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Médica se recusa a atender mulher trans em pronto socorro de Diadema

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No dia em que a Prefeitura inaugurou equipamento voltado à população transexual, municípe relata ter sido chamada pelo nome masculino


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

16/09/2021 | 17:03


Atualizada às 17h40

Horas depois de o prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior (PT), inaugurar equipamento de saúde voltado à população trans da cidade, dentro do Quarteirão da Saúde, uma médica se recusou a atender uma mulher trans no pronto socorro municipal, que fica no mesmo prédio onde foi instalado o ambulatório de acolhimento a travestis e transexuais.

Wandy Uchôa, 23 anos, alega ter sofrido constrangimento ao tentar passar no PS central após sofrer queda de moto. Segundo a munícipe, a médica a chamou pelo nome do registro civil (masculino) mesmo tendo sido alertada de que o nome social de Wandy constava na ficha de identificação da paciente. Wandy compartilhou imagens do documento nas redes sociais que mostram que, de fato, o nome social está escrito no topo do prontuário. Nos vídeos, ela conta que a médica se recusou a atendê-la depois de reclamar com a profissional sobre o tratamento. Ao fundo, é possível ouvir um homem – identificado por Wandy como outro servidor do PS – justificando que a médica teria se negado a atender Wandy porque ficou “constrangida”. “Além de toda a espera por atendimento, eu entrei na sala da médica porque ela me gritou pelo nome civil. Falei que sou uma mulher trans e na folha está escrito meu nome social: Wandy. Ela olhou para a minha cara novamente e me chamou pelo masculino. Meu namorado que está aqui foi falar com ela e ela me chamou de “ele””, contou Wandy.

Aos prantos, ela citou a inauguração do ambulatório trans e cobrou providências do governo Filippi. “Toda vez que eu piso no Quarteirão da Saúde eu passo por isso. Não basta matarem a gente todos os dias no meio da rua, a gente apanhar, não temos o mínimo de dignidade em um lugar público, que a gente paga imposto para nos atender. Para qualquer pessoa pode ser algo tranquilo, mas para mim é uma humilhação constante que eu tenho que passar. Quem ficou constrangida foi eu”, relatou.

Em nota oficial, o governo Filippi se manifestou sobre o episódio e disse que “lamenta profundamente o ocorrido no PS e que já está tomando as medidas para que esse tipo de situação não volte a ocorrer”. “A gestão repudia qualquer ato de racismo, preconceito, discriminação ou transfobia e vem trabalhando para criar políticas públicas e ações que visem proteger as minorias, tanto que inaugurou o primeiro ambulatório de saúde integral da população de travestis e transexuais de Diadema e do Grande ABC”.

Ao Diário, a Prefeitura de Diadema complementou que ouviu a médica e que a profissional tratou o caso como "mal entendido" e negou transfobia, mas "falha na compreensão da informação na ficha de atendimento". "A médica se desculpou pelo ocorrido e se mostrou disposta a conversar com a usuária para esclarecimentos", informou o Paço, ao emendar que mudará o sistema de registros de nomes sociais nos prontuários a partir desta sexta-feira e que iniciará treinamento de todos os servidores "para sensibilizar os trabalhadores dos turnos matutino e noturno sobre a importância da temática".

O nome da médica envolvida no caso não foi divulgado. Nesta quinta-feira, Wandy voltou às redes sociais e cobrou ação prática da gestão Filippi. “É muito fácil fazer textinho nas redes sociais”, disse, ao avisar que pretende processar a profissional e a administração.  



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