Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 6 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

politica@dgabc.com.br | 4435-8391

PSDB repudia atos bolsonaristas, mas adia decisão sobre apoio a impeachment

José Cruz/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


08/09/2021 | 20:56


A reunião da Executiva Nacional do PSDB nesta quarta-feira (8), não chegou a uma decisão favorável ao impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Convocado pelo presidente nacional do partido, Bruno Araújo, o encontro virtual debateu uma reação aos discursos antidemocráticos de Bolsonaro em atos do 7 de Setembro, mas não houve unidade.

A direção do partido, que agora se diz de oposição, pressiona para tentar mudar a posição de tucanos apoiadores do governo no Congresso. Segundo nota do PSDB Nacional, a decisão em passar a integrar a oposição foi unânime.

"O partido repudia as atitudes antidemocráticas, truculentas e irresponsáveis adotadas pelo presidente da República em manifestações pelo Dia da Independência", diz a nota. "O PSDB se alinha a todas as forças da sociedade brasileira que têm na democracia, na defesa das instituições e no respeito à liberdade o seu maior compromisso."

Nos bastidores, integrantes da direção tucana reconheceram que o discurso do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), em defesa de uma "pacificação" sem dar margem ao impeachment, influenciou o debate no PSDB. Para um dirigente partidário ouvido reservadamente, a fala calculada de Lira, transmitida na TV Câmara, "jogou um balde de água fria" na expectativa de quem apoia o afastamento de Bolsonaro.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, disse que Bolsonaro cometeu atos "ilícitos" e "crime de responsabilidade" ao anunciar que vai passar a desconsiderar decisões do ministro da Corte Alexandre de Moraes. Mas a acusação de Fux, acompanhada de uma cobrança sobre o Congresso, foi ignorada.

Com divergências na bancada tucana na Câmara, explicitada em episódios recentes como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, a Executiva optou por cobrar um posicionamento e debate entre os parlamentares, sejam deputados ou senadores. No mês passado, o partido orientou a bancada a defender a urna eletrônica e não apoiar a retomada do voto em cédulas de papel e contagem manual, como defende Bolsonaro, mas o resultado foi outro: 14 tucanos foram favoráveis e 12 contrários; 5 não votaram, e o ex-presidenciável Aécio Neves (MG) se absteve.

A reunião ocorreu à tarde, de modo virtual, com cerca de 30 integrantes da Executiva. Segundo tucanos presentes, ninguém pediu a palavra para defender Bolsonaro ou o governo na reunião virtual. Em vez disso, todos repudiaram os atos de Bolsonaro. Porém, reconheceram as divisões internas que impedem posicionamentos futuros mais enfáticos.

A direção do partido submeteu uma nota à avaliação dos presentes, em tom de "repúdio". O posicionamento da direção tenta sensibilizar integrantes do PSDB na Câmara e no Senado - a avaliação corrente é de que sem unidade nas bancadas não dá para ir além na defesa do impeachment. A expectativa é gerar um debate interno entre deputados e senadores tucanos, além de estimular a discussão semelhante nos demais partidos.

No PSD, cuja direção também pautou o debate do impeachment, também não houve avanços. Os parlamentares da bancada reconhecem que não há maioria absoluta entre os deputados do PSD, e que só uma ação direta do presidente nacional, Gilberto Kassab, poderia encaminhar o rumo do partido para apoiar o impeachment de Bolsonaro. Para Kassab, as manifestações evidenciaram que Bolsonaro, apesar da mobilização ao longo de um mês para o 7 de Setembro, não conseguiu convencer a maioria da população ir às ruas a seu favor.

Kassab promete acompanhar os passos do presidente diariamente e monitorar crimes de responsabilidade. Ele disse que a chance de abertura do processo é grande e se tornará "pedra jogada" caso ele de fato desrespeite uma decisão judicial do STF.

"O presidente vem perdendo credibilidade e popularidade. A avaliação do governo é muito ruim. Estamos chegando na iminência de abrir o impeachment", disse Kassab.

Kassab tem sido cada vez mais crítico do governo e estimula a pré-candidatura à Presidência do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado. Mas também sabe dos "bolsonaristas" no PSD. Para cuidar do assunto, Kassab formou uma comissão interna, com os líderes na Câmara, Antonio Brito (BA) e no Senado, Nelsinho Trad (MS). Eles conversaram na manhã desta quarta-feira. Também foram chamados a integrar o colegiado o senador Otto Alencar (BA) e o deputado André de Paula (PE) - presidentes de diretórios em seus Estados, eles são vistos como não alinhados ao Palácio do Planalto. Mas não houve nenhuma decisão concreta a favor do impeachment até agora.

Ao contrário do PSDB e do PSD, que não chegaram a nenhuma decisão ainda, o Podemos anunciou ser contrário ao afastamento de Bolsonaro. Outrora alinhado ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz da Operação Lava Jato Sérgio Moro, o partido descartou apoiar o impeachment.

"O Podemos descarta aderir ao movimento de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, por entender que a abertura de uma nova crise política, em meio à pandemia do coronavírus, desemprego e crise econômica, só agravaria o sofrimento das camadas mais vulneráveis, que já vivem em situação de extrema dificuldade", diz nota assinada pela presidente do partido, Renata Abreu (SP), e pelos líderes do Podemos no Senado, Alvaro Dias (PR), e na Câmara, Igor Timo (MG).Na avaliação do partido, "disputas políticas devem ser resolvidas por meio das urnas" e é preciso buscar uma terceira via para as eleições de 2022. A legenda reafirmou o posicionamento de independência em relação ao governo Bolsonaro e da defesa de pautas como o combate à corrupção e o fim do foro privilegiado. Além disso, a nota destaca que a sigla ficará "vigilante pela preservação das instituições democráticas, rejeitando toda e qualquer bravata autoritária em todos os Poderes."

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DO PSDB:

O PSDB decidiu hoje, por unanimidade, em reunião da Executiva Nacional, que é oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

O partido repudia as atitudes antidemocráticas, truculentas e irresponsáveis adotadas pelo presidente da República em manifestações pelo Dia da Independência.

O PSDB se alinha a todas as forças da sociedade brasileira que têm na democracia, na defesa das instituições e no respeito à liberdade o seu maior compromisso.

Com a participação da Executiva e das bancadas na Câmara e Senado iniciamos o processo interno de discussão sobre crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República. O primeiro passo foi o debate aberto ocorrido hoje e agora será aprofundado pelas bancadas do Congresso Nacional.

Conclamamos todas as forças do centro democrático a formar uma frente de oposição ao governo de Jair Bolsonaro. É da união dessas forças que virá a derrota definitiva do projeto autoritário de poder que o atual ocupante do Palácio do Planalto encarna e a volta do modelo político e econômico petista também responsável pela profunda crise que enfrentamos.

Basta de insensatez. Os brasileiros esperam de seu governante soluções para a pandemia, que beira 600 mil mortos; para o desemprego, que vitima 14 milhões de pessoas; para a inflação, que beira os dois dígitos; para a paralisia econômica; para a desigualdade; para a crise hídrica e para o descalabro fiscal. Um presidente que saiba enfrentar a desestruturação social e econômica ao invés de buscar enfrentar a própria lei.

A democracia brasileira permitiu que milhares fossem às ruas no dia de ontem defender suas ideias. Mas também defendemos os milhões que ficaram em casa e querem um Brasil que possa superar a crise.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;