os parlamentares aprovassem as contas. Lauro, por ora, não deu sinais se estará nas urnas no ano que vem. Mesmo assim, não sensibilizou a casa.

Líder do PT no Legislativo – a bancada foi inteiramente contra as contas de Lauro –, Zé Antônio ponderou que a avaliação da casa foi técnica. “A posição do PT não é de revanche. Mas, depois de avaliação muito precisa do relatório, ele nos mostra como foi a realidade que encontramos a cidade a partir de 1º de janeiro. Tivemos oportunidade de ouvir o ex-prefeito e sua defesa. Não fomos convencidos pelos dados apresentados por eles.”

Lauro cita ingratidão de ex-aliados: ''''Cuspiram no prato que comeram''''

Ao Diário, o ex-prefeito Lauro Michels (PV) disse que “ingratidão nasceu no ser humano”. “Sinto muito pelo que fizeram. Dei oportunidade de gente virar vereador, que era suplente, e isso que recebi. Queria que fizessem por mim o que fiz por ele. Se acham que a construção da política é desse jeito, eu lamento.”

O verde confirmou que conversou com os vereadores pela manhã e lembrou que a Câmara “nunca teve tradição de vetar contas de prefeito”. “Fui vereador e sempre votei as contas (dos ex-prefeitos, inclusive de petistas) porque sempre achei que o relatório do tribunal é distante da realidade da cidade. Não dá para fazer tudo que querem, a gente não faz porque não quer. Faz o que dá. A Câmara passa a adotar nova postura, que nunca foi adotada.”

Lauro avisou que vai se defender dos apontamentos do TCE, mas admitiu que não ingressará com mandados contra a decisão da casa. Ele salientou que pode voltar a pensar mais em política – está afastado desde que deixou o Paço, em 1º de janeiro – e que a recente aprovação, por parte do Senado, do projeto de lei que permite candidatura de políticos que tiveram contas rejeitadas sem dolo ou má-fé daria guarida a eventual candidatura.

“A questão dos vereadores, principalmente os que fizeram parte do meu governo, ver que eles votaram contra as contas, me enoja da classe política. Cuspiram no prato que comeram. Sobre esses vereadores, com certeza, têm de desconfiar. Por que fizeram parte oito anos do meu governo? Por que não saíram antes? É oportunismo”, disparou. 



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